Uma vida de extroversão e intensidade, medo sempre presente, mas nunca paralisante. Os problemas mudaram e a complexidade deles também, dizem que é natural, mas só possuía o próprio ponto de vista como referência, mesmo que fosse atrás de vislumbres alheios, mas a verdade era imutável: o seu universo era tudo que tinha, e cada um tinha um só seu. Confuso, os limites são sempre flutuantes.
Então olha para dentro. Entender o mundo é um conceito muito subjetivo, mas pode se entender no mundo. Aí se pergunta "consigo?" e a resposta vem, com a própria voz, "não. Por enquanto não. Ou talvez nem fodendo, para sempre". Nunca iria entender o mundo, não devia, era um ponto de vista único e criaria o mundo que busca.
A voz novamente "consigo?". "não. Por enquanto não. Ou talvez nem fodendo, para sempre."
Então veio a fobia social. Se não consegue entender o mundo e nem o seu papel nele, do que valia tudo aquilo?
Essa resposta ainda não chegou, mas se assumiu como criadora. Se tudo que tem é a chance de inventar mundos mais fáceis, entra na própria mente, em um mundo estabelecido por si mesma, que seja, foi uma vida de extroversão e intensidade e, ao lembrar do passado, também lembra que recebia mais respostas quando não as buscava tanto, por estar viva, se sentir viva. Jogou o universo para o próprio umbigo e aceitou a singular perspectiva, limitada, mas bem intencionada. Defeituosa, mas honesta. Sempre com algum toquezinho brega de auto-ajuda e auto-piedade, faz parte, não quer ter mais vergonha de ser o personagem que é, acha que todos somos (será?).
E se perde quantas vezes for necessário, desde que não desista está tudo certo, se tem uma coisa que aprendeu nos últimos tempos é que todos nós estamos conectados e sempre existe o dia de amanhã (senão aqui, em outro lugar).
domingo, 22 de março de 2020
sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020
Será?
A vida vai boa. Digo, é impressionante, porque o país está implodindo e o mundo está explodindo mas, sem mentiras aqui, minha vida vai bem. Tenho casa, teto, comida, bichos alucinados e um companheiro que me faz rir o dia inteiro, estou produzindo, estou fazendo minhas tirinhas e estou aqui, tentando me expressar sem medo de exposições, tentando colocar na escrita um monte das besteiras que penso sem sentir que serei julgada por cada palavra, sigo, vou arriscar, porque eu preciso arriscar e isso é parte de estar vivo. Cansei de morrer. Morri muitas vezes nos últimos anos, acho que estou cansada, sei lá, talvez eu venha morrendo há muito tempo, e eu não quero, logo agora que estou aprendendo a viver?
Minha vida vai bem, mas isso basta? Onde estão os significados que jurei que encontraria? Cada vez são mais perguntas e, com elas, o medo de derrapar pela ignorância, magoar quem eu gosto pelo privilégio de poder seguir ingênua a muitas questões, mesmo sem querer.
Tenho medo de nunca mais alcançar aqueles momentos de felicidade extrema da infância e da adolescência, tive momentos genuinamente bons, onde me sentia viva e aquilo parecia fazer sentido, ficaram para trás? Sempre parecem crus, bobos, passado e não presente. Isso é a fase adulta ou apenas depressão?
Minha vida vai bem, mas isso basta? Onde estão os significados que jurei que encontraria? Cada vez são mais perguntas e, com elas, o medo de derrapar pela ignorância, magoar quem eu gosto pelo privilégio de poder seguir ingênua a muitas questões, mesmo sem querer.
Tenho medo de nunca mais alcançar aqueles momentos de felicidade extrema da infância e da adolescência, tive momentos genuinamente bons, onde me sentia viva e aquilo parecia fazer sentido, ficaram para trás? Sempre parecem crus, bobos, passado e não presente. Isso é a fase adulta ou apenas depressão?
