Curioso que eu, que sempre acompanhada me sentia sozinha, hoje sinta tanta falta de mim. Não é que o pior já não tenha passado, eu gosto de acreditar que sim, mas agora estou precisando dar conta de tanta tanta coisa que falta tempo para mim, para desacelerar e fazer as perguntas doloridas, aquelas que quero evitar responder. Um lado meu gosta do conflito, da dúvida, da certeza de estar viva, mas o outro quer ter muito bem firme a ideia de que eu gosto de mim mesma, que tô bem com quem eu sou, e eu tenho dúvidas, porque ainda é muito difícil não me sentir uma bomba invadindo a vida das pessoas e implodindo o que elas tinham como fixo, e nem sempre da forma boa, eu dou trabalho, nem queria, mas dou. O medo fala mais alto, logo agora que aprendi que viver sem ele é não arriscar, eu gosto disso, quantas vidas nós temos? Só temo ser o problema, a teia, todos esses papéis que aceitei ter um dia, mas não quero mais carregar essas cicatrizes, esse papel de vilã, vou superar isso também, tô começando a ficar expediente (eu acho)(ou espero).
sábado, 8 de janeiro de 2022
terça-feira, 4 de janeiro de 2022
Ah, as tradições, roda!!
Se você acha que tem pouca sorte
Se lhe preocupa a doença ou a morte
Se você sente receio do inferno
Do fogo eterno, de deus, do mal
Eu sou estrela no abismo do espaço
O que eu quero é o que eu penso e o que eu faço
Onde eu tô não há bicho-papão
Eu vou sempre avante no nada infinito
Flamejando meu rock, o meu grito
Minha espada é a guitarra na mão
Se o que você quer em sua vida é só paz
Muitas doçuras, seu nome em cartaz
E fica arretado se o açúcar demora
E você chora, cê reza, cê pede, implora
Enquanto eu provo sempre o vinagre e o vinho
Eu quero é ter tentação no caminho
Pois o homem é o exercício que faz
Eu sei... sei que o mais puro gosto do mel
É apenas defeito do fel
E que a guerra é produto da paz
O que eu como a prato pleno
Bem pode ser o seu veneno
Mas como vai você saber sem tentar?
Se você acha o que eu digo fascista
Mista, simplista ou antissocialista
Eu admito, você tá na pista
Eu sou ista, eu sou ego
Eu sou ista, eu sou ego
Eu sou egoísta, eu sou
Eu sou egoísta, eu sou
Por que não?
terça-feira, 28 de dezembro de 2021
Aprendendo sl
E nesse balanço louco, por cima, por baixo, entre passos e esbarros percebo que perdi, perdi o controle e a ilusão de ter, perdi a regra e a base e o fio de linha que define como uma vida deve ser, cada ato costurado, ensaiado, fixado, baseado em preços que pagamos no passado, todos nós. Eu acho que isso é estar viva, mas é fácil pensar assim também, tendência antiga, jogar tudo para o alto e recomeçar, te encontrar ou me perder, fazer o quê se eu gosto do estrago? Mas o dia seguinte tá lá e eu tenho meus cacos também, e sou o conjunto inteiro, é mais fácil ser sozinho mas bem mais divertido estar junto, só que bem, mas quem tá bem neste mundo?
segunda-feira, 20 de dezembro de 2021
2015
E se por anos me senti amedrontada pelo puro vislumbre de ser quem eu sou, e se por anos escolhi a auto-opressão pensando, iludida, evitar as críticas alheias, e se me omiti no sim ou no não na tentativa de me sentir mais amada
Então preparem meu cenário, abram as cortinas, acendam as luzes, eu estou pronta, não perfeita ou invulnerável, mas viva, como de tempos em tempos eu consigo me sentir, sozinha, por mim, por quanto tempo eu dormi? As vezes acontece, me perdôo por isso e além, mas do vinagre ao vinho o paladar será meu, portanto as escolhas também
Ah, tirei a máscara e o sol tocou meu rosto, não pela primeira vez, mas pela primeira vez em muito tempo, e, como sempre, eu gostei, porque sou filha da dança, do sol e da lua, da sombra e da luz, eu tenho um grande karma compartilhado por todo um planeta, mas vou conseguir, vou aprender a amar quem eu sou, porque sou isso e eu sei, vou fazer o quê? Aceito tudo.
terça-feira, 19 de outubro de 2021
Mesmo acompanhada, sempre sozinha (mas agora isso é bom)
Não tente me consertar, porra, perceba a arrogância nisso. Se o estar junto justifica, não importa, porque também pago o preço de lidar com sua parte quebrada, até gosto, somos humanos e isso é bom.
