terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Retrospectiva 2025 - Tá tranquilo, deixa comigo!

 Mas que aninho! Muita coisa aconteceu, do bom ao ruim, mas não vou mentir que mais pro ruim (perdi muita gente). 

Ainda assim avancei muito, ano de gente brava e eu fui brava. Sigo na faculdade, sigo nos trampos, ajudando meu coroa, tentando me conhecer melhor. O ano foi ruim, mas tô feliz comigo. 

Vamos lá.

Janeiro!

Ganhei um pote de biscoito da minha mãe, daqueles redondos de metal, me lembrou da vó Zilda e eu chorei, feliz. Foi um mês cheio, tava trabalhando para o portal, fazendo transcrições, cuidando do airbnb aqui e ainda tentando agilizar o que conseguia (à distância) para o casamento da Manu. Minha mãe tava com o tratamento meio em pausa pelo recesso de fim de ano e eu fiquei levemente desesperada com isso, mas depois rolou (a continuidade do tratamento, no caso, porque, spoiler, minha mãe morreu). 

Também saí com um pessoal e fomos conhecer um lugar novo onde pessoas ficam mascaradas fazendo coisas que adultos fazem. Foi divertido, até.

Fevereiro!

Mês começou comigo chegando em Curitiba, ou seja, aquela farra de sempre, trombar Kinhus, o povo, dei uma discutida com um amigo e até hoje tô orgulhosa porque mandei demais na briga (já estamos de boas). Lá passei pelo casamento da Manu (foi ótimo), dei uns beijos de bêbada num amigo (foi ok), arranjei um crush que falo até hoje (bonitão ele, mas nunca nem beijamos, risos) e, muito importante, me matriculei na faculdade (mas as aulas só começariam em abril). Curti Curitiba sabendo que ficaria um belo tempo sem voltar, até porque Zil estava se mudando para Aracaju, então seria uma pessoa da família a menos para ver (visto que minha outra irmã de lá vem para cá com certa frequência). No fim do mês me demiti do portal.

 Março!

Fiquei até dia 18 em Curitiba, o que, olhando agora, parece meio inacreditável. Quando voltei para casa, sem emprego e com a bagunça de quem tem bicho e passou um tempo fora, passei um tempo resolvendo minha vida, reestabelecendo as coisas, cuidando dos meus coroas. Também recebi Manu e Otávio aqui uns dias, o que foi super legal. Foi um mês bom, no geral, saí com os amigos daqui, peguei uma praia, curti meus pais. Foi um mês bom. No último dia do mês, minhas aulas começaram e dei início ao primeiro semestre em jornalismo (pela terceira vez na vida). 

Abril!

Nesse tempo todo eu estava escrevendo um livro que, no fim do ano passado, fui contratada para fazer. A meta final era Abril e, no dia 30 do mês, finalizei ele. Tudo isso enquanto passava a me inteirar das mídias do momento (Ainda estou aqui, muito bom, e Wicked, suficientemente ok). No dia 12, perdi minha prima Fafá, seria a primeira morte do meu ano, o que eu ainda não sabia, e ela se foi de repente, então fiquei meio sem chão. 

Maio!

No dia 3 minha mãe foi para o hospital e passei a noite lá com ela. Foi esquisito, dolorido e ela estava doida de morfina, mas consegui fazer ela rir em vários momentos e ela repetiu muitas vezes como se sentia grata por conseguir ser feliz numa situação daquela (a morfina com certeza ajudou). Foi aí que percebi que minha mãe não teria muito tempo e passei a ter medo que ela morresse próximo ao meu aniversário, porque isso teria capacidade de me marcar para sempre. Felizmente não aconteceu, ela voltou para casa, Luiza veio para cidade e conseguimos passar um bom e último dia das mães. Meu aniversário foi perfeito, virei a noite na praia com Vitor e Pedroso e, se melhorasse, estragava. Também recebemos a notícia que, depois de muitos anos de espera, um estuprador que denunciamos como família foi preso. No último dia do mês, mais uma perda, Otávio, amigo da família desde que me conheço por gente. 

Junho!

