quinta-feira, 21 de julho de 2016

Eu gostaria, T.A.

Primeiramente, eu gostaria de ser sua amiga
de podermos conversar olhando o céu
e nos tratar como um só
porque o que você sente
reflete em mim
e o que eu penso
reflete em você

quero nossa felicidade
e a de todas que a buscam
quero nossa evolução
quebrar o ritmo, contramão

não nos quero rivais
não nos quero competidoras
se quando aliadas formos
teremos o mundo em nossas mãos

Primeiramente, deixe-me ser sua amiga
e juntas choraremos pelo mundo inteiro
escolhendo entre os lados um caminho
de meio



segunda-feira, 4 de julho de 2016

Vírgula

Eu tô feliz
Assim, não exatamente a felicidade de quem tem todos os seus problemas resolvidos e nenhuma preocupação na cabeça, pelo contrário
mas aquela felicidadezinha sutil de estar viva e mais tranquila do que fui um dia. Tá todo mundo tão cheio de mágoas, tristezas e medo que é difícil olhar pra cima e ainda encontrar motivos para estar aqui.

Mas não hoje.
Hoje eu tô bem.

segunda-feira, 13 de junho de 2016

liberdade poética

de tombo em tombo
trampolim quebrado
as asas falharam
a gente consente
coração quem sente
já todo rachado
De tombo em tombo
tudo aprendizado
remexendo o passado
que é onde dói mais
o que mais se faz
é buscar voar
o que menos acalma
rancor preso na alma
borboletas mortas
veneno lento
o processo dói
De tombo em tombo
tempestades criadas
navegando pela experiência
de saber se virar no escuro

quero matar meu ego

segunda-feira, 6 de junho de 2016

eu to apaixonada

tenho que ficar postando aqui pra não encher meu facebook com impulsos de carinho e cores do arco-íris.

tô apaixonadinha

que boba

a gente fica jogando uno bolando uma ideia
rindo que nem uns trouxas
nós somos trouxas

estamos nos mudando
de novo
pra variar
outra casinha
um monte de cachorro
nosso cantinho

cantinho um do outro
aaaaaaai que gostoso ahahah

aí se eu abro o blogue

pelo menos posso ficar aqui
elucubrando
te olhando de olho de canto
no lab da faculdade

aaaaaaaaaai que boba, ai que boba


terça-feira, 10 de maio de 2016

Arte Acadêmica

Onde brancos assassinos viram heróis conquistadores
E índios usam armaduras e andam a cavalos
Onde gritos de independência acontecem no Brasil e na França
Iguais
E diferentes são as recepções dos artistas
Pois homens fazem arte para homens
E mulheres não são lembradas por seus quadros
E sim pelo quadro que seus rostos apresentam
Ou pelo tanto que gastaram em suas roupas
Querem academizar a arte, padronizar a vida
Querem transformar o pixo em arte
E cobrar autorização
Querem a liberdade de expressão
Se expressar o que querem ouvir
Ah, a arte acadêmica!
Um turbilhão de hipocrisias e contatos
Fruição respeitando contrato
Penso, me assumo, constato
Caso manifestar-se seja pagar o pato

prefiro mesmo é ser criticada pelo Monteiro Lobato

quarta-feira, 4 de maio de 2016

aleatóóório

Escrevo, apago, reescrevo
tantas dúvidas que nem sei mais
falo de mim, falo do mundo
falo nada e falo tudo
reescrevo e já me mudo
só sei que nada sei
sinto amor e já não falo
sinto raiva e já não explodo
a angustia sempre presente
mas mesmo com ela ainda me movo
todo dia buscando força
cada noite um pesadelo
família, passado, enterros
o dia nasce e nasço junto
não adianta odiar esse injusto mundo
aqui me puseram
aqui vão me aturar
sei lá

quinta-feira, 28 de abril de 2016

E o futuro?

