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sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Não mais

 Acho complicado tomar a decisão de realmente ser eu, como dizia minha coroa, "pagando o preço pelas minhas escolhas". Liberdade é meio que isso, acho, pelo menos por hoje, fazer escolhas e lidar com as consequências. 

Então sempre busquei ser sincera, ao menos comigo. Mas, nessa, tive que aprender a me proteger, porque existe uma espécie de rede de boicote. Ela começa na infância, quando vamos aprendendo (de forma distinta mediante diferenças de gênero, classe social, etnia, religião etc) quem manda e quem obedece. Quem "cria" a verdade e quem tem que ficar provando que o óbvio, bem, está óbvio?

Eu sei quem sou, eu sei como ajo, eu sei como reajo, inclusive. Eu sei que preciso escrever para entender, e aprendi a não agir por impulso. Sei que a raiva é má conselheira, mas que também movimenta. E sei reconhecer um boicote, inclusive os meus.

Também sei reconhecer padrões, embora esses fiquem cada vez mais sutis com o tempo (ou mais escrachados, porém ignorados pelas pessoas ao redor). 

Seguindo pelo micro, os padrões estão na minha vida também. Nas acusações de manipulação, mesmo contando as coisas tim tim por tim tim. Uma pessoa que omite informações que não existem. Que esconde coisas quando as mostra. Nada disso é novo, mas fica mais cansativo com o tempo, a começar porque prometi para mim que não permitiria mais viver assim, acuada, culpada por aquilo que nem existiu. Ou tratada como alguém cuja falta de delitos visíveis só prova a habilidade maldosa de esconder bem seus crimes.

É antigo, é um saco, e os anos foram retirando a minha paciência. E eu prometi que seria assim. Porque, antes de qualquer coisa, de qualquer leitura da sociedade sobre gênero, etnia e todas as outras individualidades, eu me esforço todo dia para lembrar que eu sou uma pessoa e, como pessoa, não sou melhor e nem pior do que ninguém, e não vou aceitar ser tratada como se fosse.

É bom escrever. Amo esse espaço e amo a cada dia registrar um pouco mais sobre mim, eu tenho o direito. Posso pensar sobre mim, posso falar sobre mim. 

quarta-feira, 22 de outubro de 2025

Rodeada pela morte

 No domingo o Aurélio foi morto pela polícia. Eu poderia suavizar as palavras, mas nunca foi do meu feitio e a realidade é essa: no domingo, último, Aurélio foi morto pela polícia. Com três tiros. Na própria casa. 

É tipo mais um dos medos realizados, dos milhões desse ano (o que, acharam que não seria mais um texto sobre mim? Respeitem meu local de entendimento, por favor). Eu perdi minha mãe, perdi meu gato mais "meu", perdi uma prima, um tio de consideração, um amigo da família, meu escritor preferido, em 2025 muitas das pessoas que eu amava perderam a chance de continuar por aqui, a maioria delas sei que queria mais anos. E, domingo passado, perdi o Aurélio, um dos amigos de Matinhos que nunca questionei a amizade, alguém que vi depois de sair de lá, que fez questão de me ver. Falei com ele semana passada, sabe?

A morte da minha mãe me traz raiva, mas eu não encontro culpados. Na morte do Fora-da-Lei eu só consigo culpar a mim. Quando Iago me falou, logo depois do horário da minha terapia (também conhecido como 'horário em que tudo dá errado'), que Aurélio morreu, a primeira coisa que pensei foi "caramba, eu achava que ele tinha vencido o câncer!". E tinha, eu não estava errada. Eu lembro de, mesmo de longe, acompanhar que ele estava de cama, morrendo de dor, vivendo à base de morfina legalizada até liberarem a cirurgia que ele precisava. Liberada, ele reviveu, e nisso veio essa minha falsa segurança de que ele estava fora de perigo.

Só que eu esqueci que eu vivo no planeta Terra, país Brasil. Esqueci que ele vive em uma cidade minúscula, com forte coronelismo, num país racista quando convém (e geralmente convém). 

E é isso que eu não engulo. Um cara com a história dele, com o caráter dele, vi otário no Facebook "ain porque Aurélio quando era morador de rua em 1986 (!!!) era cuzão", velho, um foda-se do tamanho do mundo, eu conheci o Aurélio do presente, o que eu gostava de falar "ah, mas tal opinião é porque você é chato, né, Aurélio (risos)" e ele levava na boa. Eu tive tanta dificuldade em me expressar e entender os outros em Matinhos, ele era uma das pessoas fáceis de entender, ele comunicava o que pensava, sem joguinho, sem tentar ofender ninguém, mas certo da sua opinião. Levou isso até o fim, um viciado em cuidar de animais (elogio dramático) que morreu tentando proteger um bicho que não era nem dele, o único que, desde que o conheço, morreu sem conseguir salvar. 

A morte me dói sempre por tudo aquilo que foi tirado de quem se foi. Partida natural ou não, acho meio inevitável não pensar no quanto quem se foi gostaria de ver ou viver tal coisa. Penso nisso todo dia em relação minha mãe e, desde domingo, sobre Aurélio. 

Se eu pudesse falar algo para ele, diria que a Cler e mais amigos que ele fez em Matinhos garantiram a segurança dos bichos dele. Diria que sinto muito não ter respondido todo e cada vídeo de internet mandado, mas que agradeço ter falado com ele há duas semanas. E agradeço que ele cuidou da Bolota quando, se não fosse ele, ela morreria na nossa mão, independente de qualquer boa intenção. Agradecer os jogos de xadrez e que ele nunca se incomodou com meu jeito de ser, mesmo quando eu era implicante e dava bronca, coisas que faço com gente que gosto. 

Foi legal quando a gente se encontrou no MON, em Curitiba, num contexto fora de Matinhos, ele estava no tratamento, vivia sentindo dor e, embora falasse sobre isso, era sempre com um sorriso no rosto, um negócio genuíno. Acho que é a palavra que me remete ele, é uma das qualidades que mais admiro: Aurélio era genuíno. 

