terça-feira, 28 de maio de 2019

Esqueci de lembrar de pensar que todo penso é torto

Quero falar, quero expressar, mas cansei de jogar palavras ao léu, direciono, aqui falo para mim, certa ou errada, isso é minha conversa com o eu-futuro, não cabe a mais ninguém pois quem pagará o pato sou eu. Aqui é o espaço para teorias não-validadas, reflexões inexatas, um mundo particular. Peça licença.
Me policio para não falar besteira e, francamente, já li meus dez anos de blog, quantas besteiras não falei? Precisei falar, o silenciamento nunca é caminho, como desvalidar honestamente um pensamento se eu nem me permito tê-lo? Sou esforçada, tendo tirar o mundo do meu umbigo, mas não posso ignorar que é a minha perspectiva que está aqui em jogo, e ignorância é meu segundo nome, nenhum orgulho nisso, apenas fatos. São muitas vidas para mudar um fato que talvez nunca possa ser mudado, eu sou uma ignorante. Conheci a história pelos olhos dos livros, reconheci a história pelos olhos dos relatos, da vivência, ainda assim é pouco, eu cansei de sentir dor por esse fato, cresci achando que eu seria essencial para a evolução humana e descobri tarde que isso é uma grande besteira, digo, quem sou eu? Lógico que tenho uma influencia e um alcance, tenho voz entre aqueles que me amam, com eles falo, debato, discordo, mas meu alcance é limitado, maior do que de muita gente, mas limitado. Por isso o individual é importante, mas não funciona sozinho, somos coletivo. Coletivo em um mundo que ensina a competição, está errado desde o começo.
Eu não estou aqui para ensinar nada para ninguém. Mas eu vou me expressar, vou dizer o que eu penso e vou me reconhecer a cada dia, doa a quem doer, eu vou ser eu, irmãzinhas e irmãozinhos, espero que isso, um dia, seja capaz de causar algum estrago. Dos bons.

sábado, 25 de maio de 2019

estradas

De certa forma, eu não ligo para o que as pessoas pensam. Não ligo se concordam com minhas decisões ou reprovam minhas atitudes, digo, estou sempre ao lado da auto-crítica e ela, como o nome já diz, deve vir de mim, então relevo. Relevo os olhares decepcionados e suspiros de desagrado, relevo a falta de confiança alheia e a certeza externa de que eu já deveria estar além, mas eu tô, além do que se vê.

Júpiter, mané

Abri os olhos com navalha, às vezes é preciso, doeu mas foi bom. Menosprezei questões, me conformei, lógico que estava infeliz, dormia e dormia mal. Mas acho que agora encontrei, o futuro vai dizer, mas me sinto até animada, positivamente ansiosa, espero que as coisas deem certo. Tô há tempos tentando encontrar um caminho, conciliação, acho que, depois de muito cultivar, alguma força começa a brotar, é coragem o que tô sentindo?

quinta-feira, 23 de maio de 2019

O dia do fim

Escrevo, como sempre, porque me liberta.
Eu sabia, porque as runas me dizem, e também me disseram lá atrás, as vezes prefiro ignorar, tapas na cara doem, mas da última eu já sabia, aquilo que evitei a dois anos atrás não seria evitável para sempre.
Que bom que não o é. Eu estou morrendo de medo, zero perspectivas com o futuro, mas que bom. Melhor uma verdade dolorida do que uma ilusão confortável.
Só que eu já tô tão cansada do mundo, tão destruída, que perdi uma das poucas coisas que me trazia alguma felicidade e conforto, mas isso é culpa minha, não posso colocar minha felicidade em alguém, essa lição eu já tive muita chance para aprender, as pessoas vão emboras e, mesmo junta, eu estou só. 
Eu quero que as pessoas sejam felizes, se não é do meu lado é melhor mesmo que se vá, eu só não tinha certeza que esse momento sempre chegava, não sei, talvez por meus pais estarem juntos até hoje?
Acho que o que mais dói é não saber o que vai ser do futuro, eu estava caminhando em relação à minha fobia social, e era muito ajudada nisso, agora sinto que estou sendo chutada de volta para o mundo, para o mercado de trabalho, para longe da minha ideia de vida isolada num campo (que era o que eu estava atrás). Eu sei que muitas possibilidades se abrem também, eu poderia dar uma viajada com meus cachorros, por exemplo, algo que sempre quis fazer (caronar sozinha), mas não acho que eu esteja pronta, não ainda. E, também, sinto que eu faria isso e não construiria nada, eu tenho certas obsessões com "construir", meu futuro já é largado o suficiente para eu adiar mais ainda uma independência financeira mais estável, e eu gostaria de construí-la à partir dos meus desenhos e dos meus textos, o que por si só já não é coisa fácil nesse Brasilzão.  
Eu estou triste, eu tô com medo, tô me sentindo abandonada, mas eu escolhi esse ano que eu não daria brecha pra voz nenhuma falando merda na minha cabeça, então eu tô evitando ao máximo qualquer pensamento destrutivo e focando no que eu sou e no que eu não sou.
Entendo que eu vou sofrer, mas entendo também que não vou perder meu tempo sofrendo absurdamente, espero de verdade ter passado da fase de ficar implorando migalha de amor, então vou respeitar as decisões tomadas e seguir a minha vida.  Como? Sei lá, acho que vou começar aceitando o generosíssimo oferecimento da minha amada mãe e ir passar umas duas semanas em Curitiba, vou tentar conciliar com a ida do Rô pra lá também que tô numa saudade danada dele, vou ver meus amigos, vou abraçar meu irmão e agradecer por ele ser uma das coisas mais fixas da minha vida, vou abraçar minha família e agradecer por eles, vou dar um beijão da testa do Kinhus e do resto da galera tudo, vou encher a minha cara em uma noite, vomitar uns quatro anos e fazer o que eu sempre faço (quando a vida obriga, risos nervosos), que é me movimentar.

