A verdade pode até ser uma só (isso não é uma afirmação), mas são muitos os pontos de vista e, hoje e sempre, isso que define quem vai segurar a faca e o queijo.
A humanidade já passou por muitos momentos e já acreditou em muitas coisas, algumas dúvidas que pareciam superadas inclusive voltando à moda (alô terraplanismo), e eu cada vez mais penso que o que controla tudo é a narrativa, veja bem, um dia acreditamos que o rei era escolhido por Deus para ser rei, ou que mulheres eram propriedades de seus pais e maridos, ou em papos lixos de supremacia ariana, enfim, a lista de absurdos já defendidos pela humanidade e encarado como "opiniões comuns" é imensa, surpreendentemente até hoje, quando grande parte de nós já tem acesso à internet e, com ela, à maioria dos livros existentes no mundo.
Nós avançamos muito no decorrer da nossa história, ao menos em teoria, e mesmo assim estávamos muito longe do ideal, mas existia um futuro a ser vislumbrado, já entendíamos que as pessoas são diferentes entre si mas devem ter as mesmas oportunidades e que, se isso ainda não acontece, é algo a ser mudado e não elogiado.
A internet mesmo, essa linda faca de dois gumes, propiciou que muitas pessoas tivessem acesso a histórias e contextos de vida muito diferentes da própria bolha e, mesmo que nem toda a população tenha acesso, o crescimento da internet mudou a televisão, mudou o rádio, mudou o cotidiano brasileiro (provavelmente mundial) e, principalmente, jogou na roda debates que por muito tempo tentamos evitar, debates desconfortáveis, sim, mas necessários e atrasadíssimos.
Só que um fenômeno antigo também se apropriou das redes, a certeza da alienação. E então as teorias e opiniões começaram a ser mais importantes do que os fatos, novamente a narrativa, certa ou errada, se fazendo valer. Se por trás da ideia de progresso está a destruição do planeta, por que não focar apenas naquilo que queremos focar? Existe uma tendência crescente em ignorar verdade e mentira e trocar pelo "concordo" ou "não concordo". E por isso pessoas seguem defendendo suas opiniões bizarras, defendendo seus heróis mesmo que os mesmos entupam a comida da população com veneno e etc.
Se eu pudesse enfiar alguma ideia na cabeça do mundo todo seria essa: não existem heróis e não existem vilões. Mas existe a narrativa e, com ela, você consegue fazer as pessoas viverem em um estado de medo e alerta que torna fácil o controle. Nós só queremos ser dopados, ninguém aguenta mais receber a tonelada de informação diária, estamos sendo soterrados porque, assim, não reagimos, e é mais fácil lidar com isso quando tem um suposto herói para nos salvar de nós mesmos. Terceirizar o trabalho de ter uma sociedade justa, algo assim.
E aí a gente inventa um papo meritocrático, algo como "as pessoas são pobres porque não se esforçaram o suficiente", e fica fácil tirar o nosso da reta.
No último episódio de Brasil 2019, nosso vergonhoso presidente soltando uma daquelas cortinas de fumaça e defendendo trabalho infantil, mais uma narrativa que eu pensava estar consolidada, "lugar de criança é na escola", e pelo visto, não, tem muita gente, os famosos "cidadãos de bem", se prontificando em defender a narrativa de que criança pode e deve perder a infância trabalhando. Felizmente esse não é um projeto de verdade, como prometer empregos para crianças em um país onde parte gritante da população está desempregada? Ainda assim, é um absurdo que a fala tenha sido defendida, é desesperador ver pessoas que eu considerava boas e sensatas (já nem sei em quê me baseio) defendendo que o filho dos outros deixe de brincar e estudar para garantir a sobrevivência da família que, para começar, nem deveria estar passando dificuldade se vivêssemos em um mundo justo.
E a narrativa vigente é essa: se não está conosco está contra nós, é inimigo e deve ser combatido. É só observar a atual campanha para tirar o técnico da seleção, Tite, não pelo seu desempenho como técnico, mas por sua posição política que ele, pelo que entendi, nem levou ao campo. Eles defendem que isso aconteça mas acham um absurdo serem chamados de fascistas, mesmo isso deixará de ser um problema, com o tempo, o termo fascista perderá o significado e vai se tornar o mesmo que anti-comunista, porque segundo a narrativa o comunismo foi o que vivemos nos últimos tempos (o lucro dos bancos deve ter sido alucinação coletiva ou algo assim) e deve ser combativo porque o PT estragou o país e aquele papinho todo e etc.
