sábado, 18 de janeiro de 2025

Honestidade

 Eu tô vivendo muita coisa legal, bacana. Tenho tentado focar nelas.

Mas tô há uma semana bebendo cerveja porque não quero admitir que está difícil. Tá difícil para mim, para minha mãe, para meu pai, para quem se preocupa. Eu odeio escrever essas palavras porque eu choro, mas é uma verdade e eu lido melhor com elas, boas ou ruins. 

Eu vou aguentar e isso é só um desabafo, tenho esse espaço para isso. Eu não tô infeliz, ninguém tá, estamos fazendo o melhor que podemos. 

Mas todos queremos que isso acabe, desde que seja da melhor forma. Senão, eu, pelo menos, sigo por anos, se necessário.

Bela

 Que legal.

Bela me ligou, sem aviso, sem nada, atendi e ficamos mais de uma hora batendo papo. Eu nunca tive dúvidas, acho que ela também não, inclusive chegou a comentar o quanto conversaríamos num barzinho. 

Bela conviveu pouco comigo, foi muito nova para os EUA, hoje descobri que, aqui, tentou vestibular nos meus cursos que eu. Sempre me senti conectada com ela de alguma forma, lembro de cada vez que a gente se viu, mesmo maioria sendo muito nova. Mas isso é menos importante do que descobri dela ao crescer e entender no que eu acreditava, e, assim como vejo hoje dos meus sobrinhos lindos de lá, ela tem o que acho mais importante num ser humano: coração no lugar.

Mas o legal é que hoje senti que a gente conversou uma hora porque gostamos uma da outra e o papo estava ótimo, hahaha. Eu realmente quero ir lá esse ano. Como? Sei lá. A palavra é o primeiro passo. 

De Curitiba pro RJ, do. RJ para cá. Mais tarde, daqui para EUA, de lá para Japão. Que sonho bom. 

sexta-feira, 17 de janeiro de 2025

Inversões naturais da vida

Meu pai precisou sair de casa hoje e, como minha mãe ainda tá sentindo forte os efeitos da radioterapia, pediu para eu ir lá, não queria deixar ela sozinha e tals. Tinha umas coisas para fazer, naturalmente, mas fui, tava com saudades da coroa, tenho ido pouco lá porque vou viajar e quero deixar tudo pronto...

E eu sempre saio de lá otimista. Sei que a situação não é simples ou fácil, minha mãe odeia ser alguém que precise usar uma cadeira de rodas num hospital (embora, racionalmente, ela saiba que não existe absolutamente nenhum problema em precisar de um item que foi feito exatamente para ajudar, por uma vida ou por um momento, emocionalmente dói), odeia precisar de ajuda para levantar e lavar as mãos depois de uma manga que, surpreendentemente, ela conseguiu comer, enfim, ela é agitada demais, sempre foi, para uma vida no sofá vendo tv (embora ficar no sofá vendo tv esteja no top 3 de coisas que ela mais gostei de fazer. Massa escolher é diferente, entendo isso). 

A questão é que, aos poucos, sua voz fica mais forte. Beeem aos poucos, tem dias e dias, o apetite aparece (hoje mesmo ela comeu bem, até, para os padrões). Hoje de tarde, embora tenha tido uma manhã difícil ao ir para o hospital buscar a quimio oral, não dormiu, conversamos bastante e, embora ela esteja com certa confusão mental que também é esperada nesse momento pós-radio, ela percebe quando acontece e, em vez de se incomodar ou ficar ansiosa, consegue dar risada. Porque é um momento e vai passar. Foi pior do que ela esperava, mas foi avisado que seria braveza por um tempo, no geral ela costuma das sorte, mas não dá para passar um tratamento forte desses com o único efeito sendo uma eventual perda de cabelo. É mais que isso. 

E passa. Passou das outras vezes e tô confiante de que passe nessa fase mais complicada. Acho muito estranho ver minha mãe sem fome (e por isso volto feliz hoje, que ela comeu legal), querendo levantar e sem conseguir, querendo viver e sem força. É foda. Meu pai tem estado meio sobrecarregado, tá cuidando dela, de uma casa grande, de dois cachorros malucos e dois gatos onde uma é capaz de fazer suas necessidades em qualquer lugar inimaginável menos na caixinha. Eu tô tentando ajudar, mas moro em outra casa, tenho minhas responsabilidades e um limite. Não um limite para a vontade de ajudar, para a capacidade mesmo.

