terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Retrospectiva 2025 - Tá tranquilo, deixa comigo!

 Mas que aninho! Muita coisa aconteceu, do bom ao ruim, mas não vou mentir que mais pro ruim (perdi muita gente). 

Ainda assim avancei muito, ano de gente brava e eu fui brava. Sigo na faculdade, sigo nos trampos, ajudando meu coroa, tentando me conhecer melhor. O ano foi ruim, mas tô feliz comigo. 

Vamos lá.

Janeiro!

Ganhei um pote de biscoito da minha mãe, daqueles redondos de metal, me lembrou da vó Zilda e eu chorei, feliz. Foi um mês cheio, tava trabalhando para o portal, fazendo transcrições, cuidando do airbnb aqui e ainda tentando agilizar o que conseguia (à distância) para o casamento da Manu. Minha mãe tava com o tratamento meio em pausa pelo recesso de fim de ano e eu fiquei levemente desesperada com isso, mas depois rolou (a continuidade do tratamento, no caso, porque, spoiler, minha mãe morreu). 

Também saí com um pessoal e fomos conhecer um lugar novo onde pessoas ficam mascaradas fazendo coisas que adultos fazem. Foi divertido, até.

Fevereiro!

Mês começou comigo chegando em Curitiba, ou seja, aquela farra de sempre, trombar Kinhus, o povo, dei uma discutida com um amigo e até hoje tô orgulhosa porque mandei demais na briga (já estamos de boas). Lá passei pelo casamento da Manu (foi ótimo), dei uns beijos de bêbada num amigo (foi ok), arranjei um crush que falo até hoje (bonitão ele, mas nunca nem beijamos, risos) e, muito importante, me matriculei na faculdade (mas as aulas só começariam em abril). Curti Curitiba sabendo que ficaria um belo tempo sem voltar, até porque Zil estava se mudando para Aracaju, então seria uma pessoa da família a menos para ver (visto que minha outra irmã de lá vem para cá com certa frequência). No fim do mês me demiti do portal.

 Março!

Fiquei até dia 18 em Curitiba, o que, olhando agora, parece meio inacreditável. Quando voltei para casa, sem emprego e com a bagunça de quem tem bicho e passou um tempo fora, passei um tempo resolvendo minha vida, reestabelecendo as coisas, cuidando dos meus coroas. Também recebi Manu e Otávio aqui uns dias, o que foi super legal. Foi um mês bom, no geral, saí com os amigos daqui, peguei uma praia, curti meus pais. Foi um mês bom. No último dia do mês, minhas aulas começaram e dei início ao primeiro semestre em jornalismo (pela terceira vez na vida). 

Abril!

Nesse tempo todo eu estava escrevendo um livro que, no fim do ano passado, fui contratada para fazer. A meta final era Abril e, no dia 30 do mês, finalizei ele. Tudo isso enquanto passava a me inteirar das mídias do momento (Ainda estou aqui, muito bom, e Wicked, suficientemente ok). No dia 12, perdi minha prima Fafá, seria a primeira morte do meu ano, o que eu ainda não sabia, e ela se foi de repente, então fiquei meio sem chão. 

Maio!

No dia 3 minha mãe foi para o hospital e passei a noite lá com ela. Foi esquisito, dolorido e ela estava doida de morfina, mas consegui fazer ela rir em vários momentos e ela repetiu muitas vezes como se sentia grata por conseguir ser feliz numa situação daquela (a morfina com certeza ajudou). Foi aí que percebi que minha mãe não teria muito tempo e passei a ter medo que ela morresse próximo ao meu aniversário, porque isso teria capacidade de me marcar para sempre. Felizmente não aconteceu, ela voltou para casa, Luiza veio para cidade e conseguimos passar um bom e último dia das mães. Meu aniversário foi perfeito, virei a noite na praia com Vitor e Pedroso e, se melhorasse, estragava. Também recebemos a notícia que, depois de muitos anos de espera, um estuprador que denunciamos como família foi preso. No último dia do mês, mais uma perda, Otávio, amigo da família desde que me conheço por gente. 

Junho!

No começo do mês tive ótimos momentos com minha mãe, fiquei muito na casa dos coroas porque sempre tinha que ter alguém com ela, foi um momento bem cansativo, mas cheio de boas lembranças, sei lá, quando a gente sabe que algo vai durar pouco a gente valoriza mais? 

Então, no dia 16, ela voltou para o hospital, dolorida, confusa, a única ali que não sabia que ela estava partindo. Me despedi dela no hospital, quando a morfina começou a fazer efeito e sua dor diminuiu, e é um dia de memórias muito doloridas. Lá para as duas da manhã do dia 17 ela morreu, dormindo, meu pai do lado, e foi a última vez que vi minha mãe com vida. Não chorei, passei pelo velório rindo e fazendo muita piada, mas deixando claro para todos: eu estava com raiva, meu sentimento era, naquele momento e por um bom tempo depois, raiva. E a certeza de que, se existir algum deus, ele/ela vai se ver comigo quando for a hora. 

Mas a vida precisava seguir, e seguiu. Meu tio Barney veio para a cidade, o que foi ótimo e distraiu meu pai no momento certo. Fomos para o São João, soltei altos fogos; fui na igreja messiânica, a qual não sigo, mas minha mãe gostava, para rezar por ela; o resto foi burocracias com advogados, pensões, inventários, etc.

Julho!

Segundo semestre da faculdade, muita correria de advogado e, por um acaso da vida, meus dois tios paternos estavam indo para um festival na Barra do Cunhaú (onde um deles mora) e eu, meu pai e Zil fomos e lá é um local incrível. Tava vivendo o luto, mas sofrendo comendo ostra.

Agosto!

No começo do mês fui no casamento de Bia e foi lindo. Minha irmã Bela veio com a família para cá, fazia mais de quinze anos que não os via! Foi bom ser mimada por uma irmã mais velha, Bela presta atenção nas coisas mesmo quando parece que não e, em uma que ouviu que eu gosto de cavalo, me levou para andar em um (anos que eu não fazia isso!), foi ótimo. Curti bastante a presença deles aqui, meus sobrinhos também são ótimos! Só que, nesse tempo, perdi o melhor gato que já tive na vida, o Fora-da-Lei, de um dia para o outro e até hoje choro aleatoriamente por isso. 

Setembro! 

Bela voltou para casa e eu saciei toda (ou boa parte) da minha vontade por vingança vendo o julgamento do genocida do Bolsonaro. Também recebi a Amandinha aqui em casa, Zil veio dormir aqui alguns dias, dei uma focada forte na faculdade e a vida foi basicamente dia após dia tentando viver feliz.

Outubro!

Sinto que foi aqui que minha cabeça voltou a entrar nos eixos (ou pelo menos na minha loucura normal). Voltei a usar minha agenda, me disciplinei a escrever um pouco mais, ajeitei algumas coisas na casa que melhoraram um tanto minha qualidade de vida. Quando tudo parecia estar se ajeitando, no dia 19 o meu amigo Aurélio foi assassinado pela polícia, dentro da própria casa, com todos os jornais difamando e mentindo sobre a história. Então boa parte do fim do mês foi engolir minhas mágoas sobre Matinhos e conversar com qualquer pessoa que fosse necessário para tentar contar a história real para o máximo de pessoas possível. 

E então o início dos aniversários da minha família, anunciando a iminência do fim do ano. 

Novembro!

Começou, por sorte novamente, com meus tios paternos aqui na cidade, curtimos muito, fomos na Croa do Goré, fomos no cinema assistir O Agente Secreto (meu tio tá no filme), conheci uns atores e atrizes que admiro bastante, foi um tempo bom. Também rolou o Pré-Caju e foi massa, zero crise de ansiedade independente do calor absurdo e subi num trio elétrico pela primeira vez. 

No meio do mês eu finalizei o segundo semestre da faculdade, passando enfim o meu recorde pessoal de curso de jornalismo. 

Dia 22, Bolsonaro preso. Foi uma delícia.

Também fui atrás de emprego, consegui um trabalho freelancer que vai até fim de dezembro e fui em uma entrevista que acabou rendendo outra entrevista. 

Dezembro!

