sexta-feira, 14 de fevereiro de 2025

Viva o amor ou uma carta para Manu

Manu, nos conhecemos em 2009, estávamos no ensino médio, com poucos amigos em comum, mas cada uma tinha um grupo de amigos constante e, naturalmente, aconteceu. 

Não somos mais um grupo constante, o que é normal, porque não estamos mais no ensino médio. Mas seguem algumas coisas que, não garanto ordem cronológica, vivi com você:

- muitas, muitas, muitas festas, em muitos lugares

- acampamos em Morretes sem nenhum preparo (mas deu tudo certo)

- corrermos que nem bobas ao redor da minha casa (nem lembro o motivo) e só paramos quando você cortou o pé bem fundo em um caco de vidro escondido

- em outro momento você quebrou o mesmo pé, lá em casa, mesmo que conhecesse minha casa de cór

- andamos de ambulância! Nenhuma de nós jamais esquecerá esse acidente, mas eu, principalmente, nunca vou esquecer você brigando com a enfermeira de que seu dente estava preso no lábio, ela negando, o médico chegando e soltando seu dente e você se tornando super bem humorada imediatamente e tirando selfie gargalhando para mandar para sua mãe.

- também não vou esquecer que isso aconteceu porque você fez questão de me visitar em Matinhos em uma época que eu estava sozinha. Eu já tinha sua amizade em alta conta, mas foi gostoso lembrar que eu não precisava morar em Curitiba para isso, e foi minha primeira prova. Obrigada. 

- lembra quando você me levou para uma festa do Rotary? Acho que foi a primeira vez que viajamos só "nós duas" do nosso grupo de amigos em comum, e pude conhecer mais alguns dos seus amigos, o que é sempre um prazer.

- muitos passeios no parque Bacacheri, muitos aniversários comemorados, milhões de parabéns cantados para Marcos Alan (em um aniversário seu você pediu para o cantor do local puxar um parabéns para ele só de sacanagem)

- acho incrível ter acompanhado sua dedicação ao curso de pilota. Acho incrível que, desde que te conheci, a gente tão jovem, pitica e bobas, você já queria pilotar aviões. E você nunca duvidou, eu também não, como poderia? Quem ousadia duvidar de você quando quer algo? Não sei descrever em palavras quanto te admiro por isso.

- e, para isso, trabalhou. Não falo só do estudo em si, mas a parte prática dele, ganhar dinheiro para viver, estudar. Não estou dizendo que fez isso sozinha, não importa, sempre te vi trabalhando. E, se fosse algo temporário e o prazo acabasse, na semana seguinte você já estava com algo novo. Parada, nunca.

Estava refletindo, se for por em tópicos tudo que vivemos fica grande, vou chegar no que estamos vivendo agora.

Você alcançou seu primeiro sonho. Você estudou, trabalhou, se esforçou, segue se esforçando para viver nos ares (você já caiu demais em terra na minha frente, sei bem que lá é o seu "ambiente natural", hahah. Você pertence ao céu, Manu, às alturas.

Agora, está alcançando um outro sonho: achou alguém que te ama, te respeita e que cola contigo na vida para o que precisar. Alguém que dá uma choradinha ao casar porque sabe que, tão feliz quando você, é ele, que te encontrou. 

Mas esse é só o começo do sonho, Manuu, essa é a parte que mais me anima. Você ainda tem tanto para viver, tenho tanta certeza de que vai ser feliz! Você merece e, se merecimento não for o suficiente (para o mundo às vezes não é), sei que você sempre luta por isso. Enquanto eu puder ajudar nessa luta, estarei ao seu lado, ao lado da sua "velha" e nova família e, ei!, sou sua comadre, nós somos oficialmente família agora!!!

domingo, 9 de fevereiro de 2025

Pensamentos de viagem

 Na maioria do tempo, não tem sido estranho estar em Curitiba, hahaha. Hoje tá um pouco, mas porque meu domingo aqui tá muito diferente do meu domingo em casa (minha mente não me deixa esquecer que não estou em casa, mas é meio desnecessário, essa é um das vezes que tô aqui com mais tranquilidade de ser "férias").

Ainda não tenho passagem de volta, mas, na verdade, não estou especialmente preocupada. Ando com tendência a pensar em uma coisa por vez e, nesse momento, minha prioridade é o casamento da minha querida Manuzinha! Eu não sei dizer para a Manu (embora fale direto) o quão feliz estou por ela, por ver ela feliz, com alguém que ela ama e que é recíproco, alguém que ela se sente cuidada.

E estou romântica como o inferno, o que é péssimo porque são os hormônios, a vibe casamento e o fato de estar em Curitiba onde todo mundo do meu convívio é bonito (e eu lá ando com gente feia? Eu ein!). Mas na verdade são os hormônios mesmo, vou me controlar (ou seja, nada partirá de mim, risos). Lua, sua vagabundinha (elogio).

Amanhã tenho terapia e tô prontinha para minha psicóloga brigar comigo que esse tesão todo não aparece quando tô em casa. Mas ei, tô na promessa de sair mais próximo ano, vou estudar, talvez mudar algum emprego, quero ver se viajo em algum momento, para longe ou perto...