Fico meio nervosa quando penso que vou viajar. Tenho certeza de que todas as cervejas que bebi nessa semana, que não foram poucas, tem a ver com isso. Me assusta ficar longe deles nesse momento. E eu sei que vou, porque minha amiga me quer em um momento importante e eu quero estar lá com ela. Sou eu vivendo minha vida, sei que não tô errada por fazer isso, não se trata de culpa, mas e se acontecer alguma coisa? Odeio pensar que as filhas estarão todas longe ao mesmo tempo.

Fiz um esquema bom para ambos com Iago, ele vai cuidar aqui de casa, dos bichos, quando eu estiver fora. Preciso achar alguém que me passe segurança de acompanhar meus pais também, só em nome da minha ainda existente ansiedade, haha. Eles são adultos, sei que vão ficar bem.

Mas também são idosos e malucos (hahah, consigo ver minha psicóloga revirando os olhos pra mim agora), eu quero estar de olhooooo!!!

Enfim. Lidarei com minhas neuras, vou me divertir na viagem, meus pais vão ficar bem e eu vou voltar para continuar minha vida (é errado porque é falso, mas às vezes eu sinto que minha vida trava e fica parada quando vou para Curitiba). Que nervoso em voltar a viver!

Tenho um rolê com uns amigos amanhã, num lugar que nunca fui e tô animada para conhecer. É difícil hoje em dia sair de casa e fazer isso, mas vou me esforçar e vou, porque sei que vou gostar. 

Volto com novidades, espero!


quarta-feira, 15 de janeiro de 2025

Mais um papo de gênero

 Tenho poucas amigas mulheres que gostam de futebol, não é difícil entender o porquê. Eu já me afastei antes, quando adolescente, porque era um saco querer se divertir e receber um questionário em retorno, com direito a humilhação quando você gagueja qualquer resposta, porque ninguém gosta de ser testado em um momento de lazer.

Em Aracaju, tenho uma amiga que, assim como eu, gosta de conversar sobre isso. Ou gostava, porque o time dela contratou como técnico um cara que só não descrevo os crimes por saber serem ruins o suficiente para não precisar de detalhes. Crimes de gênero. Sabidamente.

Por um tempo rolou um boato de que ele entraria no Flu, lembro de pensar que, se isso acontecesse, eu abandonaria o esporte até não precisar mais topar com ele nas matérias. E isso é uma droga. Homens não se importam com essas coisas, o que não quer dizer que eles estão certos nisso. 

Conversando com minha amiga sobre isso, ainda argumentei que ele nem bom técnico era para justificar isso. É uma frase ruim, porque nada justificaria, mas quis dizer que se trata única e puramente de brotheragem, escárnio, é só sobre isso. E, claro, é um ótimo método para afastar mulheres do futebol. E, afastando do contato, afasta-se as meninas novas que sonham em serem jogadoras, só para dar um mínimo exemplo.

Eu sei que não estou falando nada surpreendente. Uso esse blog para desabafar, e esse assunto está na minha mente. Minha amiga gosta de futebol tanto quanto eu, o time dela aceitou esse técnico merda, não boto minha mão no fogo que o meu não aceitaria. Era só um sim mal dado para eu odiar acompanhar algo que amo, mais uma vez, pelos mesmos motivos de sempre. 


Reflexões sobre gênero

 Uma situação me incomodou essa semana e acho que preciso escrever para identificar exatamente quais foram os incômodos. Alguns são mais óbvios, mas tô achando que tem mais coisa aqui na minha cabecinha.

Meu primeiro incomodo veio com a insistência. Não gosto de sentir meu "não" ser rejeitado, como se eu só pudesse ter escolha quando bate com a escolha do próximo. Não gosto e me irrita. E pressão não funciona comigo, me deixa mais negativa do que disposta a qualquer coisa.

Também não curti que recebi várias mensagens que, tenho forte impressão, não eram nem para mim, eram para outra pessoa ou várias ou para qualquer uma que respondesse. Eu não me incomodo de me relacionar com alguém que também mantenha outras pessoas, desde que estejam todos cientes e de acordo, mas não gosto de me sentir como uma substituta que vai ser chamada quando for conveniente para o próximo. 

Acho feio quem se diz politizado por se relacionar com várias pessoas, mas trata todas igual, sem individualizar quem está na sua frente. A impressão que passa é que somos um harém e ficamos esperando um homem dar a honra de nós escolher. Me poupe? Cada pessoa é uma pessoa, se não for para levar em consideração isso admita que só busca sexo, não é um problema, sabe?

Antes eu achava que estava com certo ciúmes, mas não acredito mais ser isso, acho que tenho percebido que não sou vista nessa relação e que relações assim não são o que tô buscando, já passei muito por isso, não preciso dessa experiência de novo. Acho que tô reconhecendo incômodos que não tô disposta a passar, me faz bem definir esses limites. 