Foi um mês bem cheio, bastante trabalho, a chegada do Kinhus (com três dias de atraso graças ao ciclone em São Paulo) e, com a chegada dele, nosso novo hábito de ir para casa do meu pai andando (ou às vezes voltar, de noite e bêbados, é ótimo). Ontem foi aniversário dele e passamos um dia bom com meu pai, Sheila, Vitor, Iago e Thaís, pegamos piscina, praia, piscina de noite, enfim, dias bons. 

 

Não sei o que vai ser do futuro, mas, depois de um ano onde boa parte dos meus medos se concretizarem e ainda estou aqui, bom... ainda estou aqui. Mais triste, mas mais confiante e, sem dúvidas, bem mais forte. Espero conquistar mais coisas em 2026, ver qual dos dois bons empregos que me foram oferecidos vai fazer mais sentido com o que busco, terminar meu terceiro e quarto semestre, fazer uma tatuagem nova porque não aguento mais essa abstinência eeee cuidar mais da minha saúde. Vai ser um bom ano, nem que seja na marra.

 

quarta-feira, 22 de outubro de 2025

Rodeada pela morte

 No domingo o Aurélio foi morto pela polícia. Eu poderia suavizar as palavras, mas nunca foi do meu feitio e a realidade é essa: no domingo, último, Aurélio foi morto pela polícia. Com três tiros. Na própria casa. 

É tipo mais um dos medos realizados, dos milhões desse ano (o que, acharam que não seria mais um texto sobre mim? Respeitem meu local de entendimento, por favor). Eu perdi minha mãe, perdi meu gato mais "meu", perdi uma prima, um tio de consideração, um amigo da família, meu escritor preferido, em 2025 muitas das pessoas que eu amava perderam a chance de continuar por aqui, a maioria delas sei que queria mais anos. E, domingo passado, perdi o Aurélio, um dos amigos de Matinhos que nunca questionei a amizade, alguém que vi depois de sair de lá, que fez questão de me ver. Falei com ele semana passada, sabe?

A morte da minha mãe me traz raiva, mas eu não encontro culpados. Na morte do Fora-da-Lei eu só consigo culpar a mim. Quando Iago me falou, logo depois do horário da minha terapia (também conhecido como 'horário em que tudo dá errado'), que Aurélio morreu, a primeira coisa que pensei foi "caramba, eu achava que ele tinha vencido o câncer!". E tinha, eu não estava errada. Eu lembro de, mesmo de longe, acompanhar que ele estava de cama, morrendo de dor, vivendo à base de morfina legalizada até liberarem a cirurgia que ele precisava. Liberada, ele reviveu, e nisso veio essa minha falsa segurança de que ele estava fora de perigo.

Só que eu esqueci que eu vivo no planeta Terra, país Brasil. Esqueci que ele vive em uma cidade minúscula, com forte coronelismo, num país racista quando convém (e geralmente convém). 

E é isso que eu não engulo. Um cara com a história dele, com o caráter dele, vi otário no Facebook "ain porque Aurélio quando era morador de rua em 1986 (!!!) era cuzão", velho, um foda-se do tamanho do mundo, eu conheci o Aurélio do presente, o que eu gostava de falar "ah, mas tal opinião é porque você é chato, né, Aurélio (risos)" e ele levava na boa. Eu tive tanta dificuldade em me expressar e entender os outros em Matinhos, ele era uma das pessoas fáceis de entender, ele comunicava o que pensava, sem joguinho, sem tentar ofender ninguém, mas certo da sua opinião. Levou isso até o fim, um viciado em cuidar de animais (elogio dramático) que morreu tentando proteger um bicho que não era nem dele, o único que, desde que o conheço, morreu sem conseguir salvar. 

A morte me dói sempre por tudo aquilo que foi tirado de quem se foi. Partida natural ou não, acho meio inevitável não pensar no quanto quem se foi gostaria de ver ou viver tal coisa. Penso nisso todo dia em relação minha mãe e, desde domingo, sobre Aurélio. 

Se eu pudesse falar algo para ele, diria que a Cler e mais amigos que ele fez em Matinhos garantiram a segurança dos bichos dele. Diria que sinto muito não ter respondido todo e cada vídeo de internet mandado, mas que agradeço ter falado com ele há duas semanas. E agradeço que ele cuidou da Bolota quando, se não fosse ele, ela morreria na nossa mão, independente de qualquer boa intenção. Agradecer os jogos de xadrez e que ele nunca se incomodou com meu jeito de ser, mesmo quando eu era implicante e dava bronca, coisas que faço com gente que gosto. 

Foi legal quando a gente se encontrou no MON, em Curitiba, num contexto fora de Matinhos, ele estava no tratamento, vivia sentindo dor e, embora falasse sobre isso, era sempre com um sorriso no rosto, um negócio genuíno. Acho que é a palavra que me remete ele, é uma das qualidades que mais admiro: Aurélio era genuíno. 

Eu vou sentir sua falta, amigo, de verdade. Mesmo longe, era feliz de saber que compartilhava o mundo com você. Você foi arrancado de muitos de nós, não consigo nem imaginar como está a cabeça do pessoal de Matinhos que vivia contigo dia a dia. Você vai fazer muita falta, o planeta é um lugar pior agora. De novo. 

Se existir algo depois da vida, espero que você esteja bem, espero que esteja se sentindo amado e acolhido. Fico pensando nos seus últimos segundos, é quase tortura, mas não consigo evitar. Você devia estar amedrontado, Aurélio, eu sinto muito, muito, que você tenha passado por isso. Se ainda estiver com a gente de alguma forma, então essa mensagem, qualquer mensagem, preciso acreditar que possa chegar até você. Senão, não importa mais, tudo se trata de, mais uma vez, engolir o luto, honrar sua memória e tentar evitar os próximos enquanto as lágrimas ainda caem. 

Vai em paz, amigo, deixa a guerra com a gente. Sinto muito, de novo, pela sua forma de partir. Nunca vou te esquecer.

sexta-feira, 17 de outubro de 2025

Escrevendo para entender

O tempo está passando e, mesmo que eu também esteja me movimentando, a sensação é de que tudo ainda é uma junção esquisita de realidade e sonho. 

Faz tempo que não escrevo aqui, mas não quer dizer que andei parada. Na verdade, em relação à escrita, tenho até tentando "aquecer", me propondo alguns exercícios e tentando cumprir.

Sinto que o ano está acabando, porque ele está. Um ano que comecei com minha mãe e terminei sem. Na verdade (Facebook me lembrou há uns dois, três dias), há um ano ela estava pintando a mandala na parede externa da própria casa, a mesma que hoje virou uma Poke Parada (?), algo bobo, mas que me deixa feliz, de alguma forma ela pintou algo sem expectativa e alguém de fora notou, registrou. Acho isso legal. 

Nesse ano perdi minha mãe e meu gatinho Fora da Lei, o meu linguinha de fora. Foi um ano difícil. Foi um ano difícil.

Ao mesmo tempo, tanta coisa boa aconteceu, num nível que se eu listar vou esquecer várias. Sempre senti a existência como ciclo, morte e vida, não faço ideia do que estou fazendo aqui, mas, com a morte da minha mãe, naquela relação de muito amor e ódio do tamanho desse amor, meus maiores medos se concretizaram, todos aqueles que deeeesde criancinha tentei abafar. E eu ainda estou aqui, tropeçando, aprendendo. 

Acho que não tem como fugir de alguns clichês. A vida é movimento porque acaba, a morte impulsiona a vida, tanto faz, a grande questão é, hoje, que já já pode mudar: minha mãe morreu, eu sofro, mas continuo, só que continuo mais esperta, corajosa e, principalmente, salafraia (adoro essa palavra).

Tenho muito para dizer, mas entrei num caminho que não me sinto à vontade de expôr aqui, que é triste, porque sempre foi aqui onde escrevi para definir o que eu acreditava ou não. 

Fica para a próxima, então, online ou offline. Tchau, amiguinhos!!! 

segunda-feira, 16 de junho de 2025

Dias corridos e um adeus para minha mãe

 De sábado para domingo dormi no hospital, minha mãe estava sofrendo muito e preferiu ir para lá. Domingo de manhã voltamos para casa, mas hoje, logo após a terapia, voltamos para lá com a notícia na mente, ela está partindo.