No começo do mês tive ótimos momentos com minha mãe, fiquei muito na casa dos coroas porque sempre tinha que ter alguém com ela, foi um momento bem cansativo, mas cheio de boas lembranças, sei lá, quando a gente sabe que algo vai durar pouco a gente valoriza mais? 

Então, no dia 16, ela voltou para o hospital, dolorida, confusa, a única ali que não sabia que ela estava partindo. Me despedi dela no hospital, quando a morfina começou a fazer efeito e sua dor diminuiu, e é um dia de memórias muito doloridas. Lá para as duas da manhã do dia 17 ela morreu, dormindo, meu pai do lado, e foi a última vez que vi minha mãe com vida. Não chorei, passei pelo velório rindo e fazendo muita piada, mas deixando claro para todos: eu estava com raiva, meu sentimento era, naquele momento e por um bom tempo depois, raiva. E a certeza de que, se existir algum deus, ele/ela vai se ver comigo quando for a hora. 

Mas a vida precisava seguir, e seguiu. Meu tio Barney veio para a cidade, o que foi ótimo e distraiu meu pai no momento certo. Fomos para o São João, soltei altos fogos; fui na igreja messiânica, a qual não sigo, mas minha mãe gostava, para rezar por ela; o resto foi burocracias com advogados, pensões, inventários, etc.

Julho!

Segundo semestre da faculdade, muita correria de advogado e, por um acaso da vida, meus dois tios paternos estavam indo para um festival na Barra do Cunhaú (onde um deles mora) e eu, meu pai e Zil fomos e lá é um local incrível. Tava vivendo o luto, mas sofrendo comendo ostra.

Agosto!

No começo do mês fui no casamento de Bia e foi lindo. Minha irmã Bela veio com a família para cá, fazia mais de quinze anos que não os via! Foi bom ser mimada por uma irmã mais velha, Bela presta atenção nas coisas mesmo quando parece que não e, em uma que ouviu que eu gosto de cavalo, me levou para andar em um (anos que eu não fazia isso!), foi ótimo. Curti bastante a presença deles aqui, meus sobrinhos também são ótimos! Só que, nesse tempo, perdi o melhor gato que já tive na vida, o Fora-da-Lei, de um dia para o outro e até hoje choro aleatoriamente por isso. 

Setembro! 

Bela voltou para casa e eu saciei toda (ou boa parte) da minha vontade por vingança vendo o julgamento do genocida do Bolsonaro. Também recebi a Amandinha aqui em casa, Zil veio dormir aqui alguns dias, dei uma focada forte na faculdade e a vida foi basicamente dia após dia tentando viver feliz.

Outubro!

Sinto que foi aqui que minha cabeça voltou a entrar nos eixos (ou pelo menos na minha loucura normal). Voltei a usar minha agenda, me disciplinei a escrever um pouco mais, ajeitei algumas coisas na casa que melhoraram um tanto minha qualidade de vida. Quando tudo parecia estar se ajeitando, no dia 19 o meu amigo Aurélio foi assassinado pela polícia, dentro da própria casa, com todos os jornais difamando e mentindo sobre a história. Então boa parte do fim do mês foi engolir minhas mágoas sobre Matinhos e conversar com qualquer pessoa que fosse necessário para tentar contar a história real para o máximo de pessoas possível. 

E então o início dos aniversários da minha família, anunciando a iminência do fim do ano. 

Novembro!

Começou, por sorte novamente, com meus tios paternos aqui na cidade, curtimos muito, fomos na Croa do Goré, fomos no cinema assistir O Agente Secreto (meu tio tá no filme), conheci uns atores e atrizes que admiro bastante, foi um tempo bom. Também rolou o Pré-Caju e foi massa, zero crise de ansiedade independente do calor absurdo e subi num trio elétrico pela primeira vez. 

No meio do mês eu finalizei o segundo semestre da faculdade, passando enfim o meu recorde pessoal de curso de jornalismo. 

Dia 22, Bolsonaro preso. Foi uma delícia.

Também fui atrás de emprego, consegui um trabalho freelancer que vai até fim de dezembro e fui em uma entrevista que acabou rendendo outra entrevista. 

Dezembro!

