quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

Coisas que fiz esse ano e devo me orgulhar

* Sigo escrevendo meu livro, sem desistir dele, sentando minha bundinha murcha para escrever com mais disciplina do que nos últimos 13 anos (uma hora saporra sái)

* Fiz algumas tirinhas novas do Da Igreja Ao Cortiço, não muitas, mas fiz.

* Fiz muitos imãs de geladeira e agora tenho 80 imãs diferentes.

* Pintei vários quadrinhos e eles virarão presentes de natal, o que vai surpreender todo mundo que nunca espera um presente de natal meu porque eu 1) no geral não curto natal 2) nunca dou nada porque eu sou uma falida. Fica aí a intenção misturada com surpresa agradável (a não ser que eles não gostem dos quadrinhos mas enfim)

* Depois de mileanos tive a chance de começar a fazer terapia, não resolve tudo mas ajuda um tanto. Tô cuidando da minha saúde, fazendo exames de rotina e tentando me alimentar melhor (ainda falho mas tô muito muito muito melhor do que no ano passado).

* Fiz um curso de escrita criativa que me ajudou muito, também fiz cursos para tentar aprender sobre freelancer de produção de conteúdo e me candidatar a uma vaga. Eu não passei, mas tô de boa com isso.

* Escrevi vários contos esse ano e finalmente comecei a expôr meus escritos de forma mais organizada, lá no Wattpad.

* Voltei a treinar karatê, mesmo que meio auto-didata por vídeo de youtube, e entrar em alguma academia de karatê é um dos planos pro próximo ano. Fiz quando criança e não percebia a falta que eu sentia de praticar.

* Aprendi a cantar a música Again, do Fullmetal Alchemist: Brotherhood, em uma semana, e fiquei muito feliz de saber que sou capaz de aprender a cantar uma música em japonês em uma semana se eu me dedicar a isso (tenho um forte dom para conhecimentos meio inúteis).

* Voltei a tocar didgeridoo, coitados dos meus vizinhos, porque eu toco mal.

* Fiz alguns rituais esse ano, menos do que eu gostaria, mas mais do que ano passado.

* Comecei a tentar aprender forró kkkksdjksjd socorro eu sou mto ruim (mas agora um pouco melhor)

* Consegui falar mais "não" para as coisas que não queria ou não concordava.

* Tô numa luta intensa para tentar ajeitar minha postura.

* Voltei a fazer listas bobas no meu blog.

Desplexo solar

Peguei a receita há uma semana, ainda não comprei o remédio, não sei se vou comprar, me irrita pensar que preciso de algo da indústria farmacêutica para conseguir ter alguma qualidade no meu dia a dia, tenho medo dos efeitos colaterais, tenho medo do vício, mas meu maior medo é não conseguir controlar meu próprio cérebro sem ajuda de algo externo. É lógico e é válido, mas me irrita, acho que sou arrogante demais pra admitir que não posso seguir sem conseguir sair de casa, mesmo que uma parte minha ame não sair de casa, não ter que ver pessoas, tudo tem me irritado demais.
Mas eu vou tomar. Sei que, passado o choque inicial, vou arriscar esse negocinho que promete modificar minha estrutura cerebral de forma a diminuir minha sensação de que eu sou um esquilo rodeado por, sei lá, qualquer coisa que coma esquilos. Pior é saber que não sou. Pior é saber que eu, com medo idade, não tinha medo de nada. Tudo bem, agora eu tenho. Talvez agora eu só saiba o quanto tenho a perder, talvez agora eu saiba que eu caio e que a queda dói. Mas é um saco.
O problema da ignorância é que ela é confortável e quem aqui não gosta de conforto? Mas eu sempre preferi verdades duras do que respostas fáceis, embora também seja verdade que eu não fazia ideia de quão duro o mundo é, mais pra uns do que pra outros, mas creio que viver não deve ser muito fácil pra ninguém, pelo menos é o que minha amiga Maria Raquel fala, que todo mundo é meio surtado mas alguns disfarçam bem. Será? Não sei, mas sigo pensando.
Espero um dia voltar a ter prazer em sair de casa, em encontrar com pessoas, toda vez que penso nisso a palavra que ronda minha mente é "cansaço", espero que seja como exercício, quanto mais você faz mais fácil fica, mas todas as vezes que tentei eu só consegui me foder mais e mais, valeu, planeta.
Mas eu não sou um esquilo. Eu me sinto um no momento, mas eu não sou, eu já vivi situações que me provaram o contrário, por que agora eu me sinto assim? As vezes penso que é o peso de saber o que tá do lado de lá, mas não quero tomar como verdade nada que diga que eu tenho que permanecer assim. Eu não sou assim.
Todo o amor do mundo para quem luta com a própria mente, com os próprios hormônios, com o próprio corpo, com os próprios boicotes. Não é fácil. Da minha parte, tento julgar cada vez menos as pessoas (nem sempre consigo), sabendo que isso não é muito mas, por enquanto, é o que eu consigo. Ainda estamos aqui.