Foi um luto de dois anos. Foi um luto mesmo quando eu via ela, durante a quimioterapia, pintar DOIS muros e andar diariamente 5 da manhã na praia durante 10km. 

Eu sei que estou na fase "raiva" do luto e também sei que ela não é muito justa porque, verdade seja feita, desde o diagnóstico tivemos muitas e muitas histórias para aproveitar. Vivemos esses dois anos intensamente. O que não me tira da cabeça que ela tem apenas 61 anos, foi natureba a vida inteira, alimentação impecável, buscava se exercitar, enfim, eu não como arroz integral hoje porque minha mãe nos enjoou disso na infância, haha.  É de ficar brava que ela esteja partindo tão cedo, embora eu tambéééém saiba que a morte não é questão de merecimento, ela só acontece, para minha mãe, para recém-nascidos, bebês, crianças, para pessoas horríveis e pessoas maravilhosas e, um dia, para mim também.

Desde criança penso nisso e, como meu apego por essa coroa teimosa é indescritível, sempre meio que torci em partir antes dela (o que é meio egoísta da mesma forma, porque ela não ia querer isso, mas eu era adolescente e adolescente tem direito de ser burro).

Eu amo a minha mãe e já esgotei as formas que conheço de falar isso. Escrevendo para vocês aleatórios e falando para ela, lúcida ou dormindo, antes ou agora. Depois de dois dias acompanhando ela no hospital, sofrendo sempre que acordada, estou cedendo o lugar para minha irmã que mora longe e está vindo, para minha irmã caçula, que talvez agora consiga um tempo para elaborar uma despedida, para meu pai, o último romântico e, em um campeonato injusto de sofrimento, com certeza o que vai mais sentir essa falta. Embora eu saiba que ele é capaz de seguir em frente, também é quem mais me preocupa, porque ele viveu uma felicidade a dois por muitos anos e agora vai ficar sozinho. Filha de romântico, romântica sou, então me compadeço. 

E eu vou perder minha mãe. Aquela que eu reclamei por anos nesse blog, com ou sem razão, e que elogiei muito também, dessa vez sempre com razão. Minha mãe que nunca foi perfeita, só Mônica, que por acaso é minha mãe. Como ela sempre disse.  A que abdicou do maior salário porque teria que alinhar com ideologias que ela era contra. A que, comigo na barriga, fez uma matéria com aqueles pilotos que desligam o avião lá em cima e mandou um "oh, tu não me mata que eu tô grávida". A que prendeu um pedófilo só com o poder da investigação; a que entrevistou mulheres trans para dar voz numa revista quando pouquíssimos faziam isso; a que me chamava para contar um segredo e arrotava na minha orelha. Também quem me passou o primeiro trote. 

Minha mãe soube viver. Viveu como quis, aguentando críticas de todos os lados, e, embora certamente devesse ter olhado mais para si do que para os outros, também soube ser uma amiga incrível para os que tiveram estômago para se aprofundar por sua maneira de falar o que pensava e sentia. Mudou muito, evoluiu muito, sempre foi corajosa o suficiente para deixar de lado aquilo que já não fazia sentido. 

Minha mãe vai morrer brava de estar morrendo, igualzinho o pai dela, Vô Darcy. Ela vai ter mais razão em seus sentimentos, porque vovô foi até uns 90 e tantos, mas sei que ela com 100 iria querer mais 10 anos e assim em diante. Acho que nada prepara para a morte? Pelo menos é o que penso hoje. 

E, com certeza, nada prepara para a morte de alguém que a gente ama. Eu não sei o dia de amanhã, algo que, particularmente, não gosto. Não sei como a vida vai seguir agora, só sei que vai seguir, porque se tem algo que eu acredito é que a melhor forma de honrar os mortos é viver.

Até agora e até onde eu sei, o corpo da minha mãe ainda está entre nós, com ele algumas partes de sua mente, talvez o suficiente para se despedir das minhas irmãs e do meu pai. Eu vou conversar com ela após partir, com cuidado para não estragar as aventuras que quero acreditar que ela terá,  mas o máximo que posso fazer agora é lembrar desse sentimento tão forte que nos une.

Te amo, mamãe. Parta tranquila, ficaremos bem.  

 

 

 

sexta-feira, 13 de junho de 2025

Muitos 13

 Muita correria e pouco tempo para qualquer coisa.

Terminei o primeiro semestre de jornalismo (pela terceira vez), foi bem de boas até então, mas reza uma lenda de que no terceiro semestre o bicho pega. Tanto faz, problema para a Lua do futuro.

Minha mãe melhorou, aí piorou de novo, hoje estive lá e não foi um dos melhores dias. Mas ela ainda está aqui, então a gente não sabe o que o futuro reserva, mas ainda há futuro. 

Hoje foi difícil, tive vontade de chorar enquanto estava lá, não sou de segurar choro, mas fiz. Não vou descrever algo que prefiro não registrar mentalmente (esse lugar serve para isso também), eu lido com muita coisa, mas não consigo lidar com o medo de alguém que está morrendo. Principalmente alguém que, se vivesse 400 anos, gostaria de ter mais 100. 

Eu não estou infeliz e nem totalmente apática, um pouco no automático, sim, mas não apática. A depressão conversa, mas não tem me impedido, embora sempre fique uma dúvida de quanto tempo isso vai durar.

Eu não ando querendo conversar, mas, quando quero, meus amigos estão bem disponíveis e eu agradeço internamente (e por aqui e às vezes para eles, talvez menos do que deveria). Não tenho sido a melhor das amigas e ainda assim eles têm sido muito compreensíveis.  

Cansei de escrever porque não quero escrever o que estou pensando. Vou ser esperançosa e dizer que dias melhores virão, porque, na verdade, virão mesmo.  

domingo, 11 de maio de 2025

Dia das mães

 Mamãe tem os dias contados e não fazemos ideia de quanto tempo isso significa. Estamos todos prontos para passar por isso e, ao mesmo tempo, se ninguém sabe do futuro também podemos ser esperançosos. 

Hoje, dia das mães ou, como dizemos em japonês (piada interna kkkkk) hahanohiwa, encontrei boa parte de quem considero família. Minha mãe tá engraçadíssima, passo a entender de onde surgiu mesmo sendo de humor absurdamente mórbido. Ela é foda. Minha mãe é humana, naturalmente, ela tem medo da morte, do desconhecido, do resto, quem não tem? Mas a bicha é foda. Simplesmente.

Cronologicamente falando, minha mãe trouxe uma família que eu nasci sabendo que era família, mas igualmente sabia não ser de sangue. Nunca liguei para isso, sangue, minha família de agora é a mesma da infância. 

Tenho muito para falar sobre isso mas cansei.

Amo minha mãe. Amo meu pai. Todas as minhas irmãs são mto daora. Minha família sabe quem é, fui avisando aos poucos "oh sangue é fodac para mim, vcs são minhas família superem".

Mas eu gosto dos dias que provam isso. Feliz dia das mães para minha mamãe engraçada, vovó, Kaká, Sheila, Fafá, Bela, Lulu e tvz até eu, vai que o futuro me dá um filho (se isso acontecer ele já está vivo)

quarta-feira, 30 de abril de 2025

Antes que Abril se vá

 Acabei de terminar o livro da Célia, enviei há uns minutos, o prazo terminava hoje mas para quem crê em deus nada é impossível (isso é uma tremenda duma piada pq eu fiquei dias escrevendo até a bunda doer)

Com certeza não sou acostumada a finalizar coisas, tô aqui na primeira cerveja pensando no e agora. Estou feliz, meio incrédula, querendo reforço positivo e contando pra todos meus amigos hihihih

Além disso, nessa semana comecei os simulados das matérias da faculdade, terminados vem as provas e então fim de matéria, sigo pras próximas. Gosto de ver a vida caminhando. 

Não vou me estender mto pq escrevi demaaaaais nos últimos dias, só quero registrar aqui que sim, às vezes eu termino coisas!!!!

quinta-feira, 3 de abril de 2025

Inspirações

 Eu poderia falar sobre como a vida tá mostrando vários caminhos e eu tô tentando aproveitar todos, mas, na verdade, hoje quero escrever como, cursando pela terceira (🙄) vez jornalismo, tenho uma inspiração de trabalho, na prática, que gostaria de fazer. Não sei o quanto a vida vai me permitir escolher, se escolhesse escolheria você. Você, seu careca sagaz que aprendeu a ganhar a vida se divertindo mesmo quando tá de saco cheio: Chico Barney. 