Foi um mês bem cheio, bastante trabalho, a chegada do Kinhus (com três dias de atraso graças ao ciclone em São Paulo) e, com a chegada dele, nosso novo hábito de ir para casa do meu pai andando (ou às vezes voltar, de noite e bêbados, é ótimo). Ontem foi aniversário dele e passamos um dia bom com meu pai, Sheila, Vitor, Iago e Thaís, pegamos piscina, praia, piscina de noite, enfim, dias bons. 

 

Não sei o que vai ser do futuro, mas, depois de um ano onde boa parte dos meus medos se concretizarem e ainda estou aqui, bom... ainda estou aqui. Mais triste, mas mais confiante e, sem dúvidas, bem mais forte. Espero conquistar mais coisas em 2026, ver qual dos dois bons empregos que me foram oferecidos vai fazer mais sentido com o que busco, terminar meu terceiro e quarto semestre, fazer uma tatuagem nova porque não aguento mais essa abstinência eeee cuidar mais da minha saúde. Vai ser um bom ano, nem que seja na marra.

 

quarta-feira, 22 de outubro de 2025

Rodeada pela morte

 No domingo o Aurélio foi morto pela polícia. Eu poderia suavizar as palavras, mas nunca foi do meu feitio e a realidade é essa: no domingo, último, Aurélio foi morto pela polícia. Com três tiros. Na própria casa. 

É tipo mais um dos medos realizados, dos milhões desse ano (o que, acharam que não seria mais um texto sobre mim? Respeitem meu local de entendimento, por favor). Eu perdi minha mãe, perdi meu gato mais "meu", perdi uma prima, um tio de consideração, um amigo da família, meu escritor preferido, em 2025 muitas das pessoas que eu amava perderam a chance de continuar por aqui, a maioria delas sei que queria mais anos. E, domingo passado, perdi o Aurélio, um dos amigos de Matinhos que nunca questionei a amizade, alguém que vi depois de sair de lá, que fez questão de me ver. Falei com ele semana passada, sabe?

A morte da minha mãe me traz raiva, mas eu não encontro culpados. Na morte do Fora-da-Lei eu só consigo culpar a mim. Quando Iago me falou, logo depois do horário da minha terapia (também conhecido como 'horário em que tudo dá errado'), que Aurélio morreu, a primeira coisa que pensei foi "caramba, eu achava que ele tinha vencido o câncer!". E tinha, eu não estava errada. Eu lembro de, mesmo de longe, acompanhar que ele estava de cama, morrendo de dor, vivendo à base de morfina legalizada até liberarem a cirurgia que ele precisava. Liberada, ele reviveu, e nisso veio essa minha falsa segurança de que ele estava fora de perigo.

Só que eu esqueci que eu vivo no planeta Terra, país Brasil. Esqueci que ele vive em uma cidade minúscula, com forte coronelismo, num país racista quando convém (e geralmente convém). 

E é isso que eu não engulo. Um cara com a história dele, com o caráter dele, vi otário no Facebook "ain porque Aurélio quando era morador de rua em 1986 (!!!) era cuzão", velho, um foda-se do tamanho do mundo, eu conheci o Aurélio do presente, o que eu gostava de falar "ah, mas tal opinião é porque você é chato, né, Aurélio (risos)" e ele levava na boa. Eu tive tanta dificuldade em me expressar e entender os outros em Matinhos, ele era uma das pessoas fáceis de entender, ele comunicava o que pensava, sem joguinho, sem tentar ofender ninguém, mas certo da sua opinião. Levou isso até o fim, um viciado em cuidar de animais (elogio dramático) que morreu tentando proteger um bicho que não era nem dele, o único que, desde que o conheço, morreu sem conseguir salvar. 

A morte me dói sempre por tudo aquilo que foi tirado de quem se foi. Partida natural ou não, acho meio inevitável não pensar no quanto quem se foi gostaria de ver ou viver tal coisa. Penso nisso todo dia em relação minha mãe e, desde domingo, sobre Aurélio. 

