segunda-feira, 5 de fevereiro de 2024

Mais um dia

 Hoje acordei, tive psicóloga (graças aos bons deuses) e, como desgraça cai na segunda, muitas coisas aconteceram. Mas vamos pelo cronológico.

Peguei minha receita. Trabalhei. Estudei. Lavei a louça. Lavei roupa. Fiz, logo cedo e por ordem de chatice ou dificuldade, tudo que eu precisava cumprir.

E aí meu pai mandou um áudio confirmando uma possibilidade ruim, mais uma entre tantas que têm rolado. O que a Maia tinha era terminal, ela já estava com dor, recusando os remédios para aliviar mesmo se escondesse bem. 

A vida pega a gente bem rápido, né? Eu sabia que era uma possibilidade, isso já tinha sido conversado, mas eu não queria acreditar que seria tão de repente. Maia partiu hoje, agora a pouco, na verdade. Teve companhia, não sofreu, além de tudo, estava muito velhinha. Ainda assim eu queria ter dado um último carinho, pelo menos ter estado lá. Mas não dá para estar em todos os lugares, nunca deu, parece que nem mesmo emocionalmente, visto que está doendo e eu não consegui dar nenhuma lágrima.

Eu vou sentir uma falta grande da Maia, queria que, de alguma forma, ela soubesse disso. 

A psicóloga lançou hoje uma metáfora que gostei, disse que estou finalmente buscando minhas malas em Curitiba, faz muito sentido para mim. Fico feliz que minha última lembrança com a Maia não tenha sido aqui, mas lá, rindo porque ela fugiu e foram encontrar ela dentro de um mar, tirando a maior onda, surpreendendo todo mundo que achou que ela odiava água. Talvez só água doce, pelo visto.

Foi uma vida longa e boa, e segue sendo um saco aceitar a morte. Parece que, com tudo que está acontecendo, é como uma figura rondando. Sempre esteve, na verdade, falei durante anos sobre o assunto nesse espaço virtual. Mas é sempre uma droga quando não dá para escapar do fato. 

Enfim, seguimos. Eu ainda estou aqui, espero que vocês também.

Maternar

 Hoje a reflexão vem da psicóloga, mas porque ela diretamente mandou "pense sobre isso", então vamos lá, fazer isso do jeito que eu sei, nesse blog fuleiro com a luz acabando e umas teias de aranha espalhadas por aí.

O que é maternar?

Fui orientada a buscar no Google, um dos piores buscadores da atualidade (fica aqui a denúncia!), porém o que eu conheço. Não deu certo de primeira, e agora botei maternar como verbo, vamos a algumas definições de páginas possivelmente questionáveis que pagaram para aparecer antes. 

"Cuidar que exprime, movimenta".

"Maternar um filho significa estar disponível física e emocionalmente para acolher e suprir as demandas que surgem, desde o momento do nascimento da criança até o início da idade adulta."

"O que é se auto Maternar?

Reaprender a acolher seus próprios sentimentos e ouvir suas necessidades. – Descobrir como ter uma rede de apoio efetiva".
 
"Qual a diferença de maternagem e maternidade?
A maternidade tem relação com o ato de gestar e parir uma criança. Já a maternagem vem depois do ato de parir e está totalmente ligada ao ato de cuidar, de dar apoio a essa criança que veio ao mundo".
 
Beleza, já está bem visível onde ela quer chegar. Fica aqui o registro para reflexões futuras.

  


sexta-feira, 2 de fevereiro de 2024

Lenços

 


É muito doido estar com 3/4 de irmãs e mamãe e tudo nesse contexto maluco.
Hoje foi o dia de levar com humor e mostrar que lenços são legais, que pessoas ficam bonitas também carecas, que ela não precisa abdicar a autoestima porque seguirá sendo maravilhosa.
Não é fácil, mas, por enquanto, estamos levando do melhor modo que conseguimos. E tá rolando, embora o pior ainda não tenha começado.
Acho que próximo mês já estou em casa, não sei, vai depender de muita coisa e sem a coroa eu não saio daqui. 
Mas eu quero que esse tratamento comece, que a gente veja as coisas melhorarem na prática, com dificuldades que forem, vamos passar tudo que tivermos que passar e eu confio que sairemos felizes disso, todas nós. Acredito mesmo na recuperação da minha mãe, vou seguir acreditando enquanto tiver qualquer tipo de chance e ainda tem muitas. 
Amo minha véa, tão jovem e cheia de saúde, mesmo com esse negócio alienígena se alimentando dela (não quero ofender ninguém, crio metáforas para lidar melhor).
Gosto que ela esteja aqui, no que estou tendo como casa (mais dela do que minha, porém sem energia de nenhuma das duas, o que tenho resolvido aos poucos). Sei lá. Não tem o que dizer. Minha mãe vai ficar bem, é o que posso pensar agora.