Eu ainda sou cheia de perguntas. Ainda não sei quem sou e pra onde vou.
Fui criada imaginando que existia uma "forma" do mundo ser, algo tido como certo e imutável. A adolescência, sem aviso, quebrou minhas ilusões e me puxou pro mundo real, esse mesmo que é muito cruel, muito planejado, mas uma ilusão. Nós vivemos uma ilusão. E se eu achava que o mundo era algo fixo, "o mundo é assim mesmo", é porque eu fui ensinada a não contestar e sim a seguir regras.
Eu não sei em que momento da minha socialização isso mudou (talvez eu devesse até reler esse blog inteiro pra tentar entender), mas ao olhar pros lados e ver que a realidade vista era diferente daquela em sala de aula, comecei a perceber que havia algo muito errado. Por que me ensinavam mentiras? E por que eu tinha que aceitá-las mesmo vendo situações diferentes das apresentadas?
Meus professores não queriam pensar em respostas pra isso, meus pais também não tentaram, porque nem percebiam a mudança que acontecia na minha mente. 
Sem direcionamento, fui educada (ou não-educada) pela internet. Venho da primeira geração com acesso à internet, sem nenhuma geração anterior para ensinar a usar, a separar o que é verdade e o que é mentira.
Aprendi muito mais com meus amigos e nossas discussões filosóficas enquanto bebíamos horrores do que com a escola. Aprendi muito mais sobre política tentando derrubar a diretora o meu colégio no ensino médio (que era escolhida a dedo pelo governador) do que nas aulas em que se falava no assunto.
Na infância me ensinaram que eu poderia ser o que quisesse ser. Só esqueceram de contar que eu deveria estar no mercado de trabalho, ou eu nem seria digna de ter opiniões (nem vou entrar no mérito de eu ser mulher e, por isso, já perder espaço automaticamente). Desde sempre eu queria ser escritora, inclusive sou, porque escrevo. Claro que o rótulo só me caberá quando eu publicar algo (o mercado de trabalho...), mas não importa, ser escritora é parte do que sou, senão a maior parte. Mas eu não posso ser o que quero.
Saindo do ensino médio, obrigação de entrar correndo numa faculdade. Por quê? Porque o mercado tá aí, menina, você vai ter que começar a pagar por estar viva. Escolhi jornalismo, baseada numa vontade de escrever e ainda poder trazer informação para o povo, poder derrubar políticos. Preciso apontar a utopia da minha escolha? 
Jornalismo foi um tapa na cara. Duas vezes, porque foram duas faculdades sobre. Eu não tinha tempo para pensar sobre o que eu queria, eu TINHA que estar em uma faculdade, o mundo estava vindo na minha direção e eu tinha que ter dinheiro para pagá-lo.
Eu ainda tinha uma ideia de mundo onde eu deveria seguir um roteiro. Quem estuda consegue trabalhar, e quem trabalha pode se manter e ter independência. 
Ainda acho essa uma das maiores mentiras já contadas, para mim e para toda uma geração que tá quebrando a cara ao ver que diploma não é garantia de nada.
Hoje busco valorizar o aprendizado real. Aquele que fala do mundo real, da humanidade real, da história real. Aquele que a Academia tenta de todas as formas abafar.
Existe um lado de mim que ainda tem muito forte a necessidade de buscar o diploma com todas as forças, de completar os sonhos dos meus pais. Meu lado mais íntimo não se importa com o diploma, não se importa com um pedaço de papel. Meu lado mais íntimo morre de medo do mercado de trabalho, porque não sabe se eu quero ou não ser uma arte-educadora, e principalmente se vou ter capacidade para tal (porque outra ilusão quebrada é de que a faculdade trás respostas).
Não tenho interesse de conseguir meu salário no final do mês e ensinar às crianças as mentiras que me ensinaram. Não quero trazer esquizofrenia ideológica para toda uma geração, como fizeram comigo, para garantir um salário de merda no final do mês e poder comprar as coisas que dizem que eu tenho que comprar e ter a vida que dizem que eu devo ter.
Eu quero completar essa faculdade, juro que quero. Quero completá-la porque gosto do assunto, porque gosto do Plano Político Pedagógico dela, porque acredito (uma das ilusões que talvez eu também quebre ao longo do percurso) que ela possa realmente trazer mudanças ao redor.
Percebendo isso, noto que não preciso do diploma. Eu vou tirá-lo, quando for o momento certo, mas não por obrigação. Não vou fazer a faculdade correndo porque o diploma é mais importante do que o real aprendizado. Se eu precisar, reprovarei mil vezes até entender o que quero entender, e não vou me sentir mal sobre isso, porque agora eu sei qual a verdadeira importância de uma faculdade, e não tem a ver com o mercado de trabalho, mesmo que tenha todo um mundo dizendo que é isso que importa.
Bato o pé, ergo a cabeça, e declaro agora que todas as perspectivas postas em mim podem ir por água abaixo, eu não me importo mais. Eu já sei pra que mundo vim, e já sei o que vim fazer. Não me importo com seus conceitos de "a vida tem que ser de tal jeito, você tem que agir de tal jeito...". Aceito agora que não existe segurança nenhuma sobre o futuro, e achar que o diploma trará é entrar nesse looping de frustração que participa da minha vida a anos. 
Minha própria irmã me alertou de que devo me divorciar dos sonhos e expectativas que eu agarrei dos meus pais. 
É verdade, diferente do que eles próprios acreditam. Eu sempre estive pensando neles em cada decisão que tomei na vida. O tanto de coisa que eu teria feito diferente não cabe no papel, e não falo isso culpando eles, a escolha foi minha. Eu não a fazia conscientemente, é verdade, mas ainda tem mais a ver comigo do que com eles. Mas é hora de dizer chega, porque eu tenho quase 23 anos e ainda olho para trás buscando uma aprovação dos meus pais que nunca vem, quando deveria estar olhando para dentro e constatando sozinha o tanto de coisa que faço, por mim e pelos outros. É hora de assumir pra mim mesma que eu valho a pena, porque nunca serão os outros que dirão isso pra mim, e o erro vem de mim em esperar. Andei muito sozinha nos últimos tempos, sentindo falta de apoio de gente mais velha, que me dissesse "relaxa, menina, você tá indo no caminho certo". O apoio não veio, e nem tinha como vir. Gente mais velha tá longe de saber qual é o caminho certo, porque não existe um caminho certo.

Muito mais leve, me assumo dona da minha vida, pronta para brigar sem medo pelos assuntos que desejo brigar; pronta para estudar o que eu quiser; pronta para sobreviver nesse mundo difícil COM ou SEM diploma, porque o diploma não torna o mundo menos difícil. 
Estou pronta para me mudar de um dia para o outro; pronta para seguir com a faculdade ou trancá-la, o que EU desejar; pronta pra mim. 
Vai ser difícil assumir as consequências de todos os meus atos sozinha.
Mas, afinal
não foi sempre assim?