Na primeira tentativa eu queria ser jornalista investigativa e, na minha cabeça, isso era uma junção detetive+policial+mídia. Sou bem mais realista hoje em dia, vai.

sábado, 22 de fevereiro de 2025

Vaiq

 Mas vai ser tudo legal. Nem todo mundo tem estômago, tem bunda mole que gosta de fingir, eu tenho muito pra viver. E longe daqui, porque quero me arriscar, não estudo de besta. Eu sou meio da estrada, essa sou eu, bom ou mau.

Em Curitiba tenho pouco a resolver. Na verdade, meus amigos estão, no geral, muito bem, obrigada.

Só que eu não tô. E vejo meus amigos mais próximos também na merda, nem falo pelo profissional, emocional mesmo, no fim, para quem é corajoso o suficiente para sentir, é o que importa.

Meu ex tava certo quanto falou que sou mãe. Sou mesmo, não posso negar. Não posso fingir não perceber as coisas que percebo. Na verdade posso, mas por que eu faria isso? 

Não vou botar aqui o que penso hoje. Vamos lá, dia a dia, cada vez tentando ser melhor e mais forte.

Essa é uma fase ruim. Sou depressiva, sou suicida, mas não vivo só por mim, sou cínica e, com isso, sobrevivo. O mundo me tira pra merda, eu acredito. Mas eu vou ser melhor do que merda porque sou brava, teimosa e, como sempre digo, suicida. Não vou tratar como fraqueza, vamos na base do cinismo, só para provocar.

Muita coisa vai acontecer esse ano. Tô braba, tô triste, mas tô me movimentando, sou tosca mas mexo sempre, tô fazendo minha vida até naquilo que não tenho controle.

Sirene tocando. Eu aguento o tempo que for aqui, sou capaz de ser feliz em Curitiba. Com todo respeito aos meus amigos, por que eu faria isso? Eu posso não aproveitar tudo de Aracaju ainda, mas é a chance de, talvez, ser aceita por ser eu?

Nunca me senti aceita em Curitiba. Não sou exatamente aceita em Aracaju.

Tenho medo de morrer sozinha, mas tenho um compromisso comigo: quero morrer sendo eu. Sem ser apagada por homem meia boca, sem morrer de medo de mulheres, se precisar morrer só, aqui estou, mais importante é morrer sendo eu.

Vou morrer sozinha por isso. Não cravo, porque o futuro é incerto e me sinto mais aberta, mas, sendo realista, acho que prefiro morrer sozinha do que passar a vida me adaptando. É um mundo masculino, escroto e, se a gente deixar, a gente se acostuma.

100% alcoolizada, amanhã é outro dia.

Lua, não desiste, não. Amanhã é outro dia.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2025

Argh

 Acordei 100% deprimida. Cansada de mim, dos meus vícios, da minha voz de fumante, dessa solidão interminável e, principalmente, desse drama todo.

Minha vontade era pegar a estrada e andar até chegar na minha casa, com meus bichinhos, onde posso me esconder até esquecerem da minha existência. Não quero mais ver ninguém, falar com ninguém, queria sumir em uma nuvem de lembranças.

É ressaca, mas também é essa autoestima destroçada, essa sensação de que tem um problema muito sério comigo, daqueles sem cura. Essa certeza de que eu vou ter que aprender a me amar, porque, daqui até o fim, é todo o amor que vou conhecer. Eu nem quero me amar, queria só sumir, nunca mais ter contato com um ser vivo, quero o caminho fácil, mas que inferno.

Só tenho terapia na segunda e também nem queria falar para ela que tô cansada de tentar. 

Insigth

 Eu busco algum conforto em quem me acompanhou por termos porque a verdade é que acho que ninguém nunca vai ser capaz de entender o que eu vivi até aqui.

Nenhuma vida é normal. E eu nunca achei quem entendesse MINIMAMENTE o que eu vivi entre mundos tão diferentes.

Aaah mas fodac tbm pq ngm teve vida fácil 

Melhor assim

 Eu não sei o que quero, então, pro externo, não quero nada. Mas é uma grande mentira, porque quero muitas coisas. 

Às vezes quero uma família, às vezes quero putaria. Outra mentira, pq só quero putaria enquanto não tenho uma família.

Me pergunto se, um dia, alguém vai gostar de mim. Vejam, eu gosto, hoje não quero mudar, mas parece que sou a única. Desde sempre, parece que só eu luto por mim. Que merda. 

Não vou desistir de mim. 

Hoje tomei uma cervejinha no Chafaz. Andei a João Gualberto do bom jesus pra lá, como fiz tantas e tantas vezes. Foi gostoso, vim ouvindo minhas músicas. Parei la sozinha, como sempre foi, me diverti só até chegar alguém mais, como sempre foi. Caralho, amigos, eu sempre fui muito só???

E a verdade é essa, eu sempre estive com os meus e sempre fui só, cada vez que venho percebo mais. Não é que não sobrou nada para mim aqui, nunca teve. Eu era nova demais para ver que, independente do quando tentasse, nunca seria o suficiente.

As vezes sinto que tô condenada a ser a velha sabia com voz de fumante e zero sex appeal hahaha. 

Tudo que espero é que alguém em Aracaju veja aquilo que ninguém em Curitiba (otários!!!) foi capaz de ver. Eu sou bacana. Não a mais bonita, não a mais legal, mas bacana o suficiente. Sinceramente, na autoestima de merda que tenho, sou capaz de afirmar: pena de quem não vê. 

terça-feira, 18 de fevereiro de 2025

Hoje não morri de calor

 Sempre tem o momento que venho para cá e penso em ficar. É lógico, um ritmo mais de férias e meus amigos se fazendo presente de uma forma que não fariam se eu fosse uma constante aqui. É fácil se enganar, então sei que é ilusão, mas é uma ilusão gostosinha e dá vontade de viver todo dia assim. Mais uma ilusão, lógico, hahah.

Mas eu sei que a realidade é que, salvo algo inesperado, já já eu estou em casa e aqui mais uma vez será um mar de lembranças legais. Não quero que Curitiba seja um mundo de "e se?", quero que minhas possibilidades estejam lá, onde eu moro, onde as pessoas parecem mais comigo (mesmo que elas discordem, meu parâmetro faz sentido e eu sei), onde o clima não tenta me matar (ainda, porque aparentemente o mundo está acabando, porque é mais fácil pensar no fim do mundo do que no fim do capitalismo.

Enfim. Quero registrar coisas engraçadas que, daqui a anos, quero ler e rir:

- dez minutos antes de pegar o Uber para o casamento da Manu, pouco depois de dizer "estou pronta e com tempo", acendi um cigarro e descobri, em minha inexperiência nos mistérios da fabricação da feminilidade, que unha postiça pega fogo. Deu tudo certo no fim, consertei a tempo e já peguei a manhã de acender meus cigarros (já tive unhas reais desse tamanho uiuiui).

- eu e Rodolfo fomos os primeiros a chegar e demos a volta no quarteirão muito chiques só para não fumar um cigarro na igreja.

- ontem vi cinco vespas na luminária da sacada. Hoje tem um vespeiro. Por que me perseguem????

- uma coisa que gosto de viver aqui no contexto de férias são as tempestades de raio. Dão medo, mas são meio deslumbrantes. Mas só em contexto de férias.

- tenho conseguido escrever partes do livro que estava com dificuldade. Cenas românticas não são meu forte, isso é um fato, mas o clima de casamento e juras de amor eterno definitivamente ajudou.

Eu sei que tenho feito muito POST em lista aqui. Tô trabalhando com escrita, aqui faço o que é confortável, tanto que nem reviso (pare de julgar, Lua de 2031 que achou um erro de concordância).