Eu vou sentir sua falta, amigo, de verdade. Mesmo longe, era feliz de saber que compartilhava o mundo com você. Você foi arrancado de muitos de nós, não consigo nem imaginar como está a cabeça do pessoal de Matinhos que vivia contigo dia a dia. Você vai fazer muita falta, o planeta é um lugar pior agora. De novo. 

Se existir algo depois da vida, espero que você esteja bem, espero que esteja se sentindo amado e acolhido. Fico pensando nos seus últimos segundos, é quase tortura, mas não consigo evitar. Você devia estar amedrontado, Aurélio, eu sinto muito, muito, que você tenha passado por isso. Se ainda estiver com a gente de alguma forma, então essa mensagem, qualquer mensagem, preciso acreditar que possa chegar até você. Senão, não importa mais, tudo se trata de, mais uma vez, engolir o luto, honrar sua memória e tentar evitar os próximos enquanto as lágrimas ainda caem. 

Vai em paz, amigo, deixa a guerra com a gente. Sinto muito, de novo, pela sua forma de partir. Nunca vou te esquecer.

segunda-feira, 16 de junho de 2025

Dias corridos e um adeus para minha mãe

 De sábado para domingo dormi no hospital, minha mãe estava sofrendo muito e preferiu ir para lá. Domingo de manhã voltamos para casa, mas hoje, logo após a terapia, voltamos para lá com a notícia na mente, ela está partindo.

Foi um luto de dois anos. Foi um luto mesmo quando eu via ela, durante a quimioterapia, pintar DOIS muros e andar diariamente 5 da manhã na praia durante 10km. 

Eu sei que estou na fase "raiva" do luto e também sei que ela não é muito justa porque, verdade seja feita, desde o diagnóstico tivemos muitas e muitas histórias para aproveitar. Vivemos esses dois anos intensamente. O que não me tira da cabeça que ela tem apenas 61 anos, foi natureba a vida inteira, alimentação impecável, buscava se exercitar, enfim, eu não como arroz integral hoje porque minha mãe nos enjoou disso na infância, haha.  É de ficar brava que ela esteja partindo tão cedo, embora eu tambéééém saiba que a morte não é questão de merecimento, ela só acontece, para minha mãe, para recém-nascidos, bebês, crianças, para pessoas horríveis e pessoas maravilhosas e, um dia, para mim também.

Desde criança penso nisso e, como meu apego por essa coroa teimosa é indescritível, sempre meio que torci em partir antes dela (o que é meio egoísta da mesma forma, porque ela não ia querer isso, mas eu era adolescente e adolescente tem direito de ser burro).

Eu amo a minha mãe e já esgotei as formas que conheço de falar isso. Escrevendo para vocês aleatórios e falando para ela, lúcida ou dormindo, antes ou agora. Depois de dois dias acompanhando ela no hospital, sofrendo sempre que acordada, estou cedendo o lugar para minha irmã que mora longe e está vindo, para minha irmã caçula, que talvez agora consiga um tempo para elaborar uma despedida, para meu pai, o último romântico e, em um campeonato injusto de sofrimento, com certeza o que vai mais sentir essa falta. Embora eu saiba que ele é capaz de seguir em frente, também é quem mais me preocupa, porque ele viveu uma felicidade a dois por muitos anos e agora vai ficar sozinho. Filha de romântico, romântica sou, então me compadeço. 

E eu vou perder minha mãe. Aquela que eu reclamei por anos nesse blog, com ou sem razão, e que elogiei muito também, dessa vez sempre com razão. Minha mãe que nunca foi perfeita, só Mônica, que por acaso é minha mãe. Como ela sempre disse.  A que abdicou do maior salário porque teria que alinhar com ideologias que ela era contra. A que, comigo na barriga, fez uma matéria com aqueles pilotos que desligam o avião lá em cima e mandou um "oh, tu não me mata que eu tô grávida". A que prendeu um pedófilo só com o poder da investigação; a que entrevistou mulheres trans para dar voz numa revista quando pouquíssimos faziam isso; a que me chamava para contar um segredo e arrotava na minha orelha. Também quem me passou o primeiro trote. 

Minha mãe soube viver. Viveu como quis, aguentando críticas de todos os lados, e, embora certamente devesse ter olhado mais para si do que para os outros, também soube ser uma amiga incrível para os que tiveram estômago para se aprofundar por sua maneira de falar o que pensava e sentia. Mudou muito, evoluiu muito, sempre foi corajosa o suficiente para deixar de lado aquilo que já não fazia sentido. 

Minha mãe vai morrer brava de estar morrendo, igualzinho o pai dela, Vô Darcy. Ela vai ter mais razão em seus sentimentos, porque vovô foi até uns 90 e tantos, mas sei que ela com 100 iria querer mais 10 anos e assim em diante. Acho que nada prepara para a morte? Pelo menos é o que penso hoje. 

E, com certeza, nada prepara para a morte de alguém que a gente ama. Eu não sei o dia de amanhã, algo que, particularmente, não gosto. Não sei como a vida vai seguir agora, só sei que vai seguir, porque se tem algo que eu acredito é que a melhor forma de honrar os mortos é viver.

Até agora e até onde eu sei, o corpo da minha mãe ainda está entre nós, com ele algumas partes de sua mente, talvez o suficiente para se despedir das minhas irmãs e do meu pai. Eu vou conversar com ela após partir, com cuidado para não estragar as aventuras que quero acreditar que ela terá,  mas o máximo que posso fazer agora é lembrar desse sentimento tão forte que nos une.

Te amo, mamãe. Parta tranquila, ficaremos bem.  

 

 

 

quinta-feira, 9 de janeiro de 2025

Inícios

 Alguns pensamentos aleatórios, né, dia a dia escrevendo e revisando, não vou pensar para me abrir no meu espaço particular, mesmo que abra para vocês.