São tempos sombrios e vem aí mais um ciclo de vários anos para resolver essa bagunça toda. Pena que a gente destrói o planeta cada dia mais e se bobear nem temos todo esse tempo. Vai depender da narrativa. No momento aquecimento global nem existe mesmo...
terça-feira, 9 de julho de 2019
terça-feira, 2 de julho de 2019
Espiritualidade é mais do que falar bonito
Me cansa um pouco essa tendência de alguns nichos entusiastas de um estudo espiritual, aquela mania de tentar se transformar em um "ser de luz", o que já me remete a pitadas de cristianismo (nada contra), porque a ideia de "ser de luz" seria alguém bondoso, com compaixão, que brilha, ilumina o ambiente. Nada mau, não é? Mas o que é isso senão a imagem construída de Jesus, um homem tão perfeito que não podia nem ter esposa? E nessa esquecem de coisas simples, como não julgar inferior alguém que não está na mesma busca, não criar uma hierarquia espiritual ("nós, que estamos mais evoluídos, temos que.........") ou, sei lá - não acendam as tochas ainda - amar os próprios defeitos? Se aceitar, como humanos? Talvez entender que uma vida comum (com esposa e tudo!) não torne ninguém menos ~evoluído?
Eu amo a sombra. Quando tem sombra de noite é porque a Lua tá cheia! Na sombra nos conectamos com nosso verdadeiro eu, o que gostamos e o que gostaríamos de esconder, na sombra está aquilo que é sutil, secreto, palpável, me lembra até uma frase muito bonita do meu irmão (Felipe Bello, autoria aqui haha): "De dia o trovão assusta, de noite ele ilumina". O que quero dizer nisso? Que tudo tem uma função, mesmo aquilo que não identificamos de começo, e isso também diz respeito aos nossos sentimentos, inclusive os que muitos tentam abafar por não considerarem "ser de luz". O medo é horrível, mas pode salvar minha vida. A raiva é perigosa, mas impulsiona. A tristeza é dolorida, mas também ensina. Não tem porque odiar essas nuances ou querer tirá-las de mim porque são sentimentos "negativos".
Outra coisa que eu noto muito por aí. Jogo runas, é um dos meus oráculos preferidos, me sinto muito integrada com meus guias quando sacudo as pedrinhas (feitas por mim) na sacola. Também jogo profissionalmente, num valor ínfimo (costumo cobrar vinte reais), e já fui criticada por isso mais de uma vez. Dizem que eu deveria cobrar mais para valorizar o produto porque, se eu for barateira, vão achar que não sei o que estou fazendo. Ora, vejam bem, não estou aqui para convencer ninguém, não preciso encarecer meu trabalho para buscar clientes porque eu não preciso de clientes, não é minha intenção e, se uma pessoa precisa pagar caro para valorizar o que eu faço, talvez não seja ela quem eu precise atingir. Nada contra que as pessoas cobrem o preço que quiserem nas coisas que fazem, isso é um direito de quem dispõe a mão de obra, mas não é isso que me trará credibilidade.