Esse ano quero voltar para faculdade, colocar aparelho (e resolver o bruxismo) e abrir de novo meu coraçãozinho, não preciso me apaixonar, só estar aberta. Fodac os traumas futuros, eu pago terapia e também não sou covarde. E outra, tô entrando pela terceira vez no mesmo curso, eu amo insistir nos erros, heh (mas dessa vez vai, estou com a cabeça no lugar: dinheiro).

Tchauuuu

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2025

Muito romântica

 O casamento da Manu e do Otavio foi lindo. Não só pela cerimônia e festa, mas pela sinceridade de tudo isso, do quererem estar juntos, da esperança no eterno, não por obrigação, por vontade. Aff, acho tudo isso muito fofo. Eu amo o amor, hahaha.

E estou perdendo o medo de me apaixonar. Sei daonde ele veio e estou me fortalecendo, acho que posso me admitir como romântica de novo, afinal. Não quero juntar trapos mais, mas quero sim sentir isso por alguém, e que alguém sinta por mim. É só não ficar metendo os pés pelas mãos, haha.

Eu sei que, finalmente me abrindo, vai acontecer. Me permitir criar laços ajuda. Acho que não estou mais com medo, mesmo que tenha demorado.

Esse ano já beijei umas pessoas legais, haha. Beijo, sexo, nada disso quer dizer muito, na verdade, mas é uma evidência de que estou me permitindo de novo, declaro-me culpada, hahah. 

Estar perto dos amigos me ajuda. Sinto que eles me conhecem a tanto tempo que é fácil, confortável. Não é algo que eu ainda tenha em Aracaju, mas, de novo, me permitindo, o tempo faz o resto.

A vida vai voltar a acontecer esse ano, eu tô animada.


Parabéns, Manu e Otavio. Viva o amor de vocês, que reacende até o meu.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2025

Viva o amor ou uma carta para Manu

Manu, nos conhecemos em 2009, estávamos no ensino médio, com poucos amigos em comum, mas cada uma tinha um grupo de amigos constante e, naturalmente, aconteceu. 

Não somos mais um grupo constante, o que é normal, porque não estamos mais no ensino médio. Mas seguem algumas coisas que, não garanto ordem cronológica, vivi com você:

- muitas, muitas, muitas festas, em muitos lugares

- acampamos em Morretes sem nenhum preparo (mas deu tudo certo)

- corrermos que nem bobas ao redor da minha casa (nem lembro o motivo) e só paramos quando você cortou o pé bem fundo em um caco de vidro escondido

- em outro momento você quebrou o mesmo pé, lá em casa, mesmo que conhecesse minha casa de cór

- andamos de ambulância! Nenhuma de nós jamais esquecerá esse acidente, mas eu, principalmente, nunca vou esquecer você brigando com a enfermeira de que seu dente estava preso no lábio, ela negando, o médico chegando e soltando seu dente e você se tornando super bem humorada imediatamente e tirando selfie gargalhando para mandar para sua mãe.

- também não vou esquecer que isso aconteceu porque você fez questão de me visitar em Matinhos em uma época que eu estava sozinha. Eu já tinha sua amizade em alta conta, mas foi gostoso lembrar que eu não precisava morar em Curitiba para isso, e foi minha primeira prova. Obrigada. 

- lembra quando você me levou para uma festa do Rotary? Acho que foi a primeira vez que viajamos só "nós duas" do nosso grupo de amigos em comum, e pude conhecer mais alguns dos seus amigos, o que é sempre um prazer.

- muitos passeios no parque Bacacheri, muitos aniversários comemorados, milhões de parabéns cantados para Marcos Alan (em um aniversário seu você pediu para o cantor do local puxar um parabéns para ele só de sacanagem)

- acho incrível ter acompanhado sua dedicação ao curso de pilota. Acho incrível que, desde que te conheci, a gente tão jovem, pitica e bobas, você já queria pilotar aviões. E você nunca duvidou, eu também não, como poderia? Quem ousadia duvidar de você quando quer algo? Não sei descrever em palavras quanto te admiro por isso.

- e, para isso, trabalhou. Não falo só do estudo em si, mas a parte prática dele, ganhar dinheiro para viver, estudar. Não estou dizendo que fez isso sozinha, não importa, sempre te vi trabalhando. E, se fosse algo temporário e o prazo acabasse, na semana seguinte você já estava com algo novo. Parada, nunca.

Estava refletindo, se for por em tópicos tudo que vivemos fica grande, vou chegar no que estamos vivendo agora.

Você alcançou seu primeiro sonho. Você estudou, trabalhou, se esforçou, segue se esforçando para viver nos ares (você já caiu demais em terra na minha frente, sei bem que lá é o seu "ambiente natural", hahah. Você pertence ao céu, Manu, às alturas.

Agora, está alcançando um outro sonho: achou alguém que te ama, te respeita e que cola contigo na vida para o que precisar. Alguém que dá uma choradinha ao casar porque sabe que, tão feliz quando você, é ele, que te encontrou. 

Mas esse é só o começo do sonho, Manuu, essa é a parte que mais me anima. Você ainda tem tanto para viver, tenho tanta certeza de que vai ser feliz! Você merece e, se merecimento não for o suficiente (para o mundo às vezes não é), sei que você sempre luta por isso. Enquanto eu puder ajudar nessa luta, estarei ao seu lado, ao lado da sua "velha" e nova família e, ei!, sou sua comadre, nós somos oficialmente família agora!!!

domingo, 9 de fevereiro de 2025

Pensamentos de viagem

 Na maioria do tempo, não tem sido estranho estar em Curitiba, hahaha. Hoje tá um pouco, mas porque meu domingo aqui tá muito diferente do meu domingo em casa (minha mente não me deixa esquecer que não estou em casa, mas é meio desnecessário, essa é um das vezes que tô aqui com mais tranquilidade de ser "férias").

Ainda não tenho passagem de volta, mas, na verdade, não estou especialmente preocupada. Ando com tendência a pensar em uma coisa por vez e, nesse momento, minha prioridade é o casamento da minha querida Manuzinha! Eu não sei dizer para a Manu (embora fale direto) o quão feliz estou por ela, por ver ela feliz, com alguém que ela ama e que é recíproco, alguém que ela se sente cuidada.

E estou romântica como o inferno, o que é péssimo porque são os hormônios, a vibe casamento e o fato de estar em Curitiba onde todo mundo do meu convívio é bonito (e eu lá ando com gente feia? Eu ein!). Mas na verdade são os hormônios mesmo, vou me controlar (ou seja, nada partirá de mim, risos). Lua, sua vagabundinha (elogio).

Amanhã tenho terapia e tô prontinha para minha psicóloga brigar comigo que esse tesão todo não aparece quando tô em casa. Mas ei, tô na promessa de sair mais próximo ano, vou estudar, talvez mudar algum emprego, quero ver se viajo em algum momento, para longe ou perto...

Mas, voltando ao casamento da Manu, que é o assunto que me ronda! Tenho que fazer a bainha do vestido e amanhã quero que a gente deixe o banner tinindo! Quero ajeitar meu cabelo e unhas! Quero garantir que minha amiga tenha o momento dos sonhos, preciso de uma maquiagem que não borre com choro (eu sempre acho que não vou chorar, mas basta alguém chorar que choro junto), preciso comprar um presente para ela, ela já me disse que não precisa, mas caraca, é nessas horas que eu queria ser milionária, eu daria uma casa e um avião para cada um, se pudesse (o avião é mentira porque ninguém precisa de avião particular!!!). Eu me sinto muito honrada em participar disso tudo, Manu é alguém que, amadurecendo, evoluindo, mudando, nunca mudou nossa relação, mesmo que às vezes eu fiquei tímida por medo dela ter esquecido, ela sempre mostra o que sempre mostrou: ela é leal, sempre foi. Amo tanto essa mulher, tô tão feliz por ela! 

O que me lembra que eu queria muito muito fazer um discurso lindo que fizesse todos chorarem. Espero conseguir. 

sábado, 1 de fevereiro de 2025

Inveja de mim

 Botei meu Instagram do Da Igreja Ao Cortiço lá no Bluesky (novo twitter, que Elon Musk exploda em mim pedacinhos, nazistão). Aí fui dar um conferes, né, a página tá desatualizada faz tempo, amo meus quadrinhos, mas, sinceramente, já não lembro muito deles? Hahah o que acaba sendo legal, porque aí leio e penso "ok, você não tem muita técnica de desenho. Mas tu tem ideias legais, sua certinha". 