Hoje tive uma reunião com minha amiga/chefe e, como sempre, foi ótimo para o profissional e no pessoal. Ela me viu crescer e eu, criança, lembro do que ela viveu. No geral, é uma combinação muito interessante e que deixa minha mãe fingidamente enciumada. 60% do assunto é ela. 

Acho que estou pronta para ser eu. Não tenho total certeza, porque sou uma bundona, mas me sinto mais brava, qualidade puxada da mãe e, equilibrada, das melhores. Também sinto a criatividade do meu pai, que cada dia conheço mais, e isso me deixa feliz. 

E penso na minha irmã Bela, que criou sua família na distância, como escolhi (mas eles vieram atrás, não por mim, mas findaram perto), mas, como eu, sentiu a falta. Sei que sentiu pq, na diferença, temos semelhanças. Me sinto ligada a ela, como qualquer uma das minhas irmãs mais próximas. Mas será que ela sabe? No geral?

Enfim. Papo de bêbada. Acho engraçado que os encontros com Célia me mexam tanto, em um sentido positivo. Eu vi ela engravidar da amiga mais presente que tive aqui quando criança, lembro de tudo, principalmente de brincar com Bia, filha dela, um presente que minha infância me deu. Não sou próxima de Bia hoje em dia por contexto de vida, porque guardo no coração da mesma forma e, sempre que vejo, sinto certo orgulho de ver a mulher que ela se tornou (mesmo que eu não tenha influência nenhuma nisso, é apenas admiração mesmo).

Gosto de gostar das pessoas, lembrar quem esteve comigo, gosto de não ser tão fluida quanto racionalmente gostaria. 

No fim, acho que tô começando a gostar de quem eu sou, bem ou mal. Eba!

domingo, 8 de dezembro de 2024

Dezembros

 Sou uma pessoa de rituais, num nível saudável? Acho que sim, nada que me atrapalhe. Gosto de fazer minha retrospectiva aqui. Gosto de escolher uma música para o próximo ano. Gosto que dezembro traga em mim um sentimento que os outros meses não trazem (mesmo que isso seja meio ridículo, no fim das contas). Mas sou eu, e eu gosto de ser eu. Nem sempre, mas cada vez mais.

A culpa é não é minha quando dezembro traz um monte de eventos inesperado e divertido, além dos previsíveis natal e ano novo. A culpa é minha que bebo e fumo muito tabaco sempre e aumente nessas situações. São coisas que quero mudar e que, racionalmente sei, poderia mudar agora. Mas agora é dezembro e é tempo de colher e refletir, eu gosto dessa parte minha também.

No próximo ano quero ser mais saudável. Quero ter um hobbie com rotina e fora de casa. Quero viajar, ousar em sonhar conhecer o Japão na prática, não só em ideia. Talvez eu aprenda a surfar ou volte para o teatro (esse último é mais provável). Talvez eu escreva mais, porque eu gostaria muito disso. 

Não sei o que vai acontecer em relação ao meu tratamento ou medicações, mas são doze meses para achar um psiquiatre que sintonize. Eu achei uma psicóloga que eu consiga me abrir, afinal. E é mérito dela, como uma especialista em ostras que soube abrir a concha e manter a ostra viva (eu gosto de metáforas, boas ou ruins, superem).

Essa ainda não é minha retrospectiva. Minha irmã caçula vai voltar, minha irmã mais velha vai chegar logo depois com meus sobrinhos, eu pretendo ligar para minha irmã mais velha algumas vezes esse mês. Eu não sei muito bem o que significa família, até hoje. Sempre foi uma grande busca. Mas eu tô aprendendo a gostar da minha como ela é, e me descobrir nisso também, exatamente como eu sou. Meu núcleo próximo geograficamente tem me conhecido e aceitado, é só o que posso pedir.

E em tudo isso ainda tem o livro, não o meu, o da minha querida chefinha, haha. Foi uma das coisas mais positivas que recebi esse ano, embora sinta certa culpa por não ter avançado no tempo que eu gostaria e estimulei. Mas o ano não acabou, eu estou conseguindo manter certa rotina, e é um projeto que eu me sinto tão grata, quero tanto fazer da melhor forma. Me sinto grata pela confiança e pela oportunidade de poder receber para fazer aquilo que mais gosto, que é escrever histórias ficcionais, minhas ou não, mas algo que as pessoas leiam e simplesmente gostem. Eu amo escrever. 

Acho que amo atuar também embora esteja por fora. Próximo ano vou pensar mais nisso, embora minha admirável psicóloga tenha passado o ano inteiro me falando a mesma coisa, a bichinha hahah. Essa é outra que eu que financeiramente me foda, próximo ano vou dar um aumento, ela simplesmente merece muito (e nunca cobrou, o que não significa que eu não sei que ela mereça).

E, para finalizar, minha mãe. Minha mãe que, no dia 2 desse ano, nos informou um câncer. Em seguida descobriu mais um. No último mês descobriu o terceiro. E segue sendo irritantemente (com todo o respeito, mãe, te amo) forte quanto tudo isso. E o mais indignante é que eu conheço a coroa o suficiente para saber que é honesto, ela simplesmente vai aproveitar a vida dela da melhor forma, e, se depender dela, essa vida vai longe. Isso, lógico, não é uma reclamação. Sou feliz que minha mãe encontre a felicidade, é apenas surpreendente como ela sempre foi. E a bicha é teimosa, graças aos deuses. 

A ideia de morar próxima dos meus pais não é mais terrível, e minha mãe assume a participação do câncer nisso. Ela saberia explicar melhor do que eu, e por isso incentivo o livro que ela diz que fará, mas ela vivia no automático há anos e nenhum aviso funcionou. O câncer não é uma punição, jamais verei assim. Mas, como tudo nessa vida, ele pode ensinar algo. E minha mãe resolveu fazer o melhor que podia com isso. Quando chamo de irritante, brincando, é porque quase parece fácil. Todos sabemos que não é, e, como eu disse, ela não está fingindo. Ela simplesmente conseguiu, atingiu o tal aqui e agora, não sempre, mas na maioria das vezes. Eu fico orgulhosa e admirada, e espero que um dia ela possa simplesmente relaxar, sem nenhuma nuvem de câncer pairando tão perigosamente. O caso dela não tem cura, mas tem remissão, e remissão é bom o suficiente. Mas, o mais importante e o motivo de eu ter falado tanto nisso: minha mãe tá vivendo legal, e isso me traz tranquilidade. Tenho uma mãe com três cânceres e só tenho a agradecer o estado de saúde dela, que anda, faz pinturas no seu muro, viaja, vive tudo que tem vontade e consegue fazer. Ela é impressionante e se um dia eu for 1/4 disso ficarei feliz.