quarta-feira, 13 de novembro de 2019

um dia bom

Antes, o medo, como de praxe. Medo de acreditar e no final quebrar a cara mas, sei lá, estamos aí para o que tiver que acontecer. O fato é, me sinto melhor. Aos pouquinhos, de passito, sem arrogância, nem todo dia é uma vitória e, às vezes, a derrota é bem dolorosa. Só que tem sido menos constante e, por isso, agradeço.
Não é que eu já esteja pronta, longe disso, ainda tenho bastante coisa para lidar, mas agora a vontade é maior, sei lá, acho que cansei de desistir e, principalmente, pedir desculpas por ser eu. Tô (re)aprendendo a rir de mim, sou trouxona mesmo, deeesde que me lembro por gente, lerda é a palavra, isso não me torna burra, embora eu goste do personagem para ver até onde os outros vão.
Vai vir julgamento de todo lugar, como sempre veio, do sotaque, do gestual, das opiniões, das atitudes, do meu drama, que preguiça, passei anos me preocupando com isso, e por quê? Se no fim do dia, mesmo acompanhada, eu sou minha única companhia? E isso não é ruim, eu gosto de mim, tenho várias qualidades, se são maiores do que os defeitos eu não sei, nem me interessa, tendo ser minha melhor versão todo dia, não por vocês, por mim, sempre tem sido assim.
Aaai que gostoso que é, voltar a me expôr. Minha vulnerabilidade é mais honesta, gosto mais de mim assim, mesmo com todos os riscos.
Eu ainda não tô 100%, mas olha aí, vai dizer que eu não tô um pouco melhor? Foram muitos aprendizados, reparei várias coisas nessa maravilhosa lua cheia, inclusive que eu não preciso ficar triste. Eu posso, e tudo bem, mas eu não preciso. A raiva, essa é minha amiga, sou boa direcionadora e sei quem são meus fantasmas, mas eu também não posso só ter raiva, tenho que lembrar o que é felicidade também. Nem que, pra isso, eu precise rir de mim e dos meus problemas, já que chorar comprovadamente não faz eles desaparecerem.
Próximo ano (lógico que eu já tô pensando nele!) eu vou subir uma horta comunitária seja lá onde eu estiver, é isso aí, ihuu!



terça-feira, 12 de novembro de 2019

pátria que pariu

não aguento mais esse Brazil
onde ninguém mais fala alto
todo mundo trancado, medo de assalto
do lixo à mesa para alguns
fogo na mata, óleo no mar,
lama nos rios, fumaça no ar
privatizar o lucro e socializar o prejuízo
não aguento mais esse Brazil
onde se calcula o valor de uma existência
e decide apagar quem resistir
chama de invasor quem nasceu aqui
consente que os nossos durmam no chão
não se permite falar sobre inclusão
e se eu discordar me manda sair
eu não aguento mais esse Brazil
de muitos inimigos e poucos aliados
onde a violência é o argumento válido
e fogo amigo se vê em todo lugar
no novo shopping, na rua sem asfalto
na falta de um saneamento básico
e muita gente segue sem tem nem um lar
Sinto falta de um Brasil que nunca conheci
Um sonho, utopia, ou um futuro a construir
Reforma agrária efetiva e agroecologia
Inclusão social, universidade universal
Saúde pública e de qualidade, preventiva,
no interior ou na cidade, oportunidade
estímulo artístico, valorização
eu queria um Brasil que não cabe no quadrado
um lugar sem fronteira, ninguém armado
que repensássemos o sistema prisional,
a saúde mental, desigualdade social, o racismo estrutural,
capitalismo e seu mal, arrancar grandes empresas
se ligar no ambiental!
é um processo longo e o caminho natural
ai, um Brasil que respeitasse nosso direito fundamental
de existir