quarta-feira, 8 de janeiro de 2020
Novamente de última hora
Uno nace mientras el planeta gira
Los pulmones abren la nariz respira
Escuchamos al mundo con todo su alboroto
Los parpados suben y los ojos tiran fotos
Si salimos de la cuna para dormir en la cama
Nos crecen los brazos como crecen las ramas
Como crecen las hojas nos crecen las manos
Como crecen los días cuando madruga temprano
Los segundos los minutos y las horas
Germinan así como los días empiezan y terminan
Los meses se disfrazan según el meridiano
Otoño invierno primavera verano
Y se ajusta el camino a nuestros pasos
Así como el agua se adapta a su vaso
Nuestro corazón se aclimata a la altura
Y nos adaptamos a cualquier aventura
Pueden sumar con prisa pueden restar con calma
Da igual porque las matemáticas no tienen alma
Aunque calculemos todo y le pongamos nombre propio
Nuestro espíritu no lo pueden ver los microscopios
Nadie se puede acobardar nacimos siendo valientes
Porque respirar es arriesgar
Este es el momento de agarrar el impulso
Las emociones las narra nuestro pulso
Respira el momento
Respira el momento
En nuestra galaxia la historia se expande
Desde lo más simple hasta lo más grande
Crecimos junto a los cuerpos celestes
Somos el norte sur este y oeste
Somos la tierra con todas sus huellas
Una súper nova entre todas las estrellas
Absorbemos la luz de los rayos
Mientras la clorofila navega por los tallos
Los grados y centígrados calientan los termómetros
A 150 millones de kilómetros
Hay una vía láctea repleta de neuronas
Porque reproducimos mas ideas que personas
No somos pequeños ni muy grandes tampoco
Somos muchos y también somos pocos
Somos el golpe cuando aterriza
Y también somos la piel cuando cicatriza
La muerte nunca nos venció
Porque todo lo que muere
Es por que alguna vez nació
Lengua, beso, boca, labio, niño, joven, viejo, sabio
Calvo, rizo, pelo lacio, techo, casa, cielo, espacio
Sexo, orgasmo se humedece
Quizás nunca siempre a veces
Libro letra cuento narra ron con hielo o trago barra
3 Millones de latidos en un periodo mensual
Caminamos dando 10 mil pasos en un día normal
Crudo, hervido, asado, frito, guerra, iglesia, rezo, grito
Muy poquito demasiado, corro, vuelo, salto, nado
Puede llegar algún día el colmo de la biología
Vivir con sangre caliente pa' morir a sangre fría
Respira el momento
Respira el momento
En nuestra galaxia la historia se expande
Desde lo más simple hasta lo más grande
terça-feira, 31 de dezembro de 2019
Retrospectiva 2019
e U n ão QUer O ma is fAZ e rS en tId o
mas faço para mim. Eu me entendo orque me conheço como ninguém e, olha, não é todo mundo que sabe se conhecer como ninguém, mas eu sei, sei exatamente tudo que devo fazer para ficar bem comigo mesma, talvez não saiba como fazer, mas sei que devo.
Vou deixar as considerações para o final, dois anos em um, muita coisa aconteceu. Dessa vez vou usar meu blog mas, também, minha agenda, aproveitar que esse ano comprei uma.
Janeiro: y los deseos me vieron nacer
Cumpi minha promessa, admiti que tinha um problema e, mais do que isso, não deixei que dominasse minha mente, eu tenho um problema mas eu não sou esse problema, tudo passa.
Eu estava animada para entrar em uma faculdade e, ao mesmo tempo, consciente de que eu estava tendo dificuldade em sair de casa e talvez não conseguisse cumprir o que tava planejando. Dia 20 teve eclipse e assisti deitada do quintal.
Lendo a agenda, fiz coisa para cacete, mas sempre escrevia o quão me sentia inútil por não estar fazendo o suficiente (leia-se: ganhar dinheiro). Também já batia um desespero pelo começo das aulas.
Fevereiro: los árboles me vieron crecer
Entre surtar com o começo das aulas e receber visitas de amigas que moram longe (oi, Mika!), o que eu mais fiz em fevereiro foi escrever. Foi o mês onde comecei a sentir uma necessidade de divulgar meus escritos, por bem ou por mal, criei uma conta no nyah! mas, em seguida, já descobri o wattpad. Foquei nele.
Março: el océano me vio navegar
Mês de divulgar meus escritos, criei a conta, postei meus contos, produzi muito, me estressei bastante também, segundo minha agenda, o engraçado é que agora eu nem lembro o porquê.