Minha relação com meu pai também se estreitou esse ano. Morar perto dele como uma adulta tem sido bom, e tenho visto várias tentativas dele em se aproximar, de forma que hoje ficou muito mais fácil. Sinto que estamos mais próximos e, hoje, podemos falar de assuntos que antes eram tabu, mas sempre quis saber, como a relação dele com a própria família, ou tudo que viveu. Eu não quero pais de mentira, de idealização, eu quero conhecer meus pais como são, e quanto mais conheço, mais eu gosto. Mesmo que eles me irritem às vezes, o que nunca neguei. Mas hoje eu me posiciono, sem briga, só falando o que sinto, eu aprendi também, e no geral dá certo. Sou feliz por ter eles.

Acho que vou terminar esse texto grande e despretensioso, hahah. Sempre tenho problema com a parte da conclusão, vide meu livro (o meu mesmo). Mas, olha, é a conclusão de um ano e eu me sinto pronta para isso. Podemos considerar evolução, certo?

No próximo ano vou para Curitiba no fim de janeiro. Não sei como vou me sentir lá. Vou gostar de presenciar o amor da Manu e do Otávio, ou rever a Ananda, que a cada vez eu gosto mais, resolver tudo que tenho por lá, sei lá, não é uma preocupação, é mais uma expectativa, uma ansiedade positiva. Eu moro aqui e tô feliz aqui, lá vai ser mais um lugar onde vou ver quem amo. 


Para finalizar, BORA FLU, passamos susto esse ano, mas se não for sofrido não é Fluminense e, chorem rivais, não foi dessa vez.

quinta-feira, 18 de janeiro de 2024

Chorinho

 ô Juracir, me diga, por favor, onde é que foi parar tudo que chamei de amor

fico a pensar se não posso enlouquecer, você uma história a contar, outra que eu fui viver, Juracir

Eu não sei mais como ao povo me provar, estou cansada de tentar, caminho e vou para onde der

Eu levo alguns, outros eu deixo pra trás, sinto mas não sou capaz de me moldar pro que vier

Eu quero conquistar um mundo e sabendo onde piso, pinto e canto, me divirto, mas também sei de chorar

Se necessário, quando a chuva passar, ô Juracir, eu chego ou não, só não viva a esperar, eu tô aqui, aqui eu tô, mas você não sei se está



sexta-feira, 27 de maio de 2022

Reflexões aleatórias da vida

 Tem sido cansativo, mas muito legal, ver todos os tipos de aprendizado que tenho tido ultimamente. Tenho trabalhado, menos do que eu gostaria, mas o máximo que tem surgido, sem tempo para pensar se sou ou não capaz e, aliás, esse tem sido um dos segredos da minha ansiedade, me obrigar a pensar menos e agir mais, sem dar tempo para a imaginação surgir e ferrar com tudo. Ainda tenho crises, ainda tô trabalhando, mas tô aprendendo os mecanismos e começo a ver uma luz no fim do túnel, sendo que lembro do tempo onde isso parecia impossível e todo dia eu pesquisava na internet se eu teria que lidar com isso a vida inteira, a resposta no fim é sim, mas não é tão impossível como me parecia antes. Agora reconheço a crise, tenho conseguido evitá-la e nem me pressiono para quando não conseguir, porque, novamente, conheço o preço de manter a sanidade dentro do meu padrão. 

Mas, como eu ia dizendo, a vida vai bem, a cabeça até que também, e posso voltar até a ser mais autocrítica sem me detonar, haha! Esses tempos tava com uma espécie de "ranço" de algumas pessoas que gosto e sou amiga, hoje já tô numa vibe mais "as pessoas são elas e se a vida delas que não te atinge tá te incomodando a besta tá sendo você", mas de boas, sabe, o assunto passou e esse sentimento meio amargo também. Anoto para não esquecer.

Tem a questão do livro, tem as transcrições surgindo com mais frequência, tem a vida amorosa, tem os cursos que tô fazendo e gostando. Tem problemas também, maioria, como sempre, criados por mim, mas tô sendo mais analítica e menos emocionada (mas tentando equilibrar para não perder aquilo que sou nessa brincadeira). Equilíbrio é difícil, mas tenho estado mais feliz comigo mesma e, nesse momento, isso é absolutamente o que eu tava precisando. A opinião dos outros que guardem, ou falem, tanto faz, vou levar aquilo que eu quiser e quando eu quiser (e, para variar, não me culpar por isso).

Obrigada, deuses, pela chance de fazer terapia.

sexta-feira, 4 de março de 2022

Sobre hoje

 Cê acha que eu não vinha?
Eu me virava, você esquecia
E como eu me sentia mal
Quando aos poucos eu te perdia

Cê ficou achando que eu não percebo?
Que eu nasci ontem, que eu tenho medo?
Eu não vou ficar mais me escondendo
Eu já venci coisa bem maior

Ainda diz que eu faço drama
Até tenho fama, vem que cê já não me ganha
Vem que cê já não vai me encontrar
Você não vai me encontrar

Isso não é amor
Quero te dizer que nunca mais vou olhar na tua cara
Sem lembrar das coisas que você disse ontem
Com a cabeça quente
A gente precisa de um tempo pra pensar

Isso não é amor
Quero te dizer que eu nunca mais vou olhar na tua
Cara sem lembrar das coisas que cê disse ontem com a cabeça quente
A gente precisa de um tempo pra pensar

