sábado, 8 de dezembro de 2018

Coisas que eu preciso lembrar quando eu passar a esquecer

Eu tive e tenho uma vida muito boa. Mais do que muita gente, tive o privilégio de ter tido uma infância saudável e com vários pontos bem peculiares que sei que a maioria das pessoas não tem; já na adolescência passei inúmeros perrengues, alguns bem sérios, passei sozinha, sobrevivi e conheço o preço, me forjou também; momento atual, não sei o nome que se dá, retraí, pensei em tudo aquilo que construí e destruí, tudo foi aprendizado, mesmo que tardio.
As faculdades. Não quero desistir dessa, sei a pressão externa que a falta do diploma carrega, sei que já saí de três e que as pessoas costumam ver isso como algo ruim (eu não, eu aprendi muito enquanto estive ali, muito mesmo, e sei meus motivos pra sair), também me interesso bastante pelo curso que tô entrando, penso que é o futuro (que busco), a terra, a fartura e o compartilhamento, tão simples e faz tanto sentido, aprender na prática é uma experiência que eu agradeço muito. Tenho medo, ainda, de várias coisas. Ter que passar 1h30 pra mais com três ônibus diferentes pra ir para faculdade (mais três para voltar) depois de um momento de fobia social não totalmente superado (mesmo que à caminho), tudo isso me assusta um pouco. Mas a faculdade é um negócio que eu quero, então eu vou tentar, vou até onde puder. E não mais do que isso, porque minha sanidade mental é mais importante.
As pessoas costumam colocar pesos nas coisas. É normal, é humano, a gente mede relações, faz associações, cria lições para o que já passamos, é isso aí. Só que os meus pesos costumam ser distribuídos de forma muito, muito, muito diferente da sociedade padrão atual. Tem coisas que eu absolutamente NÃO CONSIGO me importar, sei lá, moda, por exemplo. Ou o que as pessoas pensam por eu ter idade tal e me portar da forma tal (tipo assistir desenhos). Ou Natal. Me preocupo mais com a gatinha prenha do quintal, se ela vai querer parir no meu colo como as duas últimas gatas que tive contato e como eu vou fazer pra doar gatinhos E ela pra donos responsáveis. Me preocupo com meus sonhos (o de hoje eu lembro pouco, mas em algum momento mergulhei minha mão numa tinta que deixava invisível e levei um susto mesmo que eu soubesse que era isso que ia acontecer). Me preocupo em publicar meu livro e ter uma terra e em como ter uma terra sem me afastar totalmente da sociedade. Enfim.
Não dá pra ficar se importando tanto com o externo. Com o que as pessoas pensam da sua vida e do jeito que você leva ela. Sei lá, eu acredito que a existência é infinita, mas o momento não, talvez eu nunca mais venha pra cá como Mariana Lua, vou viver a vida como ela faria. (As vezes me pergunto se dá pra entender algo dos meus textos ou se só são frases desconexas).

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Pago o preço

Existe um auto-ódio em mim, falo sem surpresa, fato conhecido. Não quero manter, não fui sempre assim, permiti que o externo entrasse e forjasse sua verdade baseados em coisas que não viram, mas permiti, não mais.
Já quis morrer, foram inúmeras vezes, onde esse ódio me dizia que o mundo ficaria melhor sem mim. Mas não ficaria. Ouço desabafos, é meu trabalho, cura é mais do que enviar boas vibrações. Papo pesado, mas real: eu sei da minha importância porque eu sei da importância das vidas que eu ajudei. Eu não salvo ninguém, as pessoas se salvam sozinhas, mas estive lá. Dos meus catorze anos de idade até aqui, ao menos um suicídio evitado por ano, teve ano que chegou a cinco, esse ano termina com dois. Entre pessoas conhecidas e desconhecidas, um fato em comum: elas merecem a vida. Talvez o mundo não nos mereça, no geral, porque o mundo é acostumado a boicotar quem está pelo certo, mas a existência é maior que a sociedade, a existência é a possibilidade. E eu os amo. Me salvaram. Ao ouvir o grito que muitos falam se compadecer mas não tem estômago para aguentar, eu me ajudei também.
Esse texto vem com surpresa, porque fui perceber hoje (com o caso dessa semana), o quanto é constante eu estar ali, pelo acaso, bem onde eu devia estar. Com gente que nunca me viu, com gente que me via sempre mas com outros olhos, nada nunca foi calculado, mas sempre aconteceu com a precisão de um relógio.
Não ligo quando as pessoas me consideram muito "auto-ajuda" pro gosto delas, não ligo mais, seria como pedir que todos entendessem a importância do meu "ouço desabafos, e é de graça". Não sou terapeuta, não sou psicóloga e também não sou uma escritora de auto-ajuda. Mas eu sei que quem precisa, entende. Podem guardar os julgamentos de vocês, eu tô do outro lado, do lado que não tem ninguém. O preço disso é tão caro quanto pesa a impotência, mas eu aguento, pago o preço, sempre paguei. Achem o que quiser de mim,mas enquanto não pagarem o preço também, suas opiniões e bosta são a mesma coisa. Ninguém a menos. Ninguém. Se eu puder evitar, eu vou.