Sei que tenho problemas e sei que quer me ajudar, mas não te cabe, os obstáculos vieram da minha jornada e, se é o preço a pagar, pago, acho que começo a ter orgulho do que vivi. Veja bem, errei demais, foram anos de erros, porque vivi tanto que me permiti arriscar e, no risco, as vezes a gente quebra. Mas eu preferi, porque é tão bonito, sei lá, estar vivo é tão intenso e, se melhor for viver na racionalidade e perder esse sentimentos que palavras não explicam, bom, fico aqui, no tal degrau abaixo que tantas vezes me colocaram, "menos evoluída", dizem, e eu completo "humana pra caralho", tenho ansiedade e com ela muitos medos. Sou corajosa demais.
Ando com orgulho de mim, acho que percebi que, mesmo hipócrita ou questionável, é a única possibilidade. Isso não tem a ver com abdicar da autocrítica, só não deixar que qualquer dedo apontado tenha influência, pessoas adoram apontar dedos sentadas, imóveis, na plateia.
Por um tempo tive vergonha de escrever aqui. Exposição demais, mostrar vulnerabilidade, enfim, mil motivos. Mas eu gosto, e por isso continuo, escrever me faz bem e seria falso (me conhecendo) escrever sem mostrar, mesmo para ninguém, nada aqui está em uma gaveta, eu não estou em uma gaveta.
Eu estou sempre, sempre aqui.
E vocês?
quinta-feira, 29 de abril de 2021
Mundo cheio
Não tenho nada a acrescentar, tudo já foi falado, por mim, por mil, não existem novidades, nenhuma meia-verdade, verdades inteiras, as coisas são e são, como são e para sempre, seja lá quanto tempo o pra sempre dure, mas eu não tenho mais nada a acrescentar, só os ouvidos e a vontade de, mesmo que em raridade, fazer uma passagem presente, intensa e real, talvez menos banal do que já vi até aqui.
quarta-feira, 6 de janeiro de 2021
cotidiano paranoico
Estamos aí, vivendão. Não fiz a retrospectiva do blog, que eu disse pra mim mesma que faria já sabendo que não faria, por mim que 2020 seja enterrado e esquecido, o que é uma amarga ilusão, já que os reflexos seguem firmes e fortes.
Estou cansada de falar do mundo. Falar é fácil, para começar. Do que adianta ver o que está errado, sem ação? E que ação eu, no meu ridículo e limitado momento atual com minha pobre cabecinha, consigo tomar? Mas não tô aqui pra ficar mais uma vez me vitimizando comigo mesma, é mais assumir os verdadeiros obstáculos, eu vou cuidar de mim, o mundo é muito grande e eu, bom, eu não. E aí, quando eu estiver segura novamente comigo mesma (e esse momento vai chegar), quando meu corpo não ficar me boicotando, posso voltar a pensar em qualquer coisa que não seja eu.
Cansei de pensar que eu vou me resolver rapidamente, então que leve o tempo que precisar, foda-se, eu vou ficar em casa mas não vou ficar parada. Quero estudar e quero voltar a fazer exercício (pós-vacina vou voltar pro karatê nem que eu tenha que implorar para me darem aula em troca de imã de geladeira ou qualquer outra coisa que eu saiba fazer).E quero parar de passar mal, porra, isso é tudo que eu quero. Parar de passar mal e conseguir pagar meu aluguel todo mês. E a vacina, que, estando no Brasil, já parece um conceito meio abstrato, um verdadeiro caviar.
Eu tô num planeta coletivo, não dá pra pensar só em mim, também não é o que eu quero, não é nem ao menos minha opção confortável. Mas o sentimento de impotência, ele é muito forte, esse safado.
Enfim, inicio aqui a saga de textos sem conclusão de 2021, ano passado foram pouquíssimos posts porque eu tava ocupada demais tentando me mantêr viva, na verdade ainda tô, mas tô com saudade de escrever para ninguém, me perder na própria cabeça e externalizar todo esse besteirol que passa aqui.
Eu não tô feliz, e não estou deprimida, tô viva, estou furiosa e quero parar de passar mal para poder direcionar minha fúria de maneira eficaz, ou pelo menos descobrir se é possível, tanto faz. Se tiver alguém aí, boa sorte.