E aí eu paro e olho para os lados, o que me trará credibilidade no meio, se é que eu preciso disso? Então observo e reconheço alguns padrões dentre a maioria (sem generalizações aqui) das pessoas que falam nesses assuntos: o tom de voz sereno, as frases de superação, a insistência em olhar para o lado bom da vida (e só para ele ou estará atraindo pensamentos negativos). Gosto de pensar que as pessoas são assim porque estão confortáveis consigo mesmas, se sentem realmente serenas e prontas para o futuro, mas isso passa uma imagem de que pessoas que estão envolvidas no auto-conhecimento e espiritualidades em geral são bem-resolvidas, felizes para caramba e nada derruba elas, e isso é uma inverdade. Todos nós somos passíveis de encontrarmos a tristeza e, principalmente, a loucura. Estamos num mundo onde todo mundo flerta com a loucura constantemente, euzinha, numa escolha pessoal, prefiro abraçar minha loucura do que fingir que ela não existe (não que eu tenha muita escolha). Acho que isso é mais realista com o mundo em que vivo, onde não somos iguais, mesmo que cada um de nós tenha uma existência que merecia mais, nós não somos iguais e não é esse o problema, o problema é que, dependendo de quem somos, o mundo se relaciona diferente conosco, nós nunca podemos esquecer isso ou a nossa espiritualidade tá girando só em torno do nosso umbigo, e isso é prejudicial, passa para as pessoas ideias irreais
Tive minha época de tentar só ser feliz. Ter paciência, sempre buscar ajudar os outros, fazer de tudo para que gostem de mim e achava que isso era me lapidar espiritualmente. Quando a vida apertou, quebrei, lembrei que isso era uma farsa e, pior, tinha gente que contava comigo para manter a máscara no lugar. Essa é uma das minhas histórias de vida, não necessariamente é a de todo mundo que se encaixa no que eu falei, sei disso mas, curiosamente, também é essa máscara que muitos sentem falta para confiarem em mim com as runas. "Como posso jogar runas com ela se ela não é serena, com tom de voz complacente e aspecto bondoso?" Pois bem, não sou e não serei, assim como meus guias não são seres de luz e nem por isso são menos sábios e admiráveis. Sou cinza, bem cinzinha, não me acho pior e nem melhor do que ninguém, não ataco mas não dou a outra face, não sou cruel mas conheço meu lado monstro e, felizmente, sei que tenho muito, muito, muito a aprender. Espiritualmente? Demais, mas, principalmente, sobre o mundo físico e sua sociedade desigual. Com tanta injustiça nesse mundo, melhor deixar minha parte "serena" para o pós-morte.
O que eu quero com tudo isso é lembrar de que muito mais importante do que "manter os pensamentos positivos para, enfim, encontrar o sucesso" é lembrar que o sucesso é muito mais fácil para uns do que para outros, de acordo com classe social, etnia, gênero, sexualidade etc, lembrar que mais importante do que conseguir um sucesso (geralmente atrelado com dinheiro) é fazer algo de bom com isso, algo que facilite o caminho para os que vierem depois, é usar o sucesso para diminuir um pouco as injustiças do mundo, sabendo que nós também não somos super-heróis, não dá para, individualmente, vencer um sistema estrutural, mas dá para não ignorá-lo, não fingir que inexiste porque "eu só lido com o astral".
No âmbito pessoal cada um lida com o que quiser, não tô aqui para decidir por ninguém, só que se você se coloca em uma posição de "autoridade espiritual" (francamente, isso é ridículo), é contraditório que não fale de direitos humanos, de direito à moradia, alimentação saudável, dignidade de vida, isso não é política, isso é espiritualidade! É reconhecer que toda pessoa no planeta deveria ter o básico para uma vida digna, é reconhecer que isso não acontece. Podemos falar disso com o olhar sereno e o tom de voz complacente, se vocês preferem, mas que não deixe de ser falado, que essas questões não percam sua importância para dar lugar ao "sua vida está ruim porque você não está mentalizando direito". Aproveitem essa credibilidade aí, meu povo!
Eu amo a sombra. Quando tem sombra de noite é porque a Lua tá cheia! Na sombra nos conectamos com nosso verdadeiro eu, o que gostamos e o que gostaríamos de esconder, na sombra está aquilo que é sutil, secreto, palpável, me lembra até uma frase muito bonita do meu irmão (Felipe Bello, autoria aqui haha): "De dia o trovão assusta, de noite ele ilumina". O que quero dizer nisso? Que tudo tem uma função, mesmo aquilo que não identificamos de começo, e isso também diz respeito aos nossos sentimentos, inclusive os que muitos tentam abafar por não considerarem "ser de luz". O medo é horrível, mas pode salvar minha vida. A raiva é perigosa, mas impulsiona. A tristeza é dolorida, mas também ensina. Não tem porque odiar essas nuances ou querer tirá-las de mim porque são sentimentos "negativos".
Outra coisa que eu noto muito por aí. Jogo runas, é um dos meus oráculos preferidos, me sinto muito integrada com meus guias quando sacudo as pedrinhas (feitas por mim) na sacola. Também jogo profissionalmente, num valor ínfimo (costumo cobrar vinte reais), e já fui criticada por isso mais de uma vez. Dizem que eu deveria cobrar mais para valorizar o produto porque, se eu for barateira, vão achar que não sei o que estou fazendo. Ora, vejam bem, não estou aqui para convencer ninguém, não preciso encarecer meu trabalho para buscar clientes porque eu não preciso de clientes, não é minha intenção e, se uma pessoa precisa pagar caro para valorizar o que eu faço, talvez não seja ela quem eu precise atingir. Nada contra que as pessoas cobrem o preço que quiserem nas coisas que fazem, isso é um direito de quem dispõe a mão de obra, mas não é isso que me trará credibilidade.