E teve uma época, quanto eu tava conseguindo toda quinta postar um quadrinho, que eu focava muito na legenda, tirava uma brisa, escrevia o que dava na telha, mas de um jeito que, li hoje para refrescar a memória, me deu inveja, hahah. Inveja de mim!!!

Preciso mesmo me reencontrar, estou morrendo de saudades, meus caros!!!

sexta-feira, 31 de janeiro de 2025

Muitas vozes muitos traumas

 O problema de me reapresentar é que as pessoas conhecem o meu eu de agora, que é vitimista, ainda tá entendendo os traumas e seus reflexos, ainda tá desarmando as minas. 

Eu não escondo essa vulnerabilidade, porque tô aprendendo a aprender com ela. Mas é difícil explicar que é uma fase, que eu não sou essa ameba que me vendo, que é um momento. Eu sei que é um momento, mas às vezes esqueço de avisar os outros de que sei disso.

Vejam, eu temo muito muito minha própria ignorância. Fui punida por tudo que sabia ou deixava de saber, eu nem sei porque fui tão punida, se permiti mesmo tentando evitar, se fui de encontro, sei lá, eu só sei que, desde criança, toda vez que tentei ser eu tive alguém avisando que eu não devia fazer isso. Não sei se eu sou errada e as pessoas me avisam por cuidado, não sei se elas são apenas "opressoras" tentando me boicotar, não acho que a vida seja preto no branco. Mas é um fato: eu fui muito podada na vida, desde criança, naquilo que nem precisava ser podada, naquilo que eu tinha de melhor. Adolescente, fui para o mundo, e aí me podaram de novo, porque esse era o único mundo que eu conhecia, não fazia sentido buscar algo diferente sem nem saber que existe algo diferente. 

Ainda não sei se existe, na verdade. Sei que tenho um objetivo, hoje eu quero ser eu, independente se gostem ou não. Ainda estou descobrindo o que significa ser eu, claro, e acho que isso vai pela vida toda, mas quero bancar minhas posições, como sempre tentei fazer, mas não quero sofrer a represália de um mundo controlador e, no mínimo, tosco. 

Na adolescência eu me achava a super heroína, inquebrável, já passou tempo o suficiente para entender que isso já se foi, que ninguém é inquebrável e tudo bem. Mas ainda tô me reconstruindo, talvez pela primeira vez e, embora eu constantemente tenha raiva ou frustração pela demora em fazer isso, eu conheço meu ritmo. Eu aprendo devagar, mas aprendo bem. Tive que entender isso, principalmente em âmbito profissional. Talvez eu não tenha o ritmo que os outros esperam, mas eu aprendo bem. Eu sei disso.

Tenho tentando manter o equilíbrio. Não sou uma super heroína, não sou uma vítima. Não sei bem quem eu sou no meio de um mundo além do meu controle, mas tenho algumas respostas que nunca mudaram.

Sou escritora. Sou alguém que ama olhar pro céu e identificar constelações. Gosto de cantar alto na praia de noite, onde ninguém me ouça e me atrapalhe ou julgue. Sou impulsiva, com tendências a justiceira, sou capaz de me por em perigo por uma causa social, sei porque já fiz. Sou violenta, mas controlada, sou violenta porque tenho em mim uma chama eterna que, hoje, ainda é raiva. Gosto de identificar bichos, principalmente silvestres. Gosto do meu conhecimento em reconhecer pássaros ou cobras. Sou fã da minha forma de não desistir mesmo querendo muito. Sou lerda no aprendizado, porque quero aprender tintim por tintim, quando aprendo, aprendo direito. Sou tagarela, mas converso mais ainda com meu blog ou com gente morta. Amo meus pais, mesmo sentindo que só sou vista agora, ultimamente, amo eles, mas tenho ressentimento de ter passado a adolescência invisível a eles, mas na rua, vivendo como se o mundo não fosse o que ele é. Tenho ressentimento deles não terem tido paciência comigo, assim como o resto do mundo inteiro parecia não ter, e de ter que ter aprendido por mim mesma que, além de todas as questões que eu lidava e eram pesadas para minha idade, o que eu sentia tinha nome e era depressão, não rebeldia. Sou brava com meus pais que, aos quinze, eu tivesse tantos problemas que eles nem imaginavam e, ainda assim, se falassem liberais e fossem vistos assim pelos meus amigos, que também não podiam falar com os pais deles, mas podiam falar com os meus sobre coisas que eu não podia. 

Sinto que fui muito burra em vários momentos da vida. Em outras horas, sinto que isso é a vida, e a gente vivendo. Hoje Mica brigou comigo pelo jeito que me vejo e me porto, é aquilo, como explicar que eu estou aprendendo agora que eu posso gostar de mim? Eu fui punida a vida inteira por ser eu, isso não é um vitimismo, isso é uma merda de um fato. E eu sei que preciso mudar, preciso mesmo, tenho que deixar essas coisas para traz, mas ainda tô aprendendo que coisas são e o quanto influenciam em mim hoje. Por isso terapia semanal, oh céus. 

Tenho aprendido que essa é parte da minha história. Não ela inteira, porque não sou moinho de vento, mas parte. Talvez eu precise rodar no mesmo lugar até entender como seguir adiante. Eu tô doida para seguir adiante, mas só sei fazer isso tendo coragem de viver dia a dia e, principalmente, pensar sobre mim. Que diabos, amigos!

terça-feira, 28 de janeiro de 2025

Escrevendo pra só depois ver se concordo ou discordo

 Hoje fui com meus pais no hospital para minha mãe tirar sangue, depois no banco para que meu pai pudesse resolver algumas burocracias e eu acompanhava ela deitada no carro (ela precisava estar lá porque a conta é dela). 

Hoje não me importo em largar tudo para o alto e ajudar. Meus pais, hoje em dia, só pedem quando realmente precisar. Antes eles davam uma abusada, e aí eu impunha limites, mas não acho que seja o caso. Era importante ter alguém de suporte ali, e eu não me incomodo de ser essa pessoa enquanto precisar (ainda acho que a situação vai melhorando, mesmo que lentamente, e gosto de lembrar que tudo foi tido como esperado e temporário pelos médicos dela).

Só que viajo no sábado e, embora esteja animada, tô morrendo de medo deles ficarem sozinhos. Meu pai anda meio sobrecarregado, minha mãe não pode ficar sozinha em casa por enquanto, sei lá, queria me dividir em dois.

Mas sei que não posso e vou viver lá de verdade, enquanto estiver lá. Sei que vai dar certo e tals. Mas tô me cagando de medo. Kdjckxjcjxj

De qualquer forma, tô muito feliz de poder viver esse momento com minha amiga maravilhosa Manu.

sábado, 18 de janeiro de 2025

Honestidade

 Eu tô vivendo muita coisa legal, bacana. Tenho tentado focar nelas.

Mas tô há uma semana bebendo cerveja porque não quero admitir que está difícil. Tá difícil para mim, para minha mãe, para meu pai, para quem se preocupa. Eu odeio escrever essas palavras porque eu choro, mas é uma verdade e eu lido melhor com elas, boas ou ruins. 

Eu vou aguentar e isso é só um desabafo, tenho esse espaço para isso. Eu não tô infeliz, ninguém tá, estamos fazendo o melhor que podemos. 

Mas todos queremos que isso acabe, desde que seja da melhor forma. Senão, eu, pelo menos, sigo por anos, se necessário.

Bela

 Que legal.

Bela me ligou, sem aviso, sem nada, atendi e ficamos mais de uma hora batendo papo. Eu nunca tive dúvidas, acho que ela também não, inclusive chegou a comentar o quanto conversaríamos num barzinho. 

Bela conviveu pouco comigo, foi muito nova para os EUA, hoje descobri que, aqui, tentou vestibular nos meus cursos que eu. Sempre me senti conectada com ela de alguma forma, lembro de cada vez que a gente se viu, mesmo maioria sendo muito nova. Mas isso é menos importante do que descobri dela ao crescer e entender no que eu acreditava, e, assim como vejo hoje dos meus sobrinhos lindos de lá, ela tem o que acho mais importante num ser humano: coração no lugar.

