domingo, 8 de outubro de 2017

Da vida o melhor é o percurso

Nostalgia. Disso eu entendo, assunto conhecido, desde sempre vivido, sempre pela metade. Bate aquela saudade - não de nada específico - de momentos mais líricos, num tempo de nunca-mais. É infância lembrada, adolescência emburrada, sempre sempre travada, tava sempre na metade. Num tempo de vai-e-vem, o pra frente vem de encontro como furacão interminável, trazendo o novo e limpando a casa, o pra frente sempre vem. E, no olho da tempestade, percebe-se (será verdade?) o amor é tão confuso, deixa e traz, é difuso, ou isso é pura vaidade?
Do macro pro micro. Um tempo aonde a ingenuidade ao menos permitia caminhar, esperança pra lutar, antes de entender sobre impunidade e achar que podia mudar; disso tudo, um resgate: "é melhor fazer o bom em harmonia do que o ótimo em desarmonia". O momento pede em focar no que une, não no que separa, lição aprendida a duras penas, repare, nem eu mesma sei por quê. Essa ainda vou aprender, tá tudo bem nisso também.
Gosto de pagar pra ver, gosto do estrago. Pular do trampolim, queda bruta, cara no asfalto. Minhas maiores batalhas acontecem na mente, e de repente passa, o vento levou. Pessoas também, esse vento sempre me tira de lugar, e em cada abraço de despedida, saudade.
O amor é tão confuso, deixa e traz, é difuso, tá por tudo, tá por tudo, e se até no ódio está (eu presumo),
                      se ame também
você ainda está aqui
também tô



terça-feira, 26 de setembro de 2017

degradê

Sou filha da escrita, não tem jeito. Se não entendo, escrevo, mesmo sem saber o quê. Sem perguntas, as crio, apenas para não deixar essa chama morrer, curiosidade me aguça, ativa a mente. Sigo como um redemoinho saindo da testa, correndo pro alto, quebrando o asfalto, em frente, em frente! E foi-se, tão rápido quando chegou, lampejo de pensamento, onda quebrou. 
Tem aquela força conhecida, trovão, o choque das bolinhas de malabares, catarse, erupção. Turbilhão. Intuição?
O calafrio, o frio na espinha, sensação de estar vivo, captado e entendido, até quando o sopro se for pela última vez e outra realidade se abrir
, tão simples e complexa quanto essa, 
o que é mais real: a luz ou o reflexo?

vida de gato

ver a vida como gato
dormir, comer, ronronar
caixinha de areia pra desinchar
e de vez em quando comer uma libélula

pontinhos, três

sou gente de verdade
não nasci construida
e nem desconstruida
não sei fórmulas secretas
nem números de medidas
tô como gente
vim pra aprender
em acertos e erros
experiências
pagar pra ver

não nasci sabendo amar
o ódio também não veio comigo
mas já nasci contemplando o mar
e tendo o Sol como um amigo

passei por tapas e beijos
e por intermináveis mudanças
tô viva porque tô aqui
e ainda lembro de como dança

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Lembretes pra vida OU ego, esse danadinho

Nada como infladas de ego para nos tirar do caminho certo e levar pro errado. Certo e errado, por si só, já são expressões perigosas, mas sigo no texto para entender a ideia. Não é difícil (mas pode se tornar porque sou confusa).
Após a identificação do que se gosta ou desgosta, agimos, buscando aquilo que nos falta. No meu caso, escrevo, outros pintam, outros fotografam, outros gravam, outros cantam, enfim, mil possibilidades. Ao agir, não temos a experiência de saber o que agrada ou não o 'público', e é possivelmente nosso último momento de espontaneidade facilitada. Por não saber o que o público deseja, agradamos a nós mesmas, partimos apenas dos nossos próprios princípios.
Com a fama, os "muito bom!", os "continue assim", e os "esse é o caminho!", vamos nos fixando naquilo que agradou. Agradou quem? Agradou você ou agradou você pelo agrado alheio? Relutamos em sair da zona de conforto, por medo de perder seguidores/amores/aplausos. Passamos a trabalhar em prol daqueles que nos consomem. Passamos a esquecer até aquilo que gostamos, para adequar àquilo que nos traz fama. 
Aaah, a fama. Os doce 15 minutos que nos trazem alguma sensação de sermos amados, de estarmos no caminho certo (olhaí o "certo" de novo). Com o tempo, não precisamos nem mesmo refletir sobre o que produzimos e a influência do que produzimos, pois já temos os aplausos, e o que é melhor que os aplausos? 
O senso-comum não alimenta, mas dá um gostinho que engana.


terça-feira, 19 de setembro de 2017

De A à Z

Entre encontros e desencontros, me recomponho, lidando comigo e com o mundo - esse sempre tão confuso -, buscando sobreviver. Nesse mês, novamente a sina, convencer os que caminham junto a continuar aqui, vivos, amados, não seria a primeira vez que me buscam para lembrar que a vida vale a pena, não será a última vez também. Faz parte do meu caminho, recordar o esquecido, intensidade em estar vivo, ouvir desabafos, ser o desabafo-humano. Não me orgulho, função é função, não preciso de medalha se dou contribuição. Eu só quero ajudar, nem sempre sei como, as vezes só abraço, as vezes olho-no-olho "você importa, eu me importo, não sou muito, mas só sou". Não é muito mas é o que posso dar, já me disseram uma vez "o que te salva é o tamanho do seu amor", e é mesmo, porque nada mais tenho pra oferecer.
O inverno se vai, aos poucos, e a noite fica mais curta. Ainda bem, venha sol.

roda que gira esmagando o próximo

meritocracia espiritual
porque o problema é seu por pensar demais
hierarquia frequencial
porque minha vibração não pode se contaminar

a roda gira, gira
esmagando quem não se adaptar
espiritualidade elitista
apenas pra quem pode pagar

me expresso, confesso
agressiva por saber meu lugar
de ter que gritar pra ser ouvida
e não ter tempo pra paz buscar

se me julga por isso, me invisibiliza
e ignora todo meu pesar
de não ver um mundo perfeito
independente do quanto mentalizar

perco o ar e o chão
mas não esqueço o fato
espiritualidade não é estudo
é vivência, e lado a lado