sexta-feira, 2 de fevereiro de 2024

Lenços

 


É muito doido estar com 3/4 de irmãs e mamãe e tudo nesse contexto maluco.
Hoje foi o dia de levar com humor e mostrar que lenços são legais, que pessoas ficam bonitas também carecas, que ela não precisa abdicar a autoestima porque seguirá sendo maravilhosa.
Não é fácil, mas, por enquanto, estamos levando do melhor modo que conseguimos. E tá rolando, embora o pior ainda não tenha começado.
Acho que próximo mês já estou em casa, não sei, vai depender de muita coisa e sem a coroa eu não saio daqui. 
Mas eu quero que esse tratamento comece, que a gente veja as coisas melhorarem na prática, com dificuldades que forem, vamos passar tudo que tivermos que passar e eu confio que sairemos felizes disso, todas nós. Acredito mesmo na recuperação da minha mãe, vou seguir acreditando enquanto tiver qualquer tipo de chance e ainda tem muitas. 
Amo minha véa, tão jovem e cheia de saúde, mesmo com esse negócio alienígena se alimentando dela (não quero ofender ninguém, crio metáforas para lidar melhor).
Gosto que ela esteja aqui, no que estou tendo como casa (mais dela do que minha, porém sem energia de nenhuma das duas, o que tenho resolvido aos poucos). Sei lá. Não tem o que dizer. Minha mãe vai ficar bem, é o que posso pensar agora.

quarta-feira, 31 de janeiro de 2024

Obrigada

 Falar para vocês, pudesse eu, tirava essas merdas tudo de quem amo e botava em mim. Não posso, então bora.

É horrível ver minha mãe, que sempre foi uma tora, chorando. É 100% compreensível, não tô dizendo que ela devia agir diferente, mas ver que ela está com problemas e que não temos total controle não é algo fácil para ninguém na minha família. 

Mas esse não é um post triste, porque hoje tivemos um resultado bom em algo que estava dando muito medo, então é um peso a menos nas costas e, por isso, agradeço demais, sem nem dizer o quanto.

Ontem retoquei o cabelo, tava na hora, e talvez um amigo venha aqui, mas ainda não confirmou. Sexta acho que vou no terreiro, mas não mais na raiva, kkkkkkk, ó céus. 

Enfim, relatório curtinho para lembrar no futuro. 

Que os deuses tenham piedade desta nação.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2024

Tombos

Preciso conversar com meus mortos e vou fazer isso na sexta, mas, caramba, que doidera toda é essa, hein?

Vou citar aquela danada, a bíblia, mas nenhuma cruz é demais e etc. Estou tentando, mas seria mais fácil se fosse comigo.

Tô meio puta, meus mortos que aceitem. Eu sei que não é punição e que merdas simplesmente acontecem, mas que tempo ruim, que crise, que merda é essa?

E aí me acalmo. Nada está perdido, o tratamento nem começou, tudo ainda pode terminar bem. É o que eu posso pensar e, bem ou mal, ainda é plausível! 

Tirando forças do cu, caro espaço virtual. Legal ver que essa força existe, mas não quero precisar, não. Vejo o mesmo na minha mãe, forte ela é, mas qual a necessidade?

E de novo o racional, não existe motivo ou porquê, é só seguir e ver no que vai dar. Gosto de que, em todos obstáculos que aparecem, vencemos pela raiva. Só preciso que siga assim, que a constante continue, por que mudar agora?

Fé eu boto, mas também sou pessimista por nascença, é difícil equilibrar. Mas, novamente e quantas vezes forem necessárias, tudo pode acontecer, inclusive as melhores possibilidades. Nada está perdido.

A coroa é porreta e estaremos juntas. Se o caminho pela frente é incerto a gente vai lutar até conseguir o resultado que queremos. 

Vai se foder de levinho, planeta. Mas, se tudo terminar bem, prometo tirar muito disso. 


quinta-feira, 25 de janeiro de 2024

Diário de bordo

 Ok, mamãe começou a fazer os exames iniciais, o primeiro deles não apontou nada anormal, o que já é uma notícia boa nas condições atuais.

Segunda-feira é o exame que considero, por enquanto, o mais importante. O que vai definir se a situações tá localizada ou espalhada, e, caramba, eu vou chorar esses dias tudo para aguentar firme a resposta que for. Pudesse eu, trocaria fácil de lugar com a minha coroa, como é ruim ver alguém que a gente ama tanto passando por tanta coisa, e ainda em um momento desses, onde a vida dela ia dar um salto tão positivo.

Enfim, merdas acontecem. Eu estou tentando ficar otimista, até porque ainda tenho razões para isso. Nada está perdido e as paradas importantes estão caminhando rápido. 

Ontem eu vi um pica-pau de cabeça vermelha comendo fruta no chão. Também conheci um senhor chamado Jesus e ele foi algo muito impactante no meu dia, apenas por estar ali e presente. 

Estar em Curitiba é muito estranho. Pelo menos ontem pude ver o Kinhus e hoje passei o dia brincando com a Peixinho, que tá cada dia mais surpreendentemente sagaz, como crianças geralmente são.