Sei que foi o comecinho da minha canseira em permanecer como eu tava. No finalzinho do mês, meus pais deram um pulo em Aracaju.
Abril: las estrellas me vieron cruzar
Família presente, também recebi a visita da minha grande amiga de Matinhos, a Kulka, e foi muito bom. Aos poucos fui me sentindo melhor com a minha própria cabeça, sabendo que nem sempre seria assim, mas aproveitei enquanto foi.
Maio: las estrellas me vieron llegar
Não foi um mês fácil, mas foi necessário. Parei para confrontar meus monstros e meus medos, podar pensamentos sem sentido, reaprender a gostar de mim mesmo com todo o drama, eu sou assim, hora de ficar ok com isso. Tive problemas em definir como eu ganharia dinheiro com o meu trabalho sem ter que mudar meu estilo e ideais apresentados (dúvida agora superada) e também vivi alguma crise de relacionamento, porque cinco anos é tempo e brigas acontecem, mas, no geral, estive bem desde que substitui minhas tristezas por raivas. Também entrei em umas reflexões sobre sexo onde aprendi muito sobre mim mesma, ainda bem, e tirei um tempo para vomitar muitas das minhas mágoas em relação a Matinhos, porque cansei de guardar também.
Junho: las estrellas me vieron perder
Junho pode ser resumido em São João (weee), a colheita do nosso primeiro melão (weeee), algumas reflexões necessárias e uma sensação de férias, parei, descansei, me permiti não importar.
Julho: las estrellas me vieron ganar
Um mês onde tentei focar mais na minha saúde, marquei consultas, comecei a pensar em psicólogo, enfim, querer fazer algo a respeito da minha fobia social. Pode ser resumido em: religião, política e futebol se discutem SIM.
Agosto: las estrellas me vieron correr
Se no mês passado marquei minhas consultas, esse mês foi o de ir nelas, não vou dizer que foi fácil quebrar o medo de médicos e agulhas e fazer cocô em potinho (jksfhksdk), mas superei, estamos aí! No dia 21 a Carol Zica, minha miga, chegou lá em casa.
Setembro: las estrellas me vieron volar
A presença de Zica lá em casa, por algum motivo, me motivou a aumentar minha produção de imãs de geladeira, acabou que agora tenho 80 imãs diferentes, hahah! No geral foi um mês corrido, eu acabei ficando com a casa cheia em um momento onde não era o que eu queria, então meu lado brabo ficou brabo mesmo, teve mais a ver comigo do que com os outros, mas eu nem queria saber, estava em casa e essa foi uma lição aprendida no ano passado: nada de não me sentir a vontade na minha própria casa. De qualquer forma, consegui ser uma versão melhor de mim, não me calei mas também não fui cuzona, deu tudo certo no fim.
Outubro: las estrellas me vieron perder
Tentei um emprego, não consegui, fiz uns cursos, tentei de novo, não consegui. Comecei a fazer terapia, algo que estava planejando desde que olhei para mim e decidi que não desistiria, nada foi resolvido imediatamente, o que faz meu lado imediatista sofrer, mas sei que sigo avançando.
Novembro: las estrellas me vieron ganar
Nada de muito novo, produzi muito, desenhei, escrevi, etc. Já me sentia (sinto) melhor com minha cabeça, o desafio agora é superar o corpo.
Dezembro: me vieron cruzar
Dezembro me mostrou o que eu já sabia, eu superei muita coisa, resolvi minha mente de uma forma que eu não julgava ser possível e, embora eu saiba que ainda tem muito a ser feito, as coisas estão caminhando. Eu ainda não consigo sair, passo mal, as vezes tô ok com a mente racional mas o subconsciente puxa algo que eu nem mesmo capto, mas tá lá, e aí me vem a sensação de desmaio, a forte ânsia, enfim, meus obstáculos desse ano. Mas as coisas estão acontecendo. Eu tô em Curitiba agora, feliz por estar aqui, feliz em ver meus amigos, meus pais, as pessoas que eu amo, também com saudade de casa, ansiosa (no bom sentido) para botar em prática as mil coisas que quero para o próximo ano.