Isso não é amor
Quero te dizer que nunca mais eu vou olhar na tua cara
Sem lembrar das coisas que cê disse ontem com a cabeça quente
A gente precisa de um tempo pra pensar

E eu não tô pedindo muito
Eu só tô pedindo pessoa errada
Mesmo que nada
Pode, pode, pode ir pra longe
Onde, onde você se esconde
Acho que eu tô te esperando, mas já esqueci seu telefone
Baby, cê não me convence
Não fala do que sente
Me faz sentir tão mal intencionalmente pra mim
Mente pra mim, nem vou te ouvir

Ainda diz que eu faço drama
Até tenho fama, vem que cê já não me ganha
Vem que cê já não vai me encontrar
Você não vai me encontrar

Isso não é amor
Quero te dizer que eu nunca mais vou olhar na tua cara
Sem lembrar das coisas que cê disse ontem com a cabeça quente
A gente precisa de um tempo pra pensar

Isso não é amor
Quero te dizer que eu nunca mais vou olhar na tua cara
Sem lembrar das coisas que cê disse ontem com a cabeça quente
A gente precisa de um tempo pra pensar

Tanto tempo pra perceber
A força que foi eu e você

Isso não é amor
Quero te dizer que eu nunca mais vou olhar na tua cara
Sem lembrar das coisas que você disse ontem com a cabeça quente
A gente precisa de um tempo pra pensar

Isso não é amor
Quero te dizer que nunca mais vou olhar na tua cara
Sem lembrar das coisas que eu você disse ontem com a cabeça quente
A gente precisa de um tempo pra pensar

Isso não é amor

terça-feira, 19 de outubro de 2021

Mesmo acompanhada, sempre sozinha (mas agora isso é bom)

 Não tente me consertar, porra, perceba a arrogância nisso. Se o estar junto justifica, não importa, porque também pago o preço de lidar com sua parte quebrada, até gosto, somos humanos e isso é bom.

Sei que tenho problemas e sei que quer me ajudar, mas não te cabe, os obstáculos vieram da minha jornada e, se é o preço a pagar, pago, acho que começo a ter orgulho do que vivi. Veja bem, errei demais, foram anos de erros, porque vivi tanto que me permiti arriscar e, no risco, as vezes a gente quebra. Mas eu preferi, porque é tão bonito, sei lá, estar vivo é tão intenso e, se melhor for viver na racionalidade e perder esse sentimentos que palavras não explicam, bom, fico aqui, no tal degrau abaixo que tantas vezes me colocaram, "menos evoluída", dizem, e eu completo "humana pra caralho", tenho ansiedade e com ela muitos medos. Sou corajosa demais.

Ando com orgulho de mim, acho que percebi que, mesmo hipócrita ou questionável, é a única possibilidade. Isso não tem a ver com abdicar da autocrítica, só não deixar que qualquer dedo apontado tenha influência, pessoas adoram apontar dedos sentadas, imóveis, na plateia. 

Por um tempo tive vergonha de escrever aqui. Exposição demais, mostrar vulnerabilidade, enfim, mil motivos. Mas eu gosto, e por isso continuo, escrever me faz bem e seria falso (me conhecendo) escrever sem mostrar, mesmo para ninguém, nada aqui está em uma gaveta, eu não estou em uma gaveta.

Eu estou sempre, sempre aqui.


E vocês?

quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

cotidiano paranoico

 Estamos aí, vivendão. Não fiz a retrospectiva do blog, que eu disse pra mim mesma que faria já sabendo que não faria, por mim que 2020 seja enterrado e esquecido, o que é uma amarga ilusão, já que os reflexos seguem firmes e fortes.

Estou cansada de falar do mundo. Falar é fácil, para começar. Do que adianta ver o que está errado, sem ação? E que ação eu, no meu ridículo e limitado momento atual com minha pobre cabecinha, consigo tomar? Mas não tô aqui pra ficar mais uma vez me vitimizando comigo mesma, é mais assumir os verdadeiros obstáculos, eu vou cuidar de mim, o mundo é muito grande e eu, bom, eu não. E aí, quando eu estiver segura novamente comigo mesma (e esse momento vai chegar), quando meu corpo não ficar me boicotando, posso voltar a pensar em qualquer coisa que não seja eu.

Cansei de pensar que eu vou me resolver rapidamente, então que leve o tempo que precisar, foda-se, eu vou ficar em casa mas não vou ficar parada. Quero estudar e quero voltar a fazer exercício (pós-vacina vou voltar pro karatê nem que eu tenha que implorar para me darem aula em troca de imã de geladeira ou qualquer outra coisa que eu saiba fazer).E quero parar de passar mal, porra, isso é tudo que eu quero. Parar de passar mal e conseguir pagar meu aluguel todo mês. E a vacina, que, estando no Brasil, já parece um conceito meio abstrato, um verdadeiro caviar.

Eu tô num planeta coletivo, não dá pra pensar só em mim, também não é o que eu quero, não é nem ao menos minha opção confortável. Mas o sentimento de impotência, ele é muito forte, esse safado. 

Enfim, inicio aqui a saga de textos sem conclusão de 2021, ano passado foram pouquíssimos posts porque eu tava ocupada demais tentando me mantêr viva, na verdade ainda tô, mas tô com saudade de escrever para ninguém, me perder na própria cabeça e externalizar todo esse besteirol que passa aqui.