quarta-feira, 22 de maio de 2019

Um bilhete de amor

Aiai, o que seria de mim sem eu mesma, não é? Sempre ali, me segurando quando eu caio, sabendo bem que, se não eu, quem? :')

gotas

Chega de perguntas, para mim deu, sem esperar nada da vida posso começar a ser eu, tô cansada, cansada de improvisar, pagar pra viver, enriquecer terceiros, esse mundo me cansa, o mundo não tá aqui para me servir, fato, eu tô aqui para servir o mundo inteiro? Fui vitoriosa, garanti chegar até aqui sem filhos, pura sorte no útero do estado mas sempre foi meu objetivo, era minha maior preocupação, como levar a vida que eu quero levar com alguém dependendo de alguma boa decisão? Tive medo, ainda tenho, meu maior obstáculo, mas tamo aí, sigo viva, pronta pro próximo ato, seja qual for, não espero nada bom, sem diploma, sem emprego e, por isso, não peço perdão, digo, eu sei o quanto tentei e quase fico louco mas, pelo visto, o suficiente foi por pouco, por mim tudo bem, o foda é o peso terceiro, eu não me importo com o futuro desde que eu viva primeiro, não me importo com aquilo que possa me acontecer porque o meu grande medo é morrer sem viver, esperar um mundo justo, esperar algum respeito, não dá mais, eu cansei, vou caminhar de qualquer jeito, vou passar qualquer barreira, mesmo que eu mesma a ponha, eu tô viva mas vivendo só à base de _______. Não aguento mais pensar, buscar um futuro seguro, como se fosse escolha minha sendo que vim com um útero mas, ó, não se trata só disso, não é útero que define, é a certeza de que pra viver preciso de permissão de quem não vive, das máquinas velhas brancas psicopatas do poder, aquelas que odeiam liberdade e o que ela pode trazer, existe todo um boicote, eu sozinha não sou forte, mas eu nunca tô sozinha mesmo só até a morte, então sigo, recolho todos meus amigos, levo no peito a saudade e a certeza de que consigo, sigo em frente, só isso que eu sei fazer, não consigo pensar no futuro se o presente não me deixar SER, eu poderia mudar, seria até recomendado, ficar sempre caladinha e arranjar algum trabalho, fazer parte da estrutura, ser útil pro meu país que diz que só com dinheiro no bolso tenho capacidade de ser feliz mas, e o que eu quero mas, e o que eu busco, poder andar por aí sem morrer só por um susto, por ser uma ameaça, por viver como eu desejo, poder estar na natureza sem nenhum humano perto e se tiver tudo bem, que esse tenha oportunidade de poder viver uma vida com alguma dignidade, acho que só isso que queremos, para quem sente isso importa, não me interessa ser feliz se só pra mim abre essa porta, tentação fechar os olhos, obrigada, mas não, só sou feliz se um mundo inteiro estiver nessa condição. Diria que se trata disso, poder ver por mim, sentir por mim, viver por mim, podem falar que meu problema é só não querer trabalhar mas a verdade é que eu não aguento ter que, pra viver, pagar, nunca assinei esse contrato e já aprendi que não deveria ser assim, é capitalismo, cru e nu, não é o pai dos problemas mas se aproveita deles no fim e faz lucro, lucro na riqueza e na pobreza, na saúde e na doença, casamento com padre mas sem um "sim", só a sentença, abusivo, não me deixa pôr um fim e eu, coitada, não sou nada, nada perto da estrutura, seria como comparar um elefante com uma pulga, mas ok, também sei do meu valor, sei que consigo causar um estrago se não me apegar em não me expôr, se tiver uma vida honesta no sentido de sentir, não abaixar a cabeça praquilo que já não me convir, buscar minha felicidade também é ato de fé, se eu tiver feliz consigo escrachar alguns manés, tô cansada de ter medo, viver só para não morrer, se a morte vem de qualquer forma nem sempre é privilégio envelhecer mas bem que eu queria, mesmo que sem dignidade, se enquanto estiver viva enfim deixar de ser covarde. Pago o preço, seja ele qual for, viver na sarjeta ou viver sem amor, que seja, se for para me movimentar, não sou moinho de vento pra rodar sempre no mesmo lugar.

terça-feira, 21 de maio de 2019

Suba

O futuro é incerto, cheio de palavras não-ditas, casca de feridas e roupa pra lavar.
O futuro é sem-jeito, sem amor ou respeito, a sombra de algo que foi.
Demorar para quê? Se uma hora acontece o caminho inevitável de cada um para cada estrada e eu sem saber pra onde ir. Já me sinto acostumada, depois que cresce me põe de lado, "obrigado pela jornada, mas não vejo utilidade mais", e se vai, como quem nunca esteve, não de verdade, de novo e de novo.
Peco sempre no mesmo ponto, o de achar que é encontro, de almas, de gostos, sensibilidade, mas vai tarde, meus sonhos ficam de escanteio enquanto busca seu futuro e eu espero, espero a migalha, espero a chance, espero a casa se limpar sozinha, nunca acontece.
Não é que o finito não valha de nada, não se trata disso, mas existe todo um abismo entre aquilo que valeu e o tempo que perdi.