domingo, 11 de novembro de 2018

spoiler: ridícula e idiota

quem tem atitudes ridículas e idiotas é o quê?

terça-feira, 30 de outubro de 2018

Frangalhos combatentes

Hora de reconstruir. Começo por mim, na organização mental, sem espaço para influências ou julgamentos externos. Hoje, ouço os mortos, reflito em suas mensagens, os mortos sabem das coisas. Não que já não estejamos mortos também, é um estado constante nessa brincadeira eterna, quantos de nós estaremos mortos em 2020, por exemplo? Faz parte, mas eu nunca achei que as coisas acabassem aí.
Eu sempre tentei separar o social do espiritual, era algo que eu precisava para não cair em falsas narrativas como "pense positivo e você será feliz (no caso ter dinheiro)" ou até aquela bizarrice de "coisas ruins estão acontecendo contigo porque você está vibrando erraaado, irmã",  não, as vezes o social e o espiritual não são tão simples e culpabilizadores, meritocracia espiritual e nada pra mim é a mesma coisa. Só que o que estamos vivendo agora, certo, tenham paciência comigo, o que estamos vivendo agora é, primeiramente, inevitável , seguido de necessário. Precisamos passar por isso. É uma merda, mas fazer o quê? O que meus guias me ensinaram é que tudo é o processo e como você passa por esse processo, e isso se aplica ao âmbito social. Os preconceitos não vão se desconstruir sozinhos em um mundo que inclusive boicota essa desconstrução, perceba que não falei "não coopera", falei boicota, porque É um plano. Passaram a vida toda me chamando de conspiracionista mas, qualé, gente, conspiracionismo? Falar que EUA tem uma influência gigante e planejam muito do que acontece por aqui? ISSO virou conspiracionismo? A falha é nossa. Se amigos e parentes nossos acreditam em coisas ridículas como mamadeira de pinto e kit gay, ou a Pabllo Vitar na nota do real, a culpa também é nossa. Falhamos na comunicação (não digo falhamos como um ou outro partido ou enquanto esquerda, digo como seres humanos mesmo, ou ao menos brasucas).
Brasil foi envolto em uma bola de neve de mentiras que tende a crescer e muito pós-posse. Agradeçam ao Trump e às pessoas por trás dele. Não sei bem o que fazer com a informação de que a parte boa que eu conheço do mundo tá diminuindo, e as partes que eu mais gostaria de evitar estão crescendo. Sinto que preciso encontrar meu grupo, preciso sobreviver aos primeiros cinco anos, sei que no final de tudo isso algo bom vai acontecer, mas o final tá bem longe e vamos perder muita gente no caminho, e eu só não quero me perder. Eu posso morrer, tô ok com isso, eu sou ETERNA, vocês também. Mas não posso me perder.
As vezes espiritualidade e política conversam sim. Pelo bem do planeta, mãe Terra, o capitalismo tem que acabar, e gosto de pensar que esse seja o começo do fim.
Não sou comunista, não sou anarquista, não concordo 100% com nada do que leio e vejo por aí, tô bem com isso. Não sei qual caminho entre os milhares que a gente ainda nem pensou pode ser o certo, mas eu não sou dona do mundo, não tenho que pensar isso sozinha. Um bom ponto de partida pra mim é: nossa sociedade não pode ser baseada em lucro.