Eu não tô feliz, e não estou deprimida, tô viva, estou furiosa e quero parar de passar mal para poder direcionar minha fúria de maneira eficaz, ou pelo menos descobrir se é possível, tanto faz. Se tiver alguém aí, boa sorte.

terça-feira, 10 de dezembro de 2019

couch de blog

Me sinto avançando em vários quesitos, um pouco mais conectada comigo mesma, seja lá o que isso significa, sei lá, eu sempre gostei muito de gente, no geral mesmo, conhecer gente nova, ou conhecer novos pontos de vista, cada pessoa é um universo de possibilidades, eu gosto muito disso e quero resgatar todo esse amor em mim, digo resgatar porque vivi Brasil 2018 e 2019, não é fácil, quem vive sabe, nesse universo de possibilidades ver gente se limitando e defendendo o indefensável, olhe, não é que eu não tenha que lapidar muitas das minhas opiniões e achismos, eu tenho também, mas nem sempre é fácil amar a humanidade enquanto eu vejo gente aceitando assassinatos, censura e, enfim, todas as coisas que defenderam esse ano. Mas tudo bem, porque também sei que coisas ruins ganham mais visibilidade do que coisas boas, mas isso não quer dizer que coisas boas não estejam acontecendo. Tem muita gente estudando (eu, inclusa), muita gente se movimentando, muita gente trocando a ideia de caridade por mudanças estruturais, olha, não sei se as pessoas perderam a capacidade de sentir, muitas talvez sim, eu não, sigo sentindo, eu ainda estou aqui, e isso é algo a me orgulhar.
Meus últimos anos foram uma merda, mas coisas boas aconteceram também, conheci gente legal (mesmo que eu não tenha conseguido ser tão legal quanto gostaria), aprendi muito, passei vergonha demais, sei disso, mas quando não? É o preço da espontaneidade, de não vestir uma máscara de inteligencia e perfeição que não me cabe, mesmo que o externo cobre, eu sou de verdade, gente de verdade erra, vou aprender a ficar bem com isso, vocês vão ver.
Me sinto menos ansiosa. A fobia social e agorafobia seguem, agora diagnosticadas, mas também não vai ser para sempre, vou relembrar como eu era antes de ser assim, tão preocupada com minhas falhas que prefiro silenciar do que me expôr, sendo que me expôr era meu maior ato de coragem, existe coragem em admitir a vulnerabilidade, eu falo muito de medo, sei disso, tenho dez anos de blog falando sobre medo, mas o medo nunca me impediu, ao menos até os últimos dois anos, quando, é, impediu para caceta, mas esse é o obstáculo a se superar. Também tem honra em falhar.
Eu não sou uma pessoa desagradável. Chata, entediante? Ok, com certeza. Mas a felicidade alheia me contagia, as vitórias alheias me animam, eu sou uma utópica, foda-se, quero um mundo perfeitinho, onde todo mundo possa viver bem, ter dignidade de vida, sei que precisa de muita luta para isso acontecer, não posso perder toda a vida lutando comigo mesma. Sou parte do problema em muitos aspectos, mas não sou quem bate no peito e se orgulha disso, quero ser melhor, sempre busquei isso, quero conhecer minha melhor versão, não uma ideia besta de paciência infinita e tom de voz doce, isso não tem a ver comigo, quero ser verdadeira comigo e não me abalar por quem quiser ir embora, todos tem esse direito, fica aqui quem quer, fica ao meu lado quem pode, não quero mais ter que aceitar opinião de gente que só quer ver minha queda, ah não, eu caio e cairei para sempre, mas eu ainda estou aqui e vão ter que me engolir. No mais, não sou feliz, quem é? Não sou triste também. Sou doente, ou estou, e não existe um problema nisso, não vejo nenhum tabu aí, sei das cruzes que carrego e do peso das minhas decisões, quem segura sou eu e eu até que aguentei, tô satisfeita.
Ainda são muitos os arrependimentos: na falta de ação quando recebi carinho, na falta de compreensão quando julguei, na falta de auto-defesa quando fui julgada, mas tudo passa, eu passo também, ainda bem.
Esse ano não foi bom, mas foi importante. Continuo simbólica, escolhendo músicas para definir o que virá, fazendo retrospectivas do que já foi (podem esperar, há de vir), pensando, pensando muito, até a cabecinha doer e a terapeuta dizer chega, mas isso sou eu também, tô parada, é verdade, mas minha própria lição segue forte na mente: não sou moinho para me movimentar sempre no mesmo lugar. Fui do Nordeste para o Sul, só os deuses sabem o peso dessa criação, do Sul voltei para o Nordeste, recuperar algo que quebrou, se tem como, não sei, mas me conheci demais na busca, estou exatamente onde queria estar, me dói ver que não aproveito tanto, mas, sabe, faço o que posso dentro dos meus limites, um dia vou ser melhor, eu não desisti, se tem algo que posso bater no peito e sorrir é isso, eu não desisti, não vou desistir nunca, ainda tenho muito para fazer.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

despejando

Todo dia é uma luta, toda luta uma canseira, as vezes perco o ar, tô na beira, o precipício é convidativo mas ele é também o fim, não chegou a minha hora, ainda tenho muito para cumprir, não para expectativas alheias, para mim, para aquilo que busco, não na minha vida, no mundo, só que o mundo é grandão e eu sou só um grão de areia. Tenho voz, já usei, parei de usar quando percebi que não era ouvida, mesmo mais ouvida do que muitas, mas estava errada, erro constantemente, erro comigo, erro com os outros, carrego toda a culpa, não serve de nada, culpa sufoca e estagna, mas não muda nada. Mas eu mudo, mudo constantemente, e nessa mudança me aceito, com a maior das dificuldades, em um mundo cheio de dedos apontados, reconheço meus erros, sim, sempre, mas não vou mais levar o peso que botaram. Eu tô aprendendo, provavelmente em uma lerdeza maior do que deveria, verdade, mas sua caixinha também é pura vaidade, gostar de lembrar meus defeitos para esquecer os seus é cômodo, faz parte, mas é de tamanha inutilidade que ignora a possibilidade de construção mútua para um bem-estar egoísta, escolha de cada um, mas não mais minha escolha, eu respondo por mim e para mim, apenas isso, vou viver com meus fantasmas e tentar não criar outros, mas com a ciência de que faço isso por mim, se isso ofende alguém, bom, cada um com seus fantasmas, vai ficar bem também, sobreviveremos, todos nós, até o dia que não mais, somos grãos de areia mas ainda podemos virar cisco no olho de alguém, eu ouvi um amém?