Mas o legal é que hoje senti que a gente conversou uma hora porque gostamos uma da outra e o papo estava ótimo, hahaha. Eu realmente quero ir lá esse ano. Como? Sei lá. A palavra é o primeiro passo. 

De Curitiba pro RJ, do. RJ para cá. Mais tarde, daqui para EUA, de lá para Japão. Que sonho bom. 

sexta-feira, 17 de janeiro de 2025

Inversões naturais da vida

Meu pai precisou sair de casa hoje e, como minha mãe ainda tá sentindo forte os efeitos da radioterapia, pediu para eu ir lá, não queria deixar ela sozinha e tals. Tinha umas coisas para fazer, naturalmente, mas fui, tava com saudades da coroa, tenho ido pouco lá porque vou viajar e quero deixar tudo pronto...

E eu sempre saio de lá otimista. Sei que a situação não é simples ou fácil, minha mãe odeia ser alguém que precise usar uma cadeira de rodas num hospital (embora, racionalmente, ela saiba que não existe absolutamente nenhum problema em precisar de um item que foi feito exatamente para ajudar, por uma vida ou por um momento, emocionalmente dói), odeia precisar de ajuda para levantar e lavar as mãos depois de uma manga que, surpreendentemente, ela conseguiu comer, enfim, ela é agitada demais, sempre foi, para uma vida no sofá vendo tv (embora ficar no sofá vendo tv esteja no top 3 de coisas que ela mais gostei de fazer. Massa escolher é diferente, entendo isso). 

A questão é que, aos poucos, sua voz fica mais forte. Beeem aos poucos, tem dias e dias, o apetite aparece (hoje mesmo ela comeu bem, até, para os padrões). Hoje de tarde, embora tenha tido uma manhã difícil ao ir para o hospital buscar a quimio oral, não dormiu, conversamos bastante e, embora ela esteja com certa confusão mental que também é esperada nesse momento pós-radio, ela percebe quando acontece e, em vez de se incomodar ou ficar ansiosa, consegue dar risada. Porque é um momento e vai passar. Foi pior do que ela esperava, mas foi avisado que seria braveza por um tempo, no geral ela costuma das sorte, mas não dá para passar um tratamento forte desses com o único efeito sendo uma eventual perda de cabelo. É mais que isso. 

E passa. Passou das outras vezes e tô confiante de que passe nessa fase mais complicada. Acho muito estranho ver minha mãe sem fome (e por isso volto feliz hoje, que ela comeu legal), querendo levantar e sem conseguir, querendo viver e sem força. É foda. Meu pai tem estado meio sobrecarregado, tá cuidando dela, de uma casa grande, de dois cachorros malucos e dois gatos onde uma é capaz de fazer suas necessidades em qualquer lugar inimaginável menos na caixinha. Eu tô tentando ajudar, mas moro em outra casa, tenho minhas responsabilidades e um limite. Não um limite para a vontade de ajudar, para a capacidade mesmo.

Fico meio nervosa quando penso que vou viajar. Tenho certeza de que todas as cervejas que bebi nessa semana, que não foram poucas, tem a ver com isso. Me assusta ficar longe deles nesse momento. E eu sei que vou, porque minha amiga me quer em um momento importante e eu quero estar lá com ela. Sou eu vivendo minha vida, sei que não tô errada por fazer isso, não se trata de culpa, mas e se acontecer alguma coisa? Odeio pensar que as filhas estarão todas longe ao mesmo tempo.

Fiz um esquema bom para ambos com Iago, ele vai cuidar aqui de casa, dos bichos, quando eu estiver fora. Preciso achar alguém que me passe segurança de acompanhar meus pais também, só em nome da minha ainda existente ansiedade, haha. Eles são adultos, sei que vão ficar bem.

Mas também são idosos e malucos (hahah, consigo ver minha psicóloga revirando os olhos pra mim agora), eu quero estar de olhooooo!!!

Enfim. Lidarei com minhas neuras, vou me divertir na viagem, meus pais vão ficar bem e eu vou voltar para continuar minha vida (é errado porque é falso, mas às vezes eu sinto que minha vida trava e fica parada quando vou para Curitiba). Que nervoso em voltar a viver!

Tenho um rolê com uns amigos amanhã, num lugar que nunca fui e tô animada para conhecer. É difícil hoje em dia sair de casa e fazer isso, mas vou me esforçar e vou, porque sei que vou gostar. 

Volto com novidades, espero!


quarta-feira, 15 de janeiro de 2025

Mais um papo de gênero

 Tenho poucas amigas mulheres que gostam de futebol, não é difícil entender o porquê. Eu já me afastei antes, quando adolescente, porque era um saco querer se divertir e receber um questionário em retorno, com direito a humilhação quando você gagueja qualquer resposta, porque ninguém gosta de ser testado em um momento de lazer.

Em Aracaju, tenho uma amiga que, assim como eu, gosta de conversar sobre isso. Ou gostava, porque o time dela contratou como técnico um cara que só não descrevo os crimes por saber serem ruins o suficiente para não precisar de detalhes. Crimes de gênero. Sabidamente.

Por um tempo rolou um boato de que ele entraria no Flu, lembro de pensar que, se isso acontecesse, eu abandonaria o esporte até não precisar mais topar com ele nas matérias. E isso é uma droga. Homens não se importam com essas coisas, o que não quer dizer que eles estão certos nisso. 

Conversando com minha amiga sobre isso, ainda argumentei que ele nem bom técnico era para justificar isso. É uma frase ruim, porque nada justificaria, mas quis dizer que se trata única e puramente de brotheragem, escárnio, é só sobre isso. E, claro, é um ótimo método para afastar mulheres do futebol. E, afastando do contato, afasta-se as meninas novas que sonham em serem jogadoras, só para dar um mínimo exemplo.

Eu sei que não estou falando nada surpreendente. Uso esse blog para desabafar, e esse assunto está na minha mente. Minha amiga gosta de futebol tanto quanto eu, o time dela aceitou esse técnico merda, não boto minha mão no fogo que o meu não aceitaria. Era só um sim mal dado para eu odiar acompanhar algo que amo, mais uma vez, pelos mesmos motivos de sempre. 


Reflexões sobre gênero

 Uma situação me incomodou essa semana e acho que preciso escrever para identificar exatamente quais foram os incômodos. Alguns são mais óbvios, mas tô achando que tem mais coisa aqui na minha cabecinha.

Meu primeiro incomodo veio com a insistência. Não gosto de sentir meu "não" ser rejeitado, como se eu só pudesse ter escolha quando bate com a escolha do próximo. Não gosto e me irrita. E pressão não funciona comigo, me deixa mais negativa do que disposta a qualquer coisa.

Também não curti que recebi várias mensagens que, tenho forte impressão, não eram nem para mim, eram para outra pessoa ou várias ou para qualquer uma que respondesse. Eu não me incomodo de me relacionar com alguém que também mantenha outras pessoas, desde que estejam todos cientes e de acordo, mas não gosto de me sentir como uma substituta que vai ser chamada quando for conveniente para o próximo. 

Acho feio quem se diz politizado por se relacionar com várias pessoas, mas trata todas igual, sem individualizar quem está na sua frente. A impressão que passa é que somos um harém e ficamos esperando um homem dar a honra de nós escolher. Me poupe? Cada pessoa é uma pessoa, se não for para levar em consideração isso admita que só busca sexo, não é um problema, sabe?

Antes eu achava que estava com certo ciúmes, mas não acredito mais ser isso, acho que tenho percebido que não sou vista nessa relação e que relações assim não são o que tô buscando, já passei muito por isso, não preciso dessa experiência de novo. Acho que tô reconhecendo incômodos que não tô disposta a passar, me faz bem definir esses limites. 

Só fico meio puta de estar passando por isso. Pelo menos tenho total capacidade de encerrar a hora que quiser, e farei. 


domingo, 12 de janeiro de 2025

Janeirando

 Tem um monte de coisa acontecendo e, mesmo que a maioria seja muito legal, me sinto um pouco sobrecarregada.