E aí eu paro e olho para os lados, o que me trará credibilidade no meio, se é que eu preciso disso? Então observo e reconheço alguns padrões dentre a maioria (sem generalizações aqui) das pessoas que falam nesses assuntos: o tom de voz sereno, as frases de superação, a insistência em olhar para o lado bom da vida (e só para ele ou estará atraindo pensamentos negativos). Gosto de pensar que as pessoas são assim porque estão confortáveis consigo mesmas, se sentem realmente serenas e prontas para o futuro, mas isso passa uma imagem de que pessoas que estão envolvidas no auto-conhecimento e espiritualidades em geral são bem-resolvidas, felizes para caramba e nada derruba elas, e isso é uma inverdade. Todos nós somos passíveis de encontrarmos a tristeza e, principalmente, a loucura. Estamos num mundo onde todo mundo flerta com a loucura constantemente, euzinha, numa escolha pessoal, prefiro abraçar minha loucura do que fingir que ela não existe (não que eu tenha muita escolha). Acho que isso é mais realista com o mundo em que vivo, onde não somos iguais, mesmo que cada um de nós tenha uma existência que merecia mais, nós não somos iguais e não é esse o problema, o problema é que, dependendo de quem somos, o mundo se relaciona diferente conosco, nós nunca podemos esquecer isso ou a nossa espiritualidade tá girando só em torno do nosso umbigo, e isso é prejudicial, passa para as pessoas ideias irreais
Tive minha época de tentar só ser feliz. Ter paciência, sempre buscar ajudar os outros, fazer de tudo para que gostem de mim e achava que isso era me lapidar espiritualmente. Quando a vida apertou, quebrei, lembrei que isso era uma farsa e, pior, tinha gente que contava comigo para manter a máscara no lugar. Essa é uma das minhas histórias de vida, não necessariamente é a de todo mundo que se encaixa no que eu falei, sei disso mas, curiosamente, também é essa máscara que muitos sentem falta para confiarem em mim com as runas. "Como posso jogar runas com ela se ela não é serena, com tom de voz complacente e aspecto bondoso?" Pois bem, não sou e não serei, assim como meus guias não são seres de luz e nem por isso são menos sábios e admiráveis. Sou cinza, bem cinzinha, não me acho pior e nem melhor do que ninguém, não ataco mas não dou a outra face, não sou cruel mas conheço meu lado monstro e, felizmente, sei que tenho muito, muito, muito a aprender. Espiritualmente? Demais, mas, principalmente, sobre o mundo físico e sua sociedade desigual. Com tanta injustiça nesse mundo, melhor deixar minha parte "serena" para o pós-morte.
O que eu quero com tudo isso é lembrar de que muito mais importante do que "manter os pensamentos positivos para, enfim, encontrar o sucesso" é lembrar que o sucesso é muito mais fácil para uns do que para outros, de acordo com classe social, etnia, gênero, sexualidade etc, lembrar que mais importante do que conseguir um sucesso (geralmente atrelado com dinheiro) é fazer algo de bom com isso, algo que facilite o caminho para os que vierem depois, é usar o sucesso para diminuir um pouco as injustiças do mundo, sabendo que nós também não somos super-heróis, não dá para, individualmente, vencer um sistema estrutural, mas dá para não ignorá-lo, não fingir que inexiste porque "eu só lido com o astral".
No âmbito pessoal cada um lida com o que quiser, não tô aqui para decidir por ninguém, só que se você se coloca em uma posição de "autoridade espiritual" (francamente, isso é ridículo), é contraditório que não fale de direitos humanos, de direito à moradia, alimentação saudável, dignidade de vida, isso não é política, isso é espiritualidade! É reconhecer que toda pessoa no planeta deveria ter o básico para uma vida digna, é reconhecer que isso não acontece. Podemos falar disso com o olhar sereno e o tom de voz complacente, se vocês preferem, mas que não deixe de ser falado, que essas questões não percam sua importância para dar lugar ao "sua vida está ruim porque você não está mentalizando direito". Aproveitem essa credibilidade aí, meu povo!
sexta-feira, 28 de junho de 2019
Pensamentos e reflexões SERÍSSIMOS do mês de junho
- Deus criou a humanidade para fazer memes e a gente não devia fazer nada além disso!