Eu não tinha expectativa para esse ano, porque 2018 foi um ano muito agressivo, no geral, e não é que esse não tenha sido. O país tá despencando, sempre gostei de observar a política, não tenho como virar os olhos agora só porque tá tudo tão desesperador, mas prometi para mim mesma que eu não ia colocar minha felicidade nisso ou estaria ferrada, estaria mesmo, meu país sofreu demais no decorrer desses trezentos e tantos dias (nunca decoro quantos dias tem o ano).
Eu quero pensar em mim, estando bem consigo pensar nos outros, efetivamente agir, eu quero ficar bem, mesmo se a vida for mal, tem coisas que a gente não escolhe e tem coisas que a gente escolhe sim, ainda bem.
Se 2020 vai ser bom ou uma merda, sei lá, não sou vidente e também não escolhi a música do que virá, e tudo bem. Eu estou onde eu quero estar, ainda não sou a pessoa que quero ser, mas vou me descobrindo, me lapidando, me amando, vou ficar bem comigo mesma, espero isso para vocês também, mais uma década começando, tenho mais de uma década de blog, obrigada pela companhia, enquanto estiver viva estarei aqui, o depois a gente vê, um beijo, mundão.
Eu não tinha expectativa para esse ano, porque 2018 foi um ano muito agressivo, no geral, e não é que esse não tenha sido. O país tá despencando, sempre gostei de observar a política, não tenho como virar os olhos agora só porque tá tudo tão desesperador, mas prometi para mim mesma que eu não ia colocar minha felicidade nisso ou estaria ferrada, estaria mesmo, meu país sofreu demais no decorrer desses trezentos e tantos dias (nunca decoro quantos dias tem o ano).
Eu quero pensar em mim, estando bem consigo pensar nos outros, efetivamente agir, eu quero ficar bem, mesmo se a vida for mal, tem coisas que a gente não escolhe e tem coisas que a gente escolhe sim, ainda bem.
Se 2020 vai ser bom ou uma merda, sei lá, não sou vidente e também não escolhi a música do que virá, e tudo bem. Eu estou onde eu quero estar, ainda não sou a pessoa que quero ser, mas vou me descobrindo, me lapidando, me amando, vou ficar bem comigo mesma, espero isso para vocês também, mais uma década começando, tenho mais de uma década de blog, obrigada pela companhia, enquanto estiver viva estarei aqui, o depois a gente vê, um beijo, mundão.
sábado, 28 de dezembro de 2019
O tempo tá passando
Tenho que escrever a retrospectiva desse ano porque, ei, são anos de tradição, não vai ser agora que vou parar! Não é minha casa, não é o meu pc, mas ainda assim tô confortável, esse blog é muito para mim, um registro, uma comédia, uma vergonha, algo honesto, vulnerável, gosto da ideia de escrever aqui, mesmo que sempre venha algum pequeno arrependimento depois, o medo de me expôr vem da sobrevivência também, mas eu não calo, tô viva e aprendo sempre, a vida tem sido difícil mas tem muita coisa boa acontecendo também, quero viver com mais leveza.
Esses últimos dias tem sido muito bons, mesmo que eu sempre tenha que lidar com uma crise, mas é bom estar com a família que me quer bem, é bom estar entre amigos, meus amigos constantemente demonstram quanto gostam de mim e isso me faz feliz, me mostra que eu também tenho feito algo certo, e eu tô feliz comigo, não o quanto quero ser, ainda vai vir muito trabalho para isso, mas eu não desisti e isso faz bem.
Chega, já aqueci, o tempo tá correndo e temos muito o que fazer, vou começar a retrospectiva, sovrevivi mais um ando, eu ainda estou aqui, espero que vocês também!
segunda-feira, 16 de dezembro de 2019
corpo x mente
Quando eu era adolescente fui uma das últimas pessoas da minha bolha a ganhar um celular, aquilo era uma novidade imensa pra mim, era um tijolinho com zero atrativos mas eu tava super feliz porque aquilo que todo mundo já tava acostumado era uma puta novidade para mim, então eu queria pegar o número de todo mundo (mesmo que eu nunca tivesse crédito), queria mostrar o jogo (no singular), tava deslumbrada. Minhas amigas acharam ruim, falaram que já tava chato, que eu não parava de falar disso, e aí eu me calei, não queria ser a chata.