terça-feira, 23 de julho de 2019

Vidão

Pensei num plano genial agora. O mundo tá acabando e todo mundo sabe que quando o mundo tá acabando os donos do planeta pegam suas pesquisas e suas naves e vão em busca daquele planeta X já descoberto que parece a Terra e poderia abrigar a vida, certo? Certo.
Ao mesmo tempo o mundo só tá acabando porque esses mesmos donos do mundo estão destruindo tudo com suas mineradoras e agrotóxicos e barragens e enfins. Não estamos perto do fim do Sol ou prestes a sofrer com meteoros gigantes, o mundo só está acabando porque eles estão aqui.
É um paradoxo e todo mundo sabe que paradoxos foram feitos para dar dor de cabeça, mas E SE a gente desse um jeito de cortar o ciclo, precisaríamos de alguns cientistas conspiracionistas e um ou dois indícios de perigo imediato (cadê aquele meteoro? Nibiru não, que Nibiru já tem conceito demais envolvido, precisamos de algo neutro), uns quatro bilionários para comparem a mídia (aquela vendida!) com alguns fatos interessantes de como o Planeta X é um local emergente e a ida para lá é questão de alcance social, todo vão querer ir, pelo menos todos que não conseguirem imaginar quão bela e pura seria uma vida no planeta Terra sem esse bando de almofadinhas, ahh, que vidão!

domingo, 23 de junho de 2019

yule é intro

Tô meio cansada de gente, isso é mais problema meu do que dos outros, lógico, mas não posso ignorar que exista. Eu gosto de pessoas, gosto das inúmeras possibilidades, só que tenho preguiça dessa fase que a gente vive, "eu tenho uma opinião e o mundo PRECISA saber", é chato de verdade conhecer a opinião de todo mundo, vocês já viram o tipo de barbaridades que a humanidade pensa? Tem gente pra tudo e isso me cansa. Não é que eu queira que as pessoas sumam ou só concordem comigo, eu só queria um sossego (ilusório), uma placa que dissesse "mente cansada demais para fingir que se importa" ou simplesmente um pouco de respeito ao meu silêncio, as pessoas hoje obrigam as outras a se posicionar (me boto nisso, mas não quero mais ser assim). Não importa ter noção da nossa ignorância, agora temos que fingir que sabemos e convencer outros que também fingem que sabem, todo mundo tão certo de suas verdades, ai, que preguiiiça que me dá. 
Me sinto cobrada infinitamente, de todos os lados, por todo mundo, uns por amor, outros por controle, "eu respeito você desde que faça o que eu quero", alguns nem escondem a falta de respeito, lidam bem com ela também, eu acho isso um saco. Eu sou como eu sou e como quero ser, me engulam ou saiam fora.

segunda-feira, 17 de junho de 2019

Mágoas

Gostava de você, confiava, peito aberto como sempre fui, mas um dia acordei e, com um estalo ou dois, notei. Notei que minha felicidade era um problema, notei que me apontava uma vida que, julgava você, era minha, mas era? Foram dois anos de contato e me moldou a partir de sua observação, direito seu, mas era eu? Você define quem sou? Como devo agir? Um dia acordei e percebi que esperava minha falha, o monstro que acreditava que eu escondia, o pior? Acreditei.
Você não tem culpa da minha ansiedade, isso é óbvio, mas foi gatilho e não ajuda, foi o dedo apontado e não a mão oferecida, tudo por quê? Porque esperava de mim a pessoa que criou em sua cabeça, mas eu era?
Eu não te odeio. Não desejo seu mal, nunca desejei, quero que seja feliz, conheço minimamente seu contexto, sei que sofreu e passou coisas que não deveria ter passado, até tentei te ajudar no limite que conseguia, mas não era minha obrigação, entende? Eu faria de novo, porque sou assim, mas nunca para te provar nada, nunca para te mostrar que estava errada sobre mim. Eu não preciso me provar, eu me conheço, saca? Me perdi mas nunca me esqueci e por isso sofri tanto, tentei caber em sua expectativa , para quê? Sou tão completa, por que fiz isso? Me magoou que tenha deixado e me magoou mais ainda quando se ofendeu por ter me levado mais a sério do que te levo. Só que esse foi o meu maior acerto.
Me afastei, cortei relação, sofri muito por isso, me achei tão injusta, tão tão injusta! Só que tão leve... Como estaria errada em fazer algo que me fez tão bem?
Por muitas vezes quis te dizer tintin por tintin das minhas mágoas, algumas até tentei, mas não senti abertura, continuei sentindo o julgamento e, pior, descobri que falava de mim para terceiros, não sobre quem eu sou, sobre quem julgava que eu era, pautada em uma vida que não conheceu e não acompanhou. Comemorei suas vitórias e sofri suas derrotas, mas minha felicidade te incomodou e você nem percebeu, mas eu sim.
Por que não falou dos meus supostos erros comigo, se sua intenção era boa, se eu dava abertura? Por que me diz que era pro meu bem e não me deu o direito de saber? Quando os outros se afastaram de mim porque minha ~energia estava pesada~ você os defendeu, quando eu me afastei você me criticou, isso me magoou também.
Dois anos passaram e eu sigo com medo de fazer amigos, não é culpa sua mas ajudou a criar o medo, eu achava que era minha amiga, mas você só era no meu "sim", quando o "não" veio eu me tornei um monstro e, de repente, você tinha inúmeras críticas para me fazer.
Te desejo o bem, embora não queira proximidade ainda, talvez nunca. O mundo é grande e sei que nós vamos ter vidas legais com pessoas legais em volta, é o que eu busco para você e para mim. Mas eu deixei de me importar com o que pensa sobre mim e aprendi que nunca deveria ter me importado, você nunca me conheceu, mostrou isso várias vezes, não é nenhum pecado, só um fato, será iludida se achar que sabe quem sou. Não vou pedir desculpa por isso, pedi por inúmeras coisas, por isso não, você não sabe nada de mim.