Se eu pudesse falar algo para ele, diria que a Cler e mais amigos que ele fez em Matinhos garantiram a segurança dos bichos dele. Diria que sinto muito não ter respondido todo e cada vídeo de internet mandado, mas que agradeço ter falado com ele há duas semanas. E agradeço que ele cuidou da Bolota quando, se não fosse ele, ela morreria na nossa mão, independente de qualquer boa intenção. Agradecer os jogos de xadrez e que ele nunca se incomodou com meu jeito de ser, mesmo quando eu era implicante e dava bronca, coisas que faço com gente que gosto. 

Foi legal quando a gente se encontrou no MON, em Curitiba, num contexto fora de Matinhos, ele estava no tratamento, vivia sentindo dor e, embora falasse sobre isso, era sempre com um sorriso no rosto, um negócio genuíno. Acho que é a palavra que me remete ele, é uma das qualidades que mais admiro: Aurélio era genuíno. 

Eu vou sentir sua falta, amigo, de verdade. Mesmo longe, era feliz de saber que compartilhava o mundo com você. Você foi arrancado de muitos de nós, não consigo nem imaginar como está a cabeça do pessoal de Matinhos que vivia contigo dia a dia. Você vai fazer muita falta, o planeta é um lugar pior agora. De novo. 

Se existir algo depois da vida, espero que você esteja bem, espero que esteja se sentindo amado e acolhido. Fico pensando nos seus últimos segundos, é quase tortura, mas não consigo evitar. Você devia estar amedrontado, Aurélio, eu sinto muito, muito, que você tenha passado por isso. Se ainda estiver com a gente de alguma forma, então essa mensagem, qualquer mensagem, preciso acreditar que possa chegar até você. Senão, não importa mais, tudo se trata de, mais uma vez, engolir o luto, honrar sua memória e tentar evitar os próximos enquanto as lágrimas ainda caem. 

Vai em paz, amigo, deixa a guerra com a gente. Sinto muito, de novo, pela sua forma de partir. Nunca vou te esquecer.

sexta-feira, 17 de outubro de 2025

Escrevendo para entender

O tempo está passando e, mesmo que eu também esteja me movimentando, a sensação é de que tudo ainda é uma junção esquisita de realidade e sonho. 

Faz tempo que não escrevo aqui, mas não quer dizer que andei parada. Na verdade, em relação à escrita, tenho até tentando "aquecer", me propondo alguns exercícios e tentando cumprir.

Sinto que o ano está acabando, porque ele está. Um ano que comecei com minha mãe e terminei sem. Na verdade (Facebook me lembrou há uns dois, três dias), há um ano ela estava pintando a mandala na parede externa da própria casa, a mesma que hoje virou uma Poke Parada (?), algo bobo, mas que me deixa feliz, de alguma forma ela pintou algo sem expectativa e alguém de fora notou, registrou. Acho isso legal. 

Nesse ano perdi minha mãe e meu gatinho Fora da Lei, o meu linguinha de fora. Foi um ano difícil. Foi um ano difícil.

Ao mesmo tempo, tanta coisa boa aconteceu, num nível que se eu listar vou esquecer várias. Sempre senti a existência como ciclo, morte e vida, não faço ideia do que estou fazendo aqui, mas, com a morte da minha mãe, naquela relação de muito amor e ódio do tamanho desse amor, meus maiores medos se concretizaram, todos aqueles que deeeesde criancinha tentei abafar. E eu ainda estou aqui, tropeçando, aprendendo. 

Acho que não tem como fugir de alguns clichês. A vida é movimento porque acaba, a morte impulsiona a vida, tanto faz, a grande questão é, hoje, que já já pode mudar: minha mãe morreu, eu sofro, mas continuo, só que continuo mais esperta, corajosa e, principalmente, salafraia (adoro essa palavra).

Tenho muito para dizer, mas entrei num caminho que não me sinto à vontade de expôr aqui, que é triste, porque sempre foi aqui onde escrevi para definir o que eu acreditava ou não. 

Fica para a próxima, então, online ou offline. Tchau, amiguinhos!!! 

segunda-feira, 16 de junho de 2025

Dias corridos e um adeus para minha mãe

 De sábado para domingo dormi no hospital, minha mãe estava sofrendo muito e preferiu ir para lá. Domingo de manhã voltamos para casa, mas hoje, logo após a terapia, voltamos para lá com a notícia na mente, ela está partindo.