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Me importar menos

Pensar cada detalhe, tentar ser a perfeição social, evitar os erros, me perdoar.
 Eu sei o que eu sou, aquela coisinha que desde criança prometi não me permitir mudar, eu tenho que honrar aquela criança, fizemos uma promessa.
Eu machuco as pessoas, e eu detesto isso, mas a questão é que todos nós machucamos pessoas e, ultimamente, relembro que é a intenção que faz a diferença e sempre foi assim. Eu reflito meus erros, tento aprender com eles pra não repetir, não machucar as pessoas em coisas cíclicas. E, na verdade, acho que vou bem. Só preciso relaxar (e, velho, pensar menos, pra poder focar mais nas coisas que realmente importam).
Tem gente que me ama de verdade e ainda chegou a conhecer versões bem mais escrotas de mim. É um processo.


(eu falei que ia voltar os textinhos bregas de auto-ajuda, mas se isso significar que eu estou melhorando então que venham)




Para registro futuro: estamos a uma semana da eleição presidencial e eu parto da idéia de que não importa quem vencer, boa parte da população cogita votar num fascista que apóia um torturador e independente dele ganhar ou não é provável, ao meu ver, um novo golpe. Se bobear apoiado por uma população que desconhece o passado. Tempos difíceis.

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

A balança de ir ou não para Matinhos

Motivos pra ir pra lá: quem eu quero ver eu queria MUITO ver.
Para não ir:
Tô sem grana
Não quero reviver tudo que gerou o post passado
Não queria ir

O que eu aprendo comigo e esqueço comigo e relembro comigo

Nós nunca estamos sozinhos, bom, não se considerarmos o tanto de gente que pense em nós (positivamente), os laços, eles se criam, se consolidam ou se desfazem, mas eles sempre existem. A gente pode nem saber.
Ao mesmo tempo em que, dentro de cada cabecinha confusa que tenta criar uma norma mais confortável de vida, cada um é um universo, e nele estamos sozinhos.
Ou talvez não, sei lá, talvez só mude a companhia, porque as vezes penso que meus amigos não-fisicos conseguem penetrar meu mundinho particular, e só eles entram lá, mas a solidão passa um pouco. Nesse ponto já peço desculpas se meus textos parecerem auto-ajuda, é meu processo de cura e vocês nem deviam estar aqui (eu deixo a porta aberta mas não mais pro julgamento).
Julgamento. Uma dos pilares da minha ansiedade, me importar, pro que devia e pro que não, mas com tanta frequência que fica difícil separar as coisas. A primeira semente da primavera vai superar essa questão, tudo é bruxaria. E perspectiva.
O medo. Base de tudo. Medo de morrer, sabendo que vou, medo de sofrer, sabendo que vou, medo de me expor, sabendo que devo, medo de quê? Só medo, base de tudo. Só que não faz parte de mim não amar a vida, e o morrer, sofrer, etc, tudo isso é viver. Outra semente, rega, Lua.
A dor na garganta, o bruxismo, insônia, dor na lombar, cólica, vômitos e desmaios, tudo tão óbvio, tão auto-explicativo. Timidez (sou eu mesma?), rigidez, preocupação, pesos, medo de ser eu. De me enraizar. Aumentar o valor da aposta.
Rancor. Aquela "impressão" de que quem tá na boa intenção só se fode e quem machuca os outros propositadamente só se dá bem. Que direito tenho sobre isso? Eu sei quem me colocou na posição de carrasca e sei que não me cabe, tô de boa. Não aceitarei carrascos também, que fique só quem me quer bem, que o resto seja feliz, mas para lá. Se afastar não é egoísmo, é amor-próprio, mas não me afasto quando eu mesma levo, então vou só deixar pra lá. De qualquer forma, são poucas as pessoas que eu gostaria de manter longe, poucas mesmo. O que mais tenho sentido nessa minha jornadinha em Curitiba é vontade de levar todas as pessoas que gosto no bolso. Vai ser difícil dar tchau de novo, mas eu sempre faço isso, de todos os lugares. Eu sempre vou embora.
No final, acho que a nuvem era eu.