terça-feira, 28 de maio de 2019

Esqueci de lembrar de pensar que todo penso é torto

Quero falar, quero expressar, mas cansei de jogar palavras ao léu, direciono, aqui falo para mim, certa ou errada, isso é minha conversa com o eu-futuro, não cabe a mais ninguém pois quem pagará o pato sou eu. Aqui é o espaço para teorias não-validadas, reflexões inexatas, um mundo particular. Peça licença.
Me policio para não falar besteira e, francamente, já li meus dez anos de blog, quantas besteiras não falei? Precisei falar, o silenciamento nunca é caminho, como desvalidar honestamente um pensamento se eu nem me permito tê-lo? Sou esforçada, tendo tirar o mundo do meu umbigo, mas não posso ignorar que é a minha perspectiva que está aqui em jogo, e ignorância é meu segundo nome, nenhum orgulho nisso, apenas fatos. São muitas vidas para mudar um fato que talvez nunca possa ser mudado, eu sou uma ignorante. Conheci a história pelos olhos dos livros, reconheci a história pelos olhos dos relatos, da vivência, ainda assim é pouco, eu cansei de sentir dor por esse fato, cresci achando que eu seria essencial para a evolução humana e descobri tarde que isso é uma grande besteira, digo, quem sou eu? Lógico que tenho uma influencia e um alcance, tenho voz entre aqueles que me amam, com eles falo, debato, discordo, mas meu alcance é limitado, maior do que de muita gente, mas limitado. Por isso o individual é importante, mas não funciona sozinho, somos coletivo. Coletivo em um mundo que ensina a competição, está errado desde o começo.
Eu não estou aqui para ensinar nada para ninguém. Mas eu vou me expressar, vou dizer o que eu penso e vou me reconhecer a cada dia, doa a quem doer, eu vou ser eu, irmãzinhas e irmãozinhos, espero que isso, um dia, seja capaz de causar algum estrago. Dos bons.

sábado, 25 de maio de 2019

estradas

De certa forma, eu não ligo para o que as pessoas pensam. Não ligo se concordam com minhas decisões ou reprovam minhas atitudes, digo, estou sempre ao lado da auto-crítica e ela, como o nome já diz, deve vir de mim, então relevo. Relevo os olhares decepcionados e suspiros de desagrado, relevo a falta de confiança alheia e a certeza externa de que eu já deveria estar além, mas eu tô, além do que se vê.

Júpiter, mané

Abri os olhos com navalha, às vezes é preciso, doeu mas foi bom. Menosprezei questões, me conformei, lógico que estava infeliz, dormia e dormia mal. Mas acho que agora encontrei, o futuro vai dizer, mas me sinto até animada, positivamente ansiosa, espero que as coisas deem certo. Tô há tempos tentando encontrar um caminho, conciliação, acho que, depois de muito cultivar, alguma força começa a brotar, é coragem o que tô sentindo?

quinta-feira, 23 de maio de 2019

O dia do fim

Escrevo, como sempre, porque me liberta.
Eu sabia, porque as runas me dizem, e também me disseram lá atrás, as vezes prefiro ignorar, tapas na cara doem, mas da última eu já sabia, aquilo que evitei a dois anos atrás não seria evitável para sempre.
Que bom que não o é. Eu estou morrendo de medo, zero perspectivas com o futuro, mas que bom. Melhor uma verdade dolorida do que uma ilusão confortável.
Só que eu já tô tão cansada do mundo, tão destruída, que perdi uma das poucas coisas que me trazia alguma felicidade e conforto, mas isso é culpa minha, não posso colocar minha felicidade em alguém, essa lição eu já tive muita chance para aprender, as pessoas vão emboras e, mesmo junta, eu estou só. 
Eu quero que as pessoas sejam felizes, se não é do meu lado é melhor mesmo que se vá, eu só não tinha certeza que esse momento sempre chegava, não sei, talvez por meus pais estarem juntos até hoje?
Acho que o que mais dói é não saber o que vai ser do futuro, eu estava caminhando em relação à minha fobia social, e era muito ajudada nisso, agora sinto que estou sendo chutada de volta para o mundo, para o mercado de trabalho, para longe da minha ideia de vida isolada num campo (que era o que eu estava atrás). Eu sei que muitas possibilidades se abrem também, eu poderia dar uma viajada com meus cachorros, por exemplo, algo que sempre quis fazer (caronar sozinha), mas não acho que eu esteja pronta, não ainda. E, também, sinto que eu faria isso e não construiria nada, eu tenho certas obsessões com "construir", meu futuro já é largado o suficiente para eu adiar mais ainda uma independência financeira mais estável, e eu gostaria de construí-la à partir dos meus desenhos e dos meus textos, o que por si só já não é coisa fácil nesse Brasilzão.  
Eu estou triste, eu tô com medo, tô me sentindo abandonada, mas eu escolhi esse ano que eu não daria brecha pra voz nenhuma falando merda na minha cabeça, então eu tô evitando ao máximo qualquer pensamento destrutivo e focando no que eu sou e no que eu não sou.
Entendo que eu vou sofrer, mas entendo também que não vou perder meu tempo sofrendo absurdamente, espero de verdade ter passado da fase de ficar implorando migalha de amor, então vou respeitar as decisões tomadas e seguir a minha vida.  Como? Sei lá, acho que vou começar aceitando o generosíssimo oferecimento da minha amada mãe e ir passar umas duas semanas em Curitiba, vou tentar conciliar com a ida do Rô pra lá também que tô numa saudade danada dele, vou ver meus amigos, vou abraçar meu irmão e agradecer por ele ser uma das coisas mais fixas da minha vida, vou abraçar minha família e agradecer por eles, vou dar um beijão da testa do Kinhus e do resto da galera tudo, vou encher a minha cara em uma noite, vomitar uns quatro anos e fazer o que eu sempre faço (quando a vida obriga, risos nervosos), que é me movimentar.

quarta-feira, 22 de maio de 2019

Um bilhete de amor

Aiai, o que seria de mim sem eu mesma, não é? Sempre ali, me segurando quando eu caio, sabendo bem que, se não eu, quem? :')