Foi um luto de dois anos. Foi um luto mesmo quando eu via ela, durante a quimioterapia, pintar DOIS muros e andar diariamente 5 da manhã na praia durante 10km. 

Eu sei que estou na fase "raiva" do luto e também sei que ela não é muito justa porque, verdade seja feita, desde o diagnóstico tivemos muitas e muitas histórias para aproveitar. Vivemos esses dois anos intensamente. O que não me tira da cabeça que ela tem apenas 61 anos, foi natureba a vida inteira, alimentação impecável, buscava se exercitar, enfim, eu não como arroz integral hoje porque minha mãe nos enjoou disso na infância, haha.  É de ficar brava que ela esteja partindo tão cedo, embora eu tambéééém saiba que a morte não é questão de merecimento, ela só acontece, para minha mãe, para recém-nascidos, bebês, crianças, para pessoas horríveis e pessoas maravilhosas e, um dia, para mim também.

Desde criança penso nisso e, como meu apego por essa coroa teimosa é indescritível, sempre meio que torci em partir antes dela (o que é meio egoísta da mesma forma, porque ela não ia querer isso, mas eu era adolescente e adolescente tem direito de ser burro).

Eu amo a minha mãe e já esgotei as formas que conheço de falar isso. Escrevendo para vocês aleatórios e falando para ela, lúcida ou dormindo, antes ou agora. Depois de dois dias acompanhando ela no hospital, sofrendo sempre que acordada, estou cedendo o lugar para minha irmã que mora longe e está vindo, para minha irmã caçula, que talvez agora consiga um tempo para elaborar uma despedida, para meu pai, o último romântico e, em um campeonato injusto de sofrimento, com certeza o que vai mais sentir essa falta. Embora eu saiba que ele é capaz de seguir em frente, também é quem mais me preocupa, porque ele viveu uma felicidade a dois por muitos anos e agora vai ficar sozinho. Filha de romântico, romântica sou, então me compadeço. 

E eu vou perder minha mãe. Aquela que eu reclamei por anos nesse blog, com ou sem razão, e que elogiei muito também, dessa vez sempre com razão. Minha mãe que nunca foi perfeita, só Mônica, que por acaso é minha mãe. Como ela sempre disse.  A que abdicou do maior salário porque teria que alinhar com ideologias que ela era contra. A que, comigo na barriga, fez uma matéria com aqueles pilotos que desligam o avião lá em cima e mandou um "oh, tu não me mata que eu tô grávida". A que prendeu um pedófilo só com o poder da investigação; a que entrevistou mulheres trans para dar voz numa revista quando pouquíssimos faziam isso; a que me chamava para contar um segredo e arrotava na minha orelha. Também quem me passou o primeiro trote. 

Minha mãe soube viver. Viveu como quis, aguentando críticas de todos os lados, e, embora certamente devesse ter olhado mais para si do que para os outros, também soube ser uma amiga incrível para os que tiveram estômago para se aprofundar por sua maneira de falar o que pensava e sentia. Mudou muito, evoluiu muito, sempre foi corajosa o suficiente para deixar de lado aquilo que já não fazia sentido. 

Minha mãe vai morrer brava de estar morrendo, igualzinho o pai dela, Vô Darcy. Ela vai ter mais razão em seus sentimentos, porque vovô foi até uns 90 e tantos, mas sei que ela com 100 iria querer mais 10 anos e assim em diante. Acho que nada prepara para a morte? Pelo menos é o que penso hoje. 

E, com certeza, nada prepara para a morte de alguém que a gente ama. Eu não sei o dia de amanhã, algo que, particularmente, não gosto. Não sei como a vida vai seguir agora, só sei que vai seguir, porque se tem algo que eu acredito é que a melhor forma de honrar os mortos é viver.