- Nem todo mundo que age de forma diferente de como agiríamos é "tóxico", mas se afastar continua válido.
- Borboleta é um bicho muito esquisito. Come, come, come, come, come, aí fica cheio, dorme, dorme, aí VIRA DO AVESSO, agora pode voar, aí trepa e morre.
- Não deve dar tempo de borboletas criarem memes, elas são muito ocupadas.
- Não é porque a gente tem uma opinião que a gente tem que DAR ela.
- E nem é preciso ter opinião sobre tudo (está tudo bem, prometo)
- Nem todo mundo que age de forma diferente de como agiríamos é "tóxico", mas se afastar continua válido.
- Borboleta é um bicho muito esquisito. Come, come, come, come, come, aí fica cheio, dorme, dorme, aí VIRA DO AVESSO, agora pode voar, aí trepa e morre.
- Não deve dar tempo de borboletas criarem memes, elas são muito ocupadas.
- Não é porque a gente tem uma opinião que a gente tem que DAR ela.
- E nem é preciso ter opinião sobre tudo (está tudo bem, prometo)
domingo, 23 de junho de 2019
yule é intro
Tô meio cansada de gente, isso é mais problema meu do que dos outros, lógico, mas não posso ignorar que exista. Eu gosto de pessoas, gosto das inúmeras possibilidades, só que tenho preguiça dessa fase que a gente vive, "eu tenho uma opinião e o mundo PRECISA saber", é chato de verdade conhecer a opinião de todo mundo, vocês já viram o tipo de barbaridades que a humanidade pensa? Tem gente pra tudo e isso me cansa. Não é que eu queira que as pessoas sumam ou só concordem comigo, eu só queria um sossego (ilusório), uma placa que dissesse "mente cansada demais para fingir que se importa" ou simplesmente um pouco de respeito ao meu silêncio, as pessoas hoje obrigam as outras a se posicionar (me boto nisso, mas não quero mais ser assim). Não importa ter noção da nossa ignorância, agora temos que fingir que sabemos e convencer outros que também fingem que sabem, todo mundo tão certo de suas verdades, ai, que preguiiiça que me dá.
Me sinto cobrada infinitamente, de todos os lados, por todo mundo, uns por amor, outros por controle, "eu respeito você desde que faça o que eu quero", alguns nem escondem a falta de respeito, lidam bem com ela também, eu acho isso um saco. Eu sou como eu sou e como quero ser, me engulam ou saiam fora.
segunda-feira, 17 de junho de 2019
Mágoas
Gostava de você, confiava, peito aberto como sempre fui, mas um dia acordei e, com um estalo ou dois, notei. Notei que minha felicidade era um problema, notei que me apontava uma vida que, julgava você, era minha, mas era? Foram dois anos de contato e me moldou a partir de sua observação, direito seu, mas era eu? Você define quem sou? Como devo agir? Um dia acordei e percebi que esperava minha falha, o monstro que acreditava que eu escondia, o pior? Acreditei.
Você não tem culpa da minha ansiedade, isso é óbvio, mas foi gatilho e não ajuda, foi o dedo apontado e não a mão oferecida, tudo por quê? Porque esperava de mim a pessoa que criou em sua cabeça, mas eu era?
Eu não te odeio. Não desejo seu mal, nunca desejei, quero que seja feliz, conheço minimamente seu contexto, sei que sofreu e passou coisas que não deveria ter passado, até tentei te ajudar no limite que conseguia, mas não era minha obrigação, entende? Eu faria de novo, porque sou assim, mas nunca para te provar nada, nunca para te mostrar que estava errada sobre mim. Eu não preciso me provar, eu me conheço, saca? Me perdi mas nunca me esqueci e por isso sofri tanto, tentei caber em sua expectativa , para quê? Sou tão completa, por que fiz isso? Me magoou que tenha deixado e me magoou mais ainda quando se ofendeu por ter me levado mais a sério do que te levo. Só que esse foi o meu maior acerto.
Me afastei, cortei relação, sofri muito por isso, me achei tão injusta, tão tão injusta! Só que tão leve... Como estaria errada em fazer algo que me fez tão bem?