Mas, voltando ao casamento da Manu, que é o assunto que me ronda! Tenho que fazer a bainha do vestido e amanhã quero que a gente deixe o banner tinindo! Quero ajeitar meu cabelo e unhas! Quero garantir que minha amiga tenha o momento dos sonhos, preciso de uma maquiagem que não borre com choro (eu sempre acho que não vou chorar, mas basta alguém chorar que choro junto), preciso comprar um presente para ela, ela já me disse que não precisa, mas caraca, é nessas horas que eu queria ser milionária, eu daria uma casa e um avião para cada um, se pudesse (o avião é mentira porque ninguém precisa de avião particular!!!). Eu me sinto muito honrada em participar disso tudo, Manu é alguém que, amadurecendo, evoluindo, mudando, nunca mudou nossa relação, mesmo que às vezes eu fiquei tímida por medo dela ter esquecido, ela sempre mostra o que sempre mostrou: ela é leal, sempre foi. Amo tanto essa mulher, tô tão feliz por ela! 

O que me lembra que eu queria muito muito fazer um discurso lindo que fizesse todos chorarem. Espero conseguir. 

sábado, 1 de fevereiro de 2025

Inveja de mim

 Botei meu Instagram do Da Igreja Ao Cortiço lá no Bluesky (novo twitter, que Elon Musk exploda em mim pedacinhos, nazistão). Aí fui dar um conferes, né, a página tá desatualizada faz tempo, amo meus quadrinhos, mas, sinceramente, já não lembro muito deles? Hahah o que acaba sendo legal, porque aí leio e penso "ok, você não tem muita técnica de desenho. Mas tu tem ideias legais, sua certinha". 

E teve uma época, quanto eu tava conseguindo toda quinta postar um quadrinho, que eu focava muito na legenda, tirava uma brisa, escrevia o que dava na telha, mas de um jeito que, li hoje para refrescar a memória, me deu inveja, hahah. Inveja de mim!!!

Preciso mesmo me reencontrar, estou morrendo de saudades, meus caros!!!

sexta-feira, 31 de janeiro de 2025

Muitas vozes muitos traumas

 O problema de me reapresentar é que as pessoas conhecem o meu eu de agora, que é vitimista, ainda tá entendendo os traumas e seus reflexos, ainda tá desarmando as minas. 

Eu não escondo essa vulnerabilidade, porque tô aprendendo a aprender com ela. Mas é difícil explicar que é uma fase, que eu não sou essa ameba que me vendo, que é um momento. Eu sei que é um momento, mas às vezes esqueço de avisar os outros de que sei disso.

Vejam, eu temo muito muito minha própria ignorância. Fui punida por tudo que sabia ou deixava de saber, eu nem sei porque fui tão punida, se permiti mesmo tentando evitar, se fui de encontro, sei lá, eu só sei que, desde criança, toda vez que tentei ser eu tive alguém avisando que eu não devia fazer isso. Não sei se eu sou errada e as pessoas me avisam por cuidado, não sei se elas são apenas "opressoras" tentando me boicotar, não acho que a vida seja preto no branco. Mas é um fato: eu fui muito podada na vida, desde criança, naquilo que nem precisava ser podada, naquilo que eu tinha de melhor. Adolescente, fui para o mundo, e aí me podaram de novo, porque esse era o único mundo que eu conhecia, não fazia sentido buscar algo diferente sem nem saber que existe algo diferente. 

Ainda não sei se existe, na verdade. Sei que tenho um objetivo, hoje eu quero ser eu, independente se gostem ou não. Ainda estou descobrindo o que significa ser eu, claro, e acho que isso vai pela vida toda, mas quero bancar minhas posições, como sempre tentei fazer, mas não quero sofrer a represália de um mundo controlador e, no mínimo, tosco. 

Na adolescência eu me achava a super heroína, inquebrável, já passou tempo o suficiente para entender que isso já se foi, que ninguém é inquebrável e tudo bem. Mas ainda tô me reconstruindo, talvez pela primeira vez e, embora eu constantemente tenha raiva ou frustração pela demora em fazer isso, eu conheço meu ritmo. Eu aprendo devagar, mas aprendo bem. Tive que entender isso, principalmente em âmbito profissional. Talvez eu não tenha o ritmo que os outros esperam, mas eu aprendo bem. Eu sei disso.

Tenho tentando manter o equilíbrio. Não sou uma super heroína, não sou uma vítima. Não sei bem quem eu sou no meio de um mundo além do meu controle, mas tenho algumas respostas que nunca mudaram.