Vou viajar daqui a pouco, tenho que fazer tanta coisa até lá! Incluindo terminar um livro e os preparativos para o próprio casamento, que tenho umas responsabilidades. E fazer o arranjo de cuidado dos gatos, isso vai ser tão osso 😭.

Amanhã vai ser a primeira terapia do ano, sei que ela vai querer começar a organizar os preparativos para 2025 e eu ainda nem sei quais são. Quer dizer, tenho 7000 objetivos, o ano só começa oficialmente depois de março, tem milhões de coisas fora do meu alcance, enfim, né, é tanta coisa.

E aí vem a minha mãe, que é uma incógnita, tem dia que tá mal, tem dia que tá melhor, eu adoro a ideia da mudança de ares e, ao mesmo tempo, odeio ficar longe dela, sem saber o que vai acontecer nesse tempo. Sou filha dela e, tal qual, odeio não ter o controle das coisas. 

E a vida tá acontecendo, não espera, taí minha menstruação que não me deixa mentir KKKKKK atrapalhou vários rolês que eu tinha essa semana. E tudo bem, semana que vem tá aí, mas é isso, eu não controlo o tempo da vida.

Seguimos. Acho que meu objetivo esse ano é: ser eu mesma, bem ou mal. Aiai.


sexta-feira, 10 de janeiro de 2025

Um post sobre meus sobrinhos de Curitiba e as coisas legais que vivemos nessa vinda deles

 - Meu sobrinho (Sapinho), um ano depois, já se mostra muito mais sagaz, tá naquela fase de criança que só dá risada, mas sabe expressar perfeitamente o que quer ou não quer, acho isso tão legal!

- Minha sobrinha (Peixinho) já tem idade para lembrar de mim e, inclusive, sentir saudades. E ela sente, e eu fico tão feliz. Ela é tão esperta, eu ficaria dias só observando ela (mas, quando estamos juntas, não fico parada por nenhum segundo hahah ela me bota para correr, porque é uma criança e eu sou uma tia legal que bronca)

- Peixinho me perguntou várias coisas de gente que tá se entendendo no mundo. Perguntou sobre nossa configuração familiar (e porque ela tem tanto avô e avó), perguntou sobre eu, Luiza, Zil, contei sobre Bela, enfim, fiquei feliz dela ter confiança de tirar dúvidas comigo, e falei a verdade, mesmo que na linguagem dela.

- Peixinho me chama de tia Lua, esse ano ela descobriu que meu nome também é Mariana, aí começou a me chamar de Mariana única e puramente para sacanear. Achei um senso de humor ótimo, heh. Aí, para o final da estadia, começou a me chamar de Laura (sei lá de onde tirou, mas fez de sacanagem) e eu chamei ela de Manuela, Bruno e Jéssica. Minha sobrinha é engraçada.

- Sapinho agora me abraça sempre que eu abro os braços e descobri que, diferente da DANADA da irmã dele, ele sente cócegas, o que facilita minha vida (mas não exploro muito porque cócegas demais é sacanagem).

- Sapinho é viciado em lobo mau, Peixinho gosta muito de brincar de polícia e cadeia, dominó, chapeuzinho e lobo mau, ela gosta de brincadeiras de representar.

- Minha mãe tinha mania de beliscar a bunda de crianças (filhas e netos), nada maldoso, só implicância, mas Sapinho não gostou. E falou para ela, que prometeu para ele que não faria mais. E Peixinho complementou com um "é parte íntima!". Eu sou tão orgulhosa deles, educação sexual é tão importante e fico feliz demais em ver minha irmã e cunhado cuidando dessa área sem tabus. Me sinto mais segura sobre eles nesse mundo.

- Peixinho em vários momentos ficou triste quando lembrava que estávamos nos despedindo. Eu também fiquei, sinto falta de ter eles mais próximos, acompanhar mais de perto. Mas sou tão grata que eles gostem de mim, hahah, criança é bicho sincero, eles, então, são ensinados a não precisar dissimular nada, o que acho super saudável. Quero que gostem de mim de verdade, não porque "precisam", porque a verdade é que não precisam. Mas eu amo tanto eles e fico tão feliz quando eles mostram que também me amam.

- Expliquei para eles que, em menos de um mês, eu vou lá. Ela perguntou quanto tempo era isso, falei que era pouco, porque é. Vou ver eles já já, e só isso me impede de sofrer de saudades, hahah. 


quinta-feira, 9 de janeiro de 2025

Inícios

 Alguns pensamentos aleatórios, né, dia a dia escrevendo e revisando, não vou pensar para me abrir no meu espaço particular, mesmo que abra para vocês.

Hoje tive uma reunião com minha amiga/chefe e, como sempre, foi ótimo para o profissional e no pessoal. Ela me viu crescer e eu, criança, lembro do que ela viveu. No geral, é uma combinação muito interessante e que deixa minha mãe fingidamente enciumada. 60% do assunto é ela. 

Acho que estou pronta para ser eu. Não tenho total certeza, porque sou uma bundona, mas me sinto mais brava, qualidade puxada da mãe e, equilibrada, das melhores. Também sinto a criatividade do meu pai, que cada dia conheço mais, e isso me deixa feliz. 

E penso na minha irmã Bela, que criou sua família na distância, como escolhi (mas eles vieram atrás, não por mim, mas findaram perto), mas, como eu, sentiu a falta. Sei que sentiu pq, na diferença, temos semelhanças. Me sinto ligada a ela, como qualquer uma das minhas irmãs mais próximas. Mas será que ela sabe? No geral?

Enfim. Papo de bêbada. Acho engraçado que os encontros com Célia me mexam tanto, em um sentido positivo. Eu vi ela engravidar da amiga mais presente que tive aqui quando criança, lembro de tudo, principalmente de brincar com Bia, filha dela, um presente que minha infância me deu. Não sou próxima de Bia hoje em dia por contexto de vida, porque guardo no coração da mesma forma e, sempre que vejo, sinto certo orgulho de ver a mulher que ela se tornou (mesmo que eu não tenha influência nenhuma nisso, é apenas admiração mesmo).

Gosto de gostar das pessoas, lembrar quem esteve comigo, gosto de não ser tão fluida quanto racionalmente gostaria. 

No fim, acho que tô começando a gostar de quem eu sou, bem ou mal. Eba!

sábado, 4 de janeiro de 2025

2025 - a sagaz mulher fumaça metafórica

 Aí, meu cumpádi

Como já dizia o Samuca do Patrulha na Cidade

Quem não reage, rasteja

E eu tô de pé, pupilas dilatadas

Chapado, mas eu sou sagaz

A vida é dura, eu sei

Mas tudo bem, eu sou capaz

Olho nos olhos dos meus filhos

E aí é que o mundo cai

Caminhos tão diferentes, pra que lado que a gente vai?

Matar é algo comum, a vida não tem sentido mais

Ao invés de ser levado por ela, a gente sempre é que corre atrás

Uma coisa é certa: Se paga aqui por tudo que se faz

E o dinheiro compra tudo e te envolve mais, mais, mais

Tá na hora de acordar e manter a cabeça em pé

Vou sair pra trabalhar, defender o meu qualquer

Eu sei muito bem que a vida não é um conto de fada

Eu uso minha cabeça e ela nunca pode tá parada

Não caio em cilada, e ando sempre em frente

Eu não sou de briga, mas protejo a minha gente

Ah, eu queria viajar, mas tá difícil

Tá tranquilo, deixa comigo

Eu acreditava que o mundo caminhasse rumo ao progresso, positividade

Morpheus de Matrix me mostrou toda a verdade

Olhar de um cidadão urbano, urbanóide, grandes cidades

Acostumado a conviver com a miséria, mas nunca com a maldade

Corrupção, ganância, violência, impunidade

Banalização da cultura, a tal falta de liberdade

Abandono da população, do mundo inteiro pelas autoridades

Manutenção do analfabetismo e do desemprego, desigualdade

Tá na hora de acordar e manter a cabeça em pé

Vou sair pra trabalhar, defender o meu qualquer

Eu sei muito bem que a vida não é um conto de fada

Eu uso minha cabeça e ela nunca pode tá parada

Não caio em cilada, e ando sempre em frente

Eu não sou de briga, mas protejo a minha gente

Salve são Jorge, guerreiro que não me deixa cair