Congelei todos meus problemas sociais. Tudo relacionado aos outros vai ficar para depois, escolha minha, só penso na saúde da minha mãe e no conforto do meu cachorro agora, minhas preocupações estão todas aí. Quero tanto que isso acabe da melhor forma logo.

Ganhei a camiseta do Flu do Cartola, tão linda, ganhei de presente e foi inesperado e gratuitamente gentil, e tenho vivido muito disso, não posso reclamar. A vida não tá sendo muito gentil, mas as pessoas a minha volta, aquelas que querem meu bem ou até nem me conhecem, eu tenho tido sorte e, por isso, agradeço.

Tô me sentindo muito cuidada pelos meus mortos, espero que eles cuidem da minha mãe também. Quero ela saudável comigo por mais tempo. 

domingo, 21 de janeiro de 2024

Passando

 Os dias estão corridos e confusos, me sinto muito presente e, contraditoriamente, fora do corpo desde que cheguei.

Estou na segunda cerveja, Pedrinho e Amanda vieram aqui, minha mãe passou o fim de semana aqui em casa e foi embora de tardezinha.

Hoje nós andamos um tanto, a ideia era achar um mercado e o que arriscamos primeiros estava fechado, fomos para o do outro lado e rolou. Ontem andamos daqui até o shopping São José, longe, viu, mas qualquer tempo com ela tem sido importante.

Vamos falamos claramente aqui, porque ainda é meu espaço. Eu não acho que minha mãe esteja morrendo. Câncer. Palavra de merda. Mas vamos lá. Racionalmente eu acho as chances boas e, no fim, tudo isso já trouxe algo de positivo para ela, mesmo que o contexto geral seja um cu e etc.

Emocionalmente eu tenho medo de que minha mãe morra. Não tenho vocação para dissimular, ela sabe desse medo e, lógico, também sente. É como eu disse, não acho que vai acontecer, não agora e não por isso, mas diariamente ter que me confrontar com a mortalidade de todos nós, principalmente de alguém que amo tanto, não é exatamente confortável.

Eu estou morando em Curitiba. Minha psicóloga não vai gostar de ouvir isso, eu também não gosto, mas, enquanto eu não tive nem uma previsão de data de volta, é aqui que vivo e sobrevivo. Aqui, e não em casa. E eu não vou sofrer por isso, porque nada sobre esse momento é sobre mim e eu estou 100% ok com isso. Estou com saudade de casa e quero voltar, mas só vou ser feliz voltando com tudo isso resolvido.

Sofro pelos meus bichos e pela força-tarefa de amigos em Aracaju, não faço IDEIA de como vou retribuir eles, mas vou me esforçar muito para descobrir, eu não sei o que faria sem o pessoal cuidando da minha vida lá por mim. Passei os últimos anos tentando descobrir quem estava do meu lado ou não e, pelo bem ou pelo mal, a resposta tá cada vez mais clara, e eu tenho amigos muito bons, são poucos e tão tão bons. 

Mais uma semana, amanhã tenho - amém - terapia. Hoje pintei minhas unhas e estou feliz com isso. Tentando lembrar de olhar um pouquinho para mim também. Mas é como eu disse, caramba, foda-se eu no momento. Só no momento.

quinta-feira, 18 de janeiro de 2024

Chorinho

 ô Juracir, me diga, por favor, onde é que foi parar tudo que chamei de amor

fico a pensar se não posso enlouquecer, você uma história a contar, outra que eu fui viver, Juracir

Eu não sei mais como ao povo me provar, estou cansada de tentar, caminho e vou para onde der

Eu levo alguns, outros eu deixo pra trás, sinto mas não sou capaz de me moldar pro que vier

Eu quero conquistar um mundo e sabendo onde piso, pinto e canto, me divirto, mas também sei de chorar

Se necessário, quando a chuva passar, ô Juracir, eu chego ou não, só não viva a esperar, eu tô aqui, aqui eu tô, mas você não sei se está



quarta-feira, 17 de janeiro de 2024

Mente

 Olha, a vida tá uma doidera, mas, pela primeira vez em mais tempo do que posso lembrar (ou talvez nunca), eu estou gostando de mim.

Saí hoje para ir no Posto, dei uma andada por SJP, sei, no fim, vou ficar no Paraná mais tempo do que gostaria, mas tudo bem não ter essa controle, o que posso escolher é tentar gostar.

Estou tentando trazer para cá a minha rotina de Aracaju em vez de me moldar ao formato curitibano. Tô tentando continuar tocando meus projetos, mesmo longe de casa e sentindo ser mais difícil assim. Esse apto que eu tô é esquisito, não tenho nem geladeira ou fogão, mas tem uma vista prumas árvores muito muito bonitas e a cadela do vizinho também se chama Lua, hahaha.

Enfim, seguirei, preciso ter paciência comigo nesse momento maluco ou não vou ser a ajuda que quero ser, e aí de nada adianta estar aqui. Mas tô feliz. Não falo do futuro mas, por agora, eu tô conseguindo.