Até agora e até onde eu sei, o corpo da minha mãe ainda está entre nós, com ele algumas partes de sua mente, talvez o suficiente para se despedir das minhas irmãs e do meu pai. Eu vou conversar com ela após partir, com cuidado para não estragar as aventuras que quero acreditar que ela terá,  mas o máximo que posso fazer agora é lembrar desse sentimento tão forte que nos une.

Te amo, mamãe. Parta tranquila, ficaremos bem.  

 

 

 

sexta-feira, 13 de junho de 2025

Muitos 13

 Muita correria e pouco tempo para qualquer coisa.

Terminei o primeiro semestre de jornalismo (pela terceira vez), foi bem de boas até então, mas reza uma lenda de que no terceiro semestre o bicho pega. Tanto faz, problema para a Lua do futuro.

Minha mãe melhorou, aí piorou de novo, hoje estive lá e não foi um dos melhores dias. Mas ela ainda está aqui, então a gente não sabe o que o futuro reserva, mas ainda há futuro. 

Hoje foi difícil, tive vontade de chorar enquanto estava lá, não sou de segurar choro, mas fiz. Não vou descrever algo que prefiro não registrar mentalmente (esse lugar serve para isso também), eu lido com muita coisa, mas não consigo lidar com o medo de alguém que está morrendo. Principalmente alguém que, se vivesse 400 anos, gostaria de ter mais 100. 

Eu não estou infeliz e nem totalmente apática, um pouco no automático, sim, mas não apática. A depressão conversa, mas não tem me impedido, embora sempre fique uma dúvida de quanto tempo isso vai durar.

Eu não ando querendo conversar, mas, quando quero, meus amigos estão bem disponíveis e eu agradeço internamente (e por aqui e às vezes para eles, talvez menos do que deveria). Não tenho sido a melhor das amigas e ainda assim eles têm sido muito compreensíveis.  

Cansei de escrever porque não quero escrever o que estou pensando. Vou ser esperançosa e dizer que dias melhores virão, porque, na verdade, virão mesmo.  

domingo, 11 de maio de 2025

Dia das mães

 Mamãe tem os dias contados e não fazemos ideia de quanto tempo isso significa. Estamos todos prontos para passar por isso e, ao mesmo tempo, se ninguém sabe do futuro também podemos ser esperançosos. 

Hoje, dia das mães ou, como dizemos em japonês (piada interna kkkkk) hahanohiwa, encontrei boa parte de quem considero família. Minha mãe tá engraçadíssima, passo a entender de onde surgiu mesmo sendo de humor absurdamente mórbido. Ela é foda. Minha mãe é humana, naturalmente, ela tem medo da morte, do desconhecido, do resto, quem não tem? Mas a bicha é foda. Simplesmente.

Cronologicamente falando, minha mãe trouxe uma família que eu nasci sabendo que era família, mas igualmente sabia não ser de sangue. Nunca liguei para isso, sangue, minha família de agora é a mesma da infância. 

Tenho muito para falar sobre isso mas cansei.

Amo minha mãe. Amo meu pai. Todas as minhas irmãs são mto daora. Minha família sabe quem é, fui avisando aos poucos "oh sangue é fodac para mim, vcs são minhas família superem".

Mas eu gosto dos dias que provam isso. Feliz dia das mães para minha mamãe engraçada, vovó, Kaká, Sheila, Fafá, Bela, Lulu e tvz até eu, vai que o futuro me dá um filho (se isso acontecer ele já está vivo)

quarta-feira, 30 de abril de 2025

Antes que Abril se vá

 Acabei de terminar o livro da Célia, enviei há uns minutos, o prazo terminava hoje mas para quem crê em deus nada é impossível (isso é uma tremenda duma piada pq eu fiquei dias escrevendo até a bunda doer)

Com certeza não sou acostumada a finalizar coisas, tô aqui na primeira cerveja pensando no e agora. Estou feliz, meio incrédula, querendo reforço positivo e contando pra todos meus amigos hihihih

Além disso, nessa semana comecei os simulados das matérias da faculdade, terminados vem as provas e então fim de matéria, sigo pras próximas. Gosto de ver a vida caminhando. 

Não vou me estender mto pq escrevi demaaaaais nos últimos dias, só quero registrar aqui que sim, às vezes eu termino coisas!!!!