É uma parada boba para lembrar agora, mas, querendo ou não, fala muito de mim. Eu estava feliz com algo, fui criticada e engoli minha felicidade, me calei, minha felicidade incomodou e abri mão dela. Era algo bobo para as outras pessoas, mas não era algo bobo para mim, não importa que seja, no final das contas, uma besteira, eu não garanti minha felicidade pelo medo do que iriam pensar, eu ainda não tinha diagnósticos e nem sinal visível da minha ansiedade, mas ainda tomei essa decisão, um exemplo entre tantos outros.
Esse final de semana que passou foi um resgate a várias coisas do meu passado. Saí de casa, o que é raro, para encontrar uma das pessoas que mais me conhece nesse mundo, não das que acham conhecer, uma que realmente me conhece, e ela me jogou (com muito amor) várias verdades na minha cara, coisas que em seis sessões de terapia ainda nem foram remexidas, coisas que eu preferia fingir que não guardo, mas guardo, e foi bom ouvir isso.
Um lado de mim queria que todo mundo olhasse as coisas que passei e validassem: não é justo, não foi justo. Talvez porque eu tenha essa capacidade com os outros, vejo as pessoas sofrendo injustiças, maioria social, e sei que elas não deveriam estar passando por aquilo, validar não faz com que parem de sofrer, mas as vezes é bom que alguém chegue para nós e fale: ei, eu vejo razão para o seu sofrimento, porque nós somos ensinados a agir como loucos, viver como loucos, ignorar tudo aquilo que sentimos e tudo aquilo que dói, ignorar essa dor interna, inclusive, é sinônimo de amadurecer. Essa fragilidade (ou honestidade), essa vulnerabilidade às nossas dores do passado, tudo isso é considerado fraqueza, eu não vejo mais assim, mas sei que é visto assim, sou parte do mundo mas não sou o mundo todo.
Minha mente vai bem, obrigada. Eu saí de casa e tive que lidar, por umas duas horas, com os sintomas de sempre, aquela sensação de que vou vomitar, vou desmaiar ou explodir, aquele aperto e vontade de chorar, mas não o coração, dessa vez ele bateu no ritmo normal, é algo a se agradecer, um sintoma a menos. É chato, sabe, é chato porque, mentalmente, eu me sentia ok. Sabia que ia sair, queria sair, sabia que talvez passasse por alguns eventos físicos, sabia que teria que lidar com isso. Mas me enche pensar que eu vá ter que lidar com isso para sempre, será? Será que, sempre que eu sair de casa, vou precisar andar com uma sacola plástica na mão, caso vomite? Será que vai ser sempre tão cansativo?
Eu não estou mal, pelo contrário, tô mais consciente das minhas vitórias, eu consegui ir, afinal, eu sobrevivi. Mas o peso é grande, a vergonha e a falta de confiança, eu não quero que o mundo me valide, eu só gostaria de ser minimamente entendida, mas é um erro esperar isso, ninguém vai ver a validez na minha dor porque ninguém tá vivendo o que eu vivo, isso não quer dizer que eu não possa me afagar. Não quero viver como uma vítima de mim mesma, mas quero ser capaz de me olhar no espelho, fazer um afago com os olhos e dizer para mim mesma que não importa se ninguém vê o tamanho do peso que eu carrego, importa que eu sei o quanto eu me supero a cada dia, esse peso não me define, talvez (espero?) nem seja parte de mim por muito tempo, quem sabe? Talvez, em algum momento, eu possa sair de casa e ver as pessoas que eu amo sem nem sentir ânsia ou sensação de desmaio. Já foi assim, talvez um dia volte a ser.
É uma parada boba para lembrar agora, mas, querendo ou não, fala muito de mim. Eu estava feliz com algo, fui criticada e engoli minha felicidade, me calei, minha felicidade incomodou e abri mão dela. Era algo bobo para as outras pessoas, mas não era algo bobo para mim, não importa que seja, no final das contas, uma besteira, eu não garanti minha felicidade pelo medo do que iriam pensar, eu ainda não tinha diagnósticos e nem sinal visível da minha ansiedade, mas ainda tomei essa decisão, um exemplo entre tantos outros.