quarta-feira, 23 de outubro de 2019

Seguindo

Se eu cair ninguém me segura, ainda assim eu caio, se eu fraquejar ninguém me abraça, ainda assim fraquejo, não escolho as dores que vou sentir, só sinto e, vez ou outra, deixo ir, mas sigo, eu ainda estou aqui, sem ninguém pra segurar ou apoiar, me ergo a cada tropeço porque é deles que sou feita, uma soma dos erros passados e a oportunidade de, ainda assim, me amar. Se não eu, quem? Amor tem seu preço também.
Me afasto, dou um trago e reflito: se, viva, sempre parto, e sendo a morte um fato, seria ela só um parto a mais?
Sempre pensei muito na morte, desde criancinha, sempre fui daquelas que se perguntam quando vão morrer e se estão passando pelo aniversário de morte nesse momento, me pergunto o que vem depois, se tem depois, eu acho que sim mas se não tiver não vai fazer diferença. Nem sempre eu tenho certeza de que existe um "agora"...
Penso na morte mas não a desejo, esse não é um daqueles textos onde eu só quero que tudo acabe, penso na morte para lembrar que estou viva, que tenho voz, que eu amo me expressar, numa texto em computador ou num quadrinho no papel, eu amo estar aqui, influenciar, eu amo tudo que é o oposto de se esconder. Mas, há dois, três anos, me escondo. Com medo de não ser aceita por vocês (que nem deveriam importar tanto, seja lá quem forem), por medo de derrapar -eu mesma- nas minhas convicções e em como acredito que o mundo devia ser, com medo de me lançar ao conforto e só me enfiar em uma bolha, a que já me encontro, me escondendo de tudo aquilo que eu podia ser.
Mas eu ainda estou viva, porque meu livro não se escreve sozinho, porque minhas tirinhas merecem mais investimento meu e porque existe um cinismo em mim, desde sempre, lá no fundo, dizendo que quem não gosta de mim já tem algo em comum comigo, mas eu tenho que me aturar todo dia, mundo, vocês vão superar também.
Tô cansada de me esconder, quero voltar a ser espontânea, não quero calcular toda a forma com que vivo, isso nem parece comigo, não quero mais ter medo dos meus próprios erros, mesmo que machuque outras pessoas, eu odeio sentir que fui algo ruim para alguém mas não posso viver uma vida inteira evitando que isso aconteça. Eu não quero deixar de me importar, isso faz parte de mim também, mas isso é diferente de ficar tentando adivinhar se posso ou não ter machucado alguém por, sei lá, falar com a pessoa usando o nome dela no diminutivo (abrindo aqui a gaveta das paranóias cotidianas) ou ser sincera sobre algo que me incomoda, simplesmente.
Pessoas se ofendem com qualquer coisa, assim como eu, e se eu não quero que ninguém se adeque à mim também não faz sentido ficar me forçando a me adequar aos outros, por mais que eu goste deles e da sensação de pertencimento que, no fundo, nem sei se eu conheço. Se alguém se ofende com alguma atitude minha e escolhe o silêncio, me tira a oportunidade de ter ciência. Ninguém tem obrigação de me ensinar nada, fato. Nem eu de adivinhar.
Eu não tô feliz há um tempo, mas também não tô triste e, diferente dos momentos ruins da minha adolescência, também não tô vazia. Eu tô brava comigo, o que sempre tem um lado bom, mas ainda sinto um cansaço imenso ao sair de casa ou conversar com outras pessoas, algo que realmente não acontecia há uns dois anos. Não consigo identificar que evento me tornou assim, embora tenha minhas teorias, mas sigo na busca de me entender, de analisar e observar meu interior (isso é meio irritante mas é mais forte do que eu D:) e de lembrar que pessoas são legais (às vezes) e que eu tenho que dar chance de conhecer elas e que elas me conheçam, independente se vão gostar de mim ou não.

Termino essa baboseira aqui com um arrepentimento: devia ter ouvido mais Pitty na infância.

terça-feira, 15 de outubro de 2019

passos

Tiro peça por peça, sem apego, o que for eu há de ser eu, perco as lembranças aos poucos, quem fui e quem almejava, tudo é novo, descompacto, imutável, tiro peça por peça, me perco na ideia do que seria eu, aprendo com o passado, desde a decisão de tatuar a frase "então sou conforme posso e o resto é vaidade" até a promessa: o mundo pode até ser assim, mas eu não sou. Tiro a peça, desencaixo, nenhuma certeza berrada pode trazer nada de bom, a pergunta é o que impulsiona e poucos fatos perduram, é preciso perder o controle para lembrar que nunca o teve.

segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Se tem luz tem sombra

Narrativas de bem ou mal, nós versus eles, argumento que justifica as maiores atrocidades, "existe um inimigo a ser combatido" e no fim a gente esquece que tudo é feito de gente, fala em punitivismo e rechaça igualdade de oportunidades, políticas públicas, somos feitos para condenar e, veja bem, sou pacifista até certo ponto e sou humana também, guardo meus rancores e busco justiça, mas o que é justiça? Qual o limite? Derrubar um inimigo ou impedir a criação de um inimigo? 
Debates e reflexões em uma sensação de manhã às duas da tarde.