domingo, 11 de dezembro de 2016

frágil

me abstenho da sanidade
cansada de tanto buscá-la
já não sei nem se é de verdade
ou o que é realidade
se não apenas cilada


 
 



Ainda não é a retrospectiva

Andei pensando em excluir o blog. Eu adoro isso daqui, mas refleti se gostaria que eles (eles quem?) soubessem o que tô pensando.
No final, manterei. Eles (eles quem?) provavelmente já conhecem cada pensamento meu, é tarde demais. Ou só não importa.
Esse ano continua indecifrável, mas eu pedi as respostas, mesmo que viessem por meio de tapas na cara. Tudo bem, o já famoso pular do trampolim, eu gosto disso. Na hora odeio, mas depois gosto.

Não busco objetivos escrevendo, não sei o propósito desse texto. Acho que só gostaria de dizer que, em meio ao caos doismiledezesseísticos, eu tô feliz.

Tenho tomado decisões difíceis, tenho aceitado erros grotescos, tenho dias bem difíceis. Tô feliz pra porra. Tô vivaça. Eu existo!

Aos poucos, vou buscando me perdoar. Acho que é a parte mais difícil, afinal, também fui criada na sociedade cristã do pecado original. É muito ruim viver se culpando por algo que você nem sabe exatamente o que é, é muito chato olhar pra dentro e não gostar de si mesmo fazendo o máximo possível para ser a pessoa que você deseja ser.
Não conseguindo achar as respostas sozinha [não me julguem, me paguem psicólogo (não, nem percam tempo e dinheiro)], busquei nos guias, e foi muito bom. No final, a única coisa que me bloqueia sou eu mesma, como sempre, e eu sozinha me resolvo, como sempre. E olha que dessa vez nem tão sozinha eu estou, ainda bem.

Quero que esse ano acabe porque estou curiosa pelo próximo, e vou virar o ano com a cabeça tranquila, porque o próximo ano vai ser treta, mas por muitos anos tudo que eu pedi é que essa falsa calmaria acabasse. A gente pede, a gente recebe, vou entrar nessa com tudo.

Boa noite, amigos imaginários, foi bom externalizar com vocês.

(não faço mais revisão dos meus textos porque sou preguiçosa, qualquer erro reclamem com minha gerente no 0800)

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

-

Sabe quando você tem que lidar desde pequena com um sentimento muitas vezes ilógico de que você tá atrapalhando e não devia estar ali?
E aí quando você tá tendo um mês super em crise com esse sentimento uma das pessoas que você mais tem em consideração na sua vida, e que você não tem contado sua vida porque sabe que está passando por problemas, diz que você está infernizando a vida dela, mesmo que vocês estejam se falando pouco.
Vou me afastar, que é o que sempre faço, e o que me cabe.
Mas dói pra porra. Tô tão cansada disso. Dá vontade de ir embora, e pra onde?

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Ah, o fim do ano...

Não é que eu não esteja bem. Eu estou viva, tenho casa, tenho comida. Mas é meio que essa a questão.
Ultimamente tenho passado por um desses processos que fico analisando em minha cabeça, e não tem sido muito fácil. Digo, como colocar na minha mente que eu tenho o direito à felicidade, se na verdade eu não tenho? Para ser feliz eu precisaria, no mínimo, ignorar todas as pessoas à minha volta que, adivinhem, não estão felizes. Do que adianta conseguir a minha felicidade se o mundo não dá condição de que todos possam ser feliz, inclusive boicota isso?
Tá, eu sei que tentar segurar os problemas do mundo é uma muleta pra não resolver os meus, mas, sério, dá pra ignorar tudo isso facilmente assim, como as pessoas tem me sugerido? Ainda mais no atual momento do país barra mundo?

Tenho tentado conciliar tudo isso com a ideia da felicidade, mas me parece cada vez mais injusto. Só sofrer quando a água bate na bunda não me parece a solução, e sofrer por tudo e todos também não.
As vezes acho que, mesmo desencantada com o cristianismo desde cedo, nasci com o sentimento do tal pecado original. Me venderam essa ideia e eu comprei, e desde então começou o auto-boicote.

Não tô escrevendo buscando problemas e nem soluções. Tô externalizando, e nem sei se devo, já não sei se colocar na internet o que sinto é o mais seguro. Não sei quem lê, mas aprendi que tenho sim meus inimigos. Tem dono pra minha tristeza. Mas não vou dar nomes aos bois, não quando eles controlam tudo.


Mas tudo bem. Como sempre, eu ainda estou aqui. E, mesmo que eu morra, eu ainda estarei aqui. Pra um ser eterno, não existe problema sem solução, e quando essa bomba de merda explodir eu não preciso ter medo.

Não sei se mereço ou não ser feliz, não sei se existe essa balança de justiça ou se felicidade é moeda de troca. Sei que, infeliz ou não, vou falar, vou gritar, vou esbravejar, vou me permitir ser humana mesmo que me queiram robô.


- fim de transmissão caótica

terça-feira, 20 de setembro de 2016

roda, moinho

os instantes - há momentos - em que a existência brilha em mim
sempre só, solamento, calo todo o tormento que insiste em chegar
e vem
mas deixa de ser tristeza ao se tornar algo maior
traz dó,
mas passa
e a primavera se aproxima (florida, é a minha sina)
venta o vestido da menina que tem de olho o sorriso
Sinto só, sou Sol
nunca paro de tentar
cíclica é a vida, a meta é aguentar

cada um carrega o fardo e toda cruz pesa como deve pesar o coração de quem vive a banalidade diária de não pensar não questionar não refletir pensar em sim e só em si e no que pode ganhar com tudo isso

cada um carrega o peso de ter que entender que o mundo nada mais é do que o moinho que gira gira gira e nunca sai do lugar porque não quer nunca se modificar

cada um de nós é um universo e eu confesso: há momentos tão complexos em que manifestar é só o que há e o que pode acontecer é conhecer o perigo que habita em você

os instantes - há momentos - que, perdida em pensamentos, o mar é todo o sentimento que posso representar, sei lá, também há mar

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Opa

Posicionamento
Mais do que palavra, atitude
Já que de nada vale o texto
se o cotidiano se mostra contraditório
de nada vale a lição
se ela se mantem no campo imaginário



terça-feira, 26 de julho de 2016

Elocubrando

Se a morte é o inevitável fim de ciclo, e dela nada levaremos do físico, e sendo a existência uma experiência consciencial eterna, qual é o sentido dessa vida para o nosso aprendizado?
Penso muito sobre isso desde sempre, na tentativa de sugar o máximo possível desse processo insano que é a vida material. Tomando como partida o fato já consolidado de que nada físico sobrevive à morte, já posso ignorar todos os fatores exclusivamente materiais do meu plano de evolução.
Refletindo por anos, chego à conclusão que, ao eliminar o banal, o que sobra são nossas inter-relações. 
É claro que não é preciso passar uma vida inteira (a velha de 23 anos falando) pensando sobre isso pra chegar nessa conclusão, mas a importância dessa resposta tem se feito cada vez mais observável com o passar do tempo. Tudo que temos somos nós mesmos, e os outros a nossa volta. Tudo que resta é a saudade, a lembrança, e o processo.

Que coisa mais maluca.