Esse final de semana que passou foi um resgate a várias coisas do meu passado. Saí de casa, o que é raro, para encontrar uma das pessoas que mais me conhece nesse mundo, não das que acham conhecer, uma que realmente me conhece, e ela me jogou (com muito amor) várias verdades na minha cara, coisas que em seis sessões de terapia ainda nem foram remexidas, coisas que eu preferia fingir que não guardo, mas guardo, e foi bom ouvir isso.
Um lado de mim queria que todo mundo olhasse as coisas que passei e validassem: não é justo, não foi justo. Talvez porque eu tenha essa capacidade com os outros, vejo as pessoas sofrendo injustiças, maioria social, e sei que elas não deveriam estar passando por aquilo, validar não faz com que parem de sofrer, mas as vezes é bom que alguém chegue para nós e fale: ei, eu vejo razão para o seu sofrimento, porque nós somos ensinados a agir como loucos, viver como loucos, ignorar tudo aquilo que sentimos e tudo aquilo que dói, ignorar essa dor interna, inclusive, é sinônimo de amadurecer. Essa fragilidade (ou honestidade), essa vulnerabilidade às nossas dores do passado, tudo isso é considerado fraqueza, eu não vejo mais assim, mas sei que é visto assim, sou parte do mundo mas não sou o mundo todo.
Minha mente vai bem, obrigada. Eu saí de casa e tive que lidar, por umas duas horas, com os sintomas de sempre, aquela sensação de que vou vomitar, vou desmaiar ou explodir, aquele aperto e vontade de chorar, mas não o coração, dessa vez ele bateu no ritmo normal, é algo a se agradecer, um sintoma a menos. É chato, sabe, é chato porque, mentalmente, eu me sentia ok. Sabia que ia sair, queria sair, sabia que talvez passasse por alguns eventos físicos, sabia que teria que lidar com isso. Mas me enche pensar que eu vá ter que lidar com isso para sempre, será? Será que, sempre que eu sair de casa, vou precisar andar com uma sacola plástica na mão, caso vomite? Será que vai ser sempre tão cansativo?
Eu não estou mal, pelo contrário, tô mais consciente das minhas vitórias, eu consegui ir, afinal, eu sobrevivi. Mas o peso é grande, a vergonha e a falta de confiança, eu não quero que o mundo me valide, eu só gostaria de ser minimamente entendida, mas é um erro esperar isso, ninguém vai ver a validez na minha dor porque ninguém tá vivendo o que eu vivo, isso não quer dizer que eu não possa me afagar. Não quero viver como uma vítima de mim mesma, mas quero ser capaz de me olhar no espelho, fazer um afago com os olhos e dizer para mim mesma que não importa se ninguém vê o tamanho do peso que eu carrego, importa que eu sei o quanto eu me supero a cada dia, esse peso não me define, talvez (espero?) nem seja parte de mim por muito tempo, quem sabe? Talvez, em algum momento, eu possa sair de casa e ver as pessoas que eu amo sem nem sentir ânsia ou sensação de desmaio. Já foi assim, talvez um dia volte a ser.
sexta-feira, 13 de dezembro de 2019
fim
Eu tenho um pouquinho de raiva de dezembros, sei lá, tem o lado bom que tá todo mundo envolvido em uma tal de mudança de ciclo, mas também tem o natal, que eu já não sou muito fã, e o fato de que todos os planos que eu tenho na cabeça precisam aguardar a virada do ano para se concretizarem, não só porque eu não consigo abrir o tempo necessário dentro dos meus próprios planos, também porque muita coisa já parou, tchau e benção, é isso.
Tudo bem. Tá vindo muito movimento por aí, vou reaprender a gostar disso, pelo visto na marra, mas sempre foi assim, pular do trampolim, voo livre e queda bruta, sou corajosa pelo tamanho dos meus medos, é a versão que vou apostar minhas moedas.
Amanhã vou sair de casa, fato sabido, ainda me deixa nervosa mas tô empurrando com a barriga, deixa para depois da 00h, tá tudo ok, sorte ou revés, vou ter que lidar, tô viva, pelo menos vou sair para encontrar gente que eu gosto, tenho sorte, ainda posso escolher me recolher. Mas eu não quero, 2020 será prova, espero, quero sair dessa prisão mental, não será a primeira vez, que raiva dos dezembros, mas são importantes também.
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