Só fico meio puta de estar passando por isso. Pelo menos tenho total capacidade de encerrar a hora que quiser, e farei. 


domingo, 12 de janeiro de 2025

Janeirando

 Tem um monte de coisa acontecendo e, mesmo que a maioria seja muito legal, me sinto um pouco sobrecarregada.

Vou viajar daqui a pouco, tenho que fazer tanta coisa até lá! Incluindo terminar um livro e os preparativos para o próprio casamento, que tenho umas responsabilidades. E fazer o arranjo de cuidado dos gatos, isso vai ser tão osso 😭.

Amanhã vai ser a primeira terapia do ano, sei que ela vai querer começar a organizar os preparativos para 2025 e eu ainda nem sei quais são. Quer dizer, tenho 7000 objetivos, o ano só começa oficialmente depois de março, tem milhões de coisas fora do meu alcance, enfim, né, é tanta coisa.

E aí vem a minha mãe, que é uma incógnita, tem dia que tá mal, tem dia que tá melhor, eu adoro a ideia da mudança de ares e, ao mesmo tempo, odeio ficar longe dela, sem saber o que vai acontecer nesse tempo. Sou filha dela e, tal qual, odeio não ter o controle das coisas. 

E a vida tá acontecendo, não espera, taí minha menstruação que não me deixa mentir KKKKKK atrapalhou vários rolês que eu tinha essa semana. E tudo bem, semana que vem tá aí, mas é isso, eu não controlo o tempo da vida.

Seguimos. Acho que meu objetivo esse ano é: ser eu mesma, bem ou mal. Aiai.


sexta-feira, 10 de janeiro de 2025

Um post sobre meus sobrinhos de Curitiba e as coisas legais que vivemos nessa vinda deles

 - Meu sobrinho (Sapinho), um ano depois, já se mostra muito mais sagaz, tá naquela fase de criança que só dá risada, mas sabe expressar perfeitamente o que quer ou não quer, acho isso tão legal!

- Minha sobrinha (Peixinho) já tem idade para lembrar de mim e, inclusive, sentir saudades. E ela sente, e eu fico tão feliz. Ela é tão esperta, eu ficaria dias só observando ela (mas, quando estamos juntas, não fico parada por nenhum segundo hahah ela me bota para correr, porque é uma criança e eu sou uma tia legal que bronca)

- Peixinho me perguntou várias coisas de gente que tá se entendendo no mundo. Perguntou sobre nossa configuração familiar (e porque ela tem tanto avô e avó), perguntou sobre eu, Luiza, Zil, contei sobre Bela, enfim, fiquei feliz dela ter confiança de tirar dúvidas comigo, e falei a verdade, mesmo que na linguagem dela.

- Peixinho me chama de tia Lua, esse ano ela descobriu que meu nome também é Mariana, aí começou a me chamar de Mariana única e puramente para sacanear. Achei um senso de humor ótimo, heh. Aí, para o final da estadia, começou a me chamar de Laura (sei lá de onde tirou, mas fez de sacanagem) e eu chamei ela de Manuela, Bruno e Jéssica. Minha sobrinha é engraçada.

- Sapinho agora me abraça sempre que eu abro os braços e descobri que, diferente da DANADA da irmã dele, ele sente cócegas, o que facilita minha vida (mas não exploro muito porque cócegas demais é sacanagem).

- Sapinho é viciado em lobo mau, Peixinho gosta muito de brincar de polícia e cadeia, dominó, chapeuzinho e lobo mau, ela gosta de brincadeiras de representar.

- Minha mãe tinha mania de beliscar a bunda de crianças (filhas e netos), nada maldoso, só implicância, mas Sapinho não gostou. E falou para ela, que prometeu para ele que não faria mais. E Peixinho complementou com um "é parte íntima!". Eu sou tão orgulhosa deles, educação sexual é tão importante e fico feliz demais em ver minha irmã e cunhado cuidando dessa área sem tabus. Me sinto mais segura sobre eles nesse mundo.

- Peixinho em vários momentos ficou triste quando lembrava que estávamos nos despedindo. Eu também fiquei, sinto falta de ter eles mais próximos, acompanhar mais de perto. Mas sou tão grata que eles gostem de mim, hahah, criança é bicho sincero, eles, então, são ensinados a não precisar dissimular nada, o que acho super saudável. Quero que gostem de mim de verdade, não porque "precisam", porque a verdade é que não precisam. Mas eu amo tanto eles e fico tão feliz quando eles mostram que também me amam.

- Expliquei para eles que, em menos de um mês, eu vou lá. Ela perguntou quanto tempo era isso, falei que era pouco, porque é. Vou ver eles já já, e só isso me impede de sofrer de saudades, hahah.