Sou escritora. Sou alguém que ama olhar pro céu e identificar constelações. Gosto de cantar alto na praia de noite, onde ninguém me ouça e me atrapalhe ou julgue. Sou impulsiva, com tendências a justiceira, sou capaz de me por em perigo por uma causa social, sei porque já fiz. Sou violenta, mas controlada, sou violenta porque tenho em mim uma chama eterna que, hoje, ainda é raiva. Gosto de identificar bichos, principalmente silvestres. Gosto do meu conhecimento em reconhecer pássaros ou cobras. Sou fã da minha forma de não desistir mesmo querendo muito. Sou lerda no aprendizado, porque quero aprender tintim por tintim, quando aprendo, aprendo direito. Sou tagarela, mas converso mais ainda com meu blog ou com gente morta. Amo meus pais, mesmo sentindo que só sou vista agora, ultimamente, amo eles, mas tenho ressentimento de ter passado a adolescência invisível a eles, mas na rua, vivendo como se o mundo não fosse o que ele é. Tenho ressentimento deles não terem tido paciência comigo, assim como o resto do mundo inteiro parecia não ter, e de ter que ter aprendido por mim mesma que, além de todas as questões que eu lidava e eram pesadas para minha idade, o que eu sentia tinha nome e era depressão, não rebeldia. Sou brava com meus pais que, aos quinze, eu tivesse tantos problemas que eles nem imaginavam e, ainda assim, se falassem liberais e fossem vistos assim pelos meus amigos, que também não podiam falar com os pais deles, mas podiam falar com os meus sobre coisas que eu não podia. 

Sinto que fui muito burra em vários momentos da vida. Em outras horas, sinto que isso é a vida, e a gente vivendo. Hoje Mica brigou comigo pelo jeito que me vejo e me porto, é aquilo, como explicar que eu estou aprendendo agora que eu posso gostar de mim? Eu fui punida a vida inteira por ser eu, isso não é um vitimismo, isso é uma merda de um fato. E eu sei que preciso mudar, preciso mesmo, tenho que deixar essas coisas para traz, mas ainda tô aprendendo que coisas são e o quanto influenciam em mim hoje. Por isso terapia semanal, oh céus. 

Tenho aprendido que essa é parte da minha história. Não ela inteira, porque não sou moinho de vento, mas parte. Talvez eu precise rodar no mesmo lugar até entender como seguir adiante. Eu tô doida para seguir adiante, mas só sei fazer isso tendo coragem de viver dia a dia e, principalmente, pensar sobre mim. Que diabos, amigos!

terça-feira, 28 de janeiro de 2025

Escrevendo pra só depois ver se concordo ou discordo

 Hoje fui com meus pais no hospital para minha mãe tirar sangue, depois no banco para que meu pai pudesse resolver algumas burocracias e eu acompanhava ela deitada no carro (ela precisava estar lá porque a conta é dela). 

Hoje não me importo em largar tudo para o alto e ajudar. Meus pais, hoje em dia, só pedem quando realmente precisar. Antes eles davam uma abusada, e aí eu impunha limites, mas não acho que seja o caso. Era importante ter alguém de suporte ali, e eu não me incomodo de ser essa pessoa enquanto precisar (ainda acho que a situação vai melhorando, mesmo que lentamente, e gosto de lembrar que tudo foi tido como esperado e temporário pelos médicos dela).

Só que viajo no sábado e, embora esteja animada, tô morrendo de medo deles ficarem sozinhos. Meu pai anda meio sobrecarregado, minha mãe não pode ficar sozinha em casa por enquanto, sei lá, queria me dividir em dois.

Mas sei que não posso e vou viver lá de verdade, enquanto estiver lá. Sei que vai dar certo e tals. Mas tô me cagando de medo. Kdjckxjcjxj

De qualquer forma, tô muito feliz de poder viver esse momento com minha amiga maravilhosa Manu.

sábado, 18 de janeiro de 2025

Honestidade

 Eu tô vivendo muita coisa legal, bacana. Tenho tentado focar nelas.

Mas tô há uma semana bebendo cerveja porque não quero admitir que está difícil. Tá difícil para mim, para minha mãe, para meu pai, para quem se preocupa. Eu odeio escrever essas palavras porque eu choro, mas é uma verdade e eu lido melhor com elas, boas ou ruins. 

Eu vou aguentar e isso é só um desabafo, tenho esse espaço para isso. Eu não tô infeliz, ninguém tá, estamos fazendo o melhor que podemos. 

Mas todos queremos que isso acabe, desde que seja da melhor forma. Senão, eu, pelo menos, sigo por anos, se necessário.

Bela

 Que legal.

Bela me ligou, sem aviso, sem nada, atendi e ficamos mais de uma hora batendo papo. Eu nunca tive dúvidas, acho que ela também não, inclusive chegou a comentar o quanto conversaríamos num barzinho. 

Bela conviveu pouco comigo, foi muito nova para os EUA, hoje descobri que, aqui, tentou vestibular nos meus cursos que eu. Sempre me senti conectada com ela de alguma forma, lembro de cada vez que a gente se viu, mesmo maioria sendo muito nova. Mas isso é menos importante do que descobri dela ao crescer e entender no que eu acreditava, e, assim como vejo hoje dos meus sobrinhos lindos de lá, ela tem o que acho mais importante num ser humano: coração no lugar.

Mas o legal é que hoje senti que a gente conversou uma hora porque gostamos uma da outra e o papo estava ótimo, hahaha. Eu realmente quero ir lá esse ano. Como? Sei lá. A palavra é o primeiro passo. 

De Curitiba pro RJ, do. RJ para cá. Mais tarde, daqui para EUA, de lá para Japão. Que sonho bom.