Por muitas vezes quis te dizer tintin por tintin das minhas mágoas, algumas até tentei, mas não senti abertura, continuei sentindo o julgamento e, pior, descobri que falava de mim para terceiros, não sobre quem eu sou, sobre quem julgava que eu era, pautada em uma vida que não conheceu e não acompanhou. Comemorei suas vitórias e sofri suas derrotas, mas minha felicidade te incomodou e você nem percebeu, mas eu sim.
Por que não falou dos meus supostos erros comigo, se sua intenção era boa, se eu dava abertura? Por que me diz que era pro meu bem e não me deu o direito de saber? Quando os outros se afastaram de mim porque minha ~energia estava pesada~ você os defendeu, quando eu me afastei você me criticou, isso me magoou também.
Dois anos passaram e eu sigo com medo de fazer amigos, não é culpa sua mas ajudou a criar o medo, eu achava que era minha amiga, mas você só era no meu "sim", quando o "não" veio eu me tornei um monstro e, de repente, você tinha inúmeras críticas para me fazer.
Você não tem culpa da minha ansiedade, isso é óbvio, mas foi gatilho e não ajuda, foi o dedo apontado e não a mão oferecida, tudo por quê? Porque esperava de mim a pessoa que criou em sua cabeça, mas eu era?
Eu não te odeio. Não desejo seu mal, nunca desejei, quero que seja feliz, conheço minimamente seu contexto, sei que sofreu e passou coisas que não deveria ter passado, até tentei te ajudar no limite que conseguia, mas não era minha obrigação, entende? Eu faria de novo, porque sou assim, mas nunca para te provar nada, nunca para te mostrar que estava errada sobre mim. Eu não preciso me provar, eu me conheço, saca? Me perdi mas nunca me esqueci e por isso sofri tanto, tentei caber em sua expectativa , para quê? Sou tão completa, por que fiz isso? Me magoou que tenha deixado e me magoou mais ainda quando se ofendeu por ter me levado mais a sério do que te levo. Só que esse foi o meu maior acerto.
Me afastei, cortei relação, sofri muito por isso, me achei tão injusta, tão tão injusta! Só que tão leve... Como estaria errada em fazer algo que me fez tão bem?
Por muitas vezes quis te dizer tintin por tintin das minhas mágoas, algumas até tentei, mas não senti abertura, continuei sentindo o julgamento e, pior, descobri que falava de mim para terceiros, não sobre quem eu sou, sobre quem julgava que eu era, pautada em uma vida que não conheceu e não acompanhou. Comemorei suas vitórias e sofri suas derrotas, mas minha felicidade te incomodou e você nem percebeu, mas eu sim.
Por que não falou dos meus supostos erros comigo, se sua intenção era boa, se eu dava abertura? Por que me diz que era pro meu bem e não me deu o direito de saber? Quando os outros se afastaram de mim porque minha ~energia estava pesada~ você os defendeu, quando eu me afastei você me criticou, isso me magoou também.
Dois anos passaram e eu sigo com medo de fazer amigos, não é culpa sua mas ajudou a criar o medo, eu achava que era minha amiga, mas você só era no meu "sim", quando o "não" veio eu me tornei um monstro e, de repente, você tinha inúmeras críticas para me fazer.
Te desejo o bem, embora não queira proximidade ainda, talvez nunca. O mundo é grande e sei que nós vamos ter vidas legais com pessoas legais em volta, é o que eu busco para você e para mim. Mas eu deixei de me importar com o que pensa sobre mim e aprendi que nunca deveria ter me importado, você nunca me conheceu, mostrou isso várias vezes, não é nenhum pecado, só um fato, será iludida se achar que sabe quem sou. Não vou pedir desculpa por isso, pedi por inúmeras coisas, por isso não, você não sabe nada de mim.
segunda-feira, 3 de junho de 2019
nem as palavras demonstram o quão PUTA eu tô
Aldair tinha família, tinha conta pra pagar, Aldair tentou de várias formas, aproveitou os benefícios, se esforçou, mas o boicote sempre chega, implacável, o momento do tapete puxado e o riso cínico, "o mundo tá cheio de oportunidades, se esforce mais", aí se esforçou, conseguiu entrar na faculdade, outra cidade, não vou entrar nos detalhes, Aldair ralou, ralou como via poucos ralando ali. Mas o boicote sempre chega, implacável. Perdeu a bolsa, perdeu a vaga, sem ônibus, sem comida, que escolha tinha? "O mundo tá cheio de oportunidades, se esforce mais". Lembrou da fórmula antiga, como uma velha conhecida, não era fácil mas funcionava, era uma oportunidade, se manteve na faculdade o quanto deu, quando não deu voltou a vender comida, voltou pra antiga cidade, precisou reconstruir, redescobrir, o negócio não ia bem, sempre acontecia algum problema, as vezes o clima, as vezes falta de sorte, as vezes o velho boicote em forma de estrutura ou estado, as contas chegaram, aluguel tá batendo, não sei o que tá acontecendo mas sei como me livrar. Aldair apelou, é verdade, que o julgue os covardes, um cara sem uma arma, disposto, com boa-vontade, sem tendência agressiva e muito pouca oportunidade. Vendeu? Se sim, foi para concluir a faculdade, queria ser doutor, mas doutor humanizado, tinha um sonho bem bonito, mas o boicote sempre vem, dessa vez em forma de giroflex, senhores da verdade, cara estampada da mídia e até sua versão da história, ridicularizada. Aldair têm aos montes com motivos variados, hoje a desculpa foi a planta, mas costuma se tratar de vontade estrutural, "o mundo tá cheio de oportunidades, só não tá dividido igual".
domingo, 2 de junho de 2019
Da série textos confusos que no fim reclamam do capitalismo
Tenho medo da tendência, vou usar a Netflix como exemplo, estudam os dados para apresentar exatamente o que o público que receber (pelo qual ele paga), olha, não é querer dizer que empresas não devem buscar agradar seu público, mas, sei lá, mídia é comunicação e a gente não pode ouvir (no caso assistir) só aquilo dentro das nossas vontades.
Eu não sei se esse pensamento faz sentido, tô conversando comigo para tentar entender, mas explico trazendo para mim, o grande objetivo da minha vida é publicar o livro que eu gostaria de ter lido e por isso eu me mato, reescrevo, reviso, mudo, reflito, eu não faço ele para os outros, eu faço para mim, mas sei que mais alguém vai gostar, enfim, a questão é que se eu tivesse tido acesso a um serviço onde eu decida exatamente a história que eu quero ver, para quê eu criaria? Como eu sairia da minha bolha? Como uma ideia realmente diferente, daquelas que a princípio deixa na defensiva, dá chance para se explicar? E aí vou pro macro e percebo que não se trata da Netflix, se trata de tudo, propagandas todo momento, baseadas nos dados do que tem chance de nos agradar, somos facilmente influenciáveis e como julgar quem usa do artifício? Tá todo mundo buscando sobreviver e, para alguns, o sistema capitalista é realmente a melhor opção. Isso porque não conhecemos nada diferente disso, lógico, ninguém nem permite que se pense, você fala "o capitalismo está destruindo o mundo, isso é um problema" e a pessoa entende "vamos viver em um mundo sem normas e caótico nunca mais usar plástico andar pelado parar de ter conforto etc", isso quando não chama de comunista sem nem conhecer o comunismo, quantos conhecem, afinal? Eu mesma que não, por isso não me rotulo, o que não tira a verdade da fala: o capitalismo está destruindo o mundo, isso é um problema.
Me mostre um país, unzinho, daqueles que vocês falam "o capitalismo funciona lá", me mostre um que não explore ou tenha explorado outro país. Argumente que isso é normal e faz parte da evolução, agirmos como macho-alfa urinando em território e criando fronteiras imaginárias. Me diga que é válido expulsar os nativos, derrubar toda a mata, comprometer NOSSA ÁGUA, em nome de progresso. Envenenar comida. O passado é imutável mas o futuro não precisava ser, não estou pedindo para ninguém rasgar dinheiro e jogar fora o Iphone, só custava a gente ao menos admitir que o negócio tá feio? Parar de agir como se questionar isso fosse coisa de maluco viciado em teoria da conspiração? Velho, tá todo mundo doente, do corpo e da cabeça, olhe pro lado, tá todo mundo prestes a surtar, fingir que tá tudo bem é o verdadeiro sinal de loucura. O que vai vir depois disso?
Frações de um pensamento gigante, fluxo, onda, me debato, busco a superfície, lanço um texto ao mar mas ninguém o entende.
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