sexta-feira, 17 de outubro de 2025

Escrevendo para entender

O tempo está passando e, mesmo que eu também esteja me movimentando, a sensação é de que tudo ainda é uma junção esquisita de realidade e sonho. 

Faz tempo que não escrevo aqui, mas não quer dizer que andei parada. Na verdade, em relação à escrita, tenho até tentando "aquecer", me propondo alguns exercícios e tentando cumprir.

Sinto que o ano está acabando, porque ele está. Um ano que comecei com minha mãe e terminei sem. Na verdade (Facebook me lembrou há uns dois, três dias), há um ano ela estava pintando a mandala na parede externa da própria casa, a mesma que hoje virou uma Poke Parada (?), algo bobo, mas que me deixa feliz, de alguma forma ela pintou algo sem expectativa e alguém de fora notou, registrou. Acho isso legal. 

Nesse ano perdi minha mãe e meu gatinho Fora da Lei, o meu linguinha de fora. Foi um ano difícil. Foi um ano difícil.

Ao mesmo tempo, tanta coisa boa aconteceu, num nível que se eu listar vou esquecer várias. Sempre senti a existência como ciclo, morte e vida, não faço ideia do que estou fazendo aqui, mas, com a morte da minha mãe, naquela relação de muito amor e ódio do tamanho desse amor, meus maiores medos se concretizaram, todos aqueles que deeeesde criancinha tentei abafar. E eu ainda estou aqui, tropeçando, aprendendo. 

Acho que não tem como fugir de alguns clichês. A vida é movimento porque acaba, a morte impulsiona a vida, tanto faz, a grande questão é, hoje, que já já pode mudar: minha mãe morreu, eu sofro, mas continuo, só que continuo mais esperta, corajosa e, principalmente, salafraia (adoro essa palavra).

Tenho muito para dizer, mas entrei num caminho que não me sinto à vontade de expôr aqui, que é triste, porque sempre foi aqui onde escrevi para definir o que eu acreditava ou não. 

Fica para a próxima, então, online ou offline. Tchau, amiguinhos!!! 

segunda-feira, 16 de junho de 2025

Dias corridos e um adeus para minha mãe

 De sábado para domingo dormi no hospital, minha mãe estava sofrendo muito e preferiu ir para lá. Domingo de manhã voltamos para casa, mas hoje, logo após a terapia, voltamos para lá com a notícia na mente, ela está partindo.

Foi um luto de dois anos. Foi um luto mesmo quando eu via ela, durante a quimioterapia, pintar DOIS muros e andar diariamente 5 da manhã na praia durante 10km. 

Eu sei que estou na fase "raiva" do luto e também sei que ela não é muito justa porque, verdade seja feita, desde o diagnóstico tivemos muitas e muitas histórias para aproveitar. Vivemos esses dois anos intensamente. O que não me tira da cabeça que ela tem apenas 61 anos, foi natureba a vida inteira, alimentação impecável, buscava se exercitar, enfim, eu não como arroz integral hoje porque minha mãe nos enjoou disso na infância, haha.  É de ficar brava que ela esteja partindo tão cedo, embora eu tambéééém saiba que a morte não é questão de merecimento, ela só acontece, para minha mãe, para recém-nascidos, bebês, crianças, para pessoas horríveis e pessoas maravilhosas e, um dia, para mim também.

Desde criança penso nisso e, como meu apego por essa coroa teimosa é indescritível, sempre meio que torci em partir antes dela (o que é meio egoísta da mesma forma, porque ela não ia querer isso, mas eu era adolescente e adolescente tem direito de ser burro).

Eu amo a minha mãe e já esgotei as formas que conheço de falar isso. Escrevendo para vocês aleatórios e falando para ela, lúcida ou dormindo, antes ou agora. Depois de dois dias acompanhando ela no hospital, sofrendo sempre que acordada, estou cedendo o lugar para minha irmã que mora longe e está vindo, para minha irmã caçula, que talvez agora consiga um tempo para elaborar uma despedida, para meu pai, o último romântico e, em um campeonato injusto de sofrimento, com certeza o que vai mais sentir essa falta. Embora eu saiba que ele é capaz de seguir em frente, também é quem mais me preocupa, porque ele viveu uma felicidade a dois por muitos anos e agora vai ficar sozinho. Filha de romântico, romântica sou, então me compadeço. 

E eu vou perder minha mãe. Aquela que eu reclamei por anos nesse blog, com ou sem razão, e que elogiei muito também, dessa vez sempre com razão. Minha mãe que nunca foi perfeita, só Mônica, que por acaso é minha mãe. Como ela sempre disse.  A que abdicou do maior salário porque teria que alinhar com ideologias que ela era contra. A que, comigo na barriga, fez uma matéria com aqueles pilotos que desligam o avião lá em cima e mandou um "oh, tu não me mata que eu tô grávida". A que prendeu um pedófilo só com o poder da investigação; a que entrevistou mulheres trans para dar voz numa revista quando pouquíssimos faziam isso; a que me chamava para contar um segredo e arrotava na minha orelha. Também quem me passou o primeiro trote. 

Minha mãe soube viver. Viveu como quis, aguentando críticas de todos os lados, e, embora certamente devesse ter olhado mais para si do que para os outros, também soube ser uma amiga incrível para os que tiveram estômago para se aprofundar por sua maneira de falar o que pensava e sentia. Mudou muito, evoluiu muito, sempre foi corajosa o suficiente para deixar de lado aquilo que já não fazia sentido. 

Minha mãe vai morrer brava de estar morrendo, igualzinho o pai dela, Vô Darcy. Ela vai ter mais razão em seus sentimentos, porque vovô foi até uns 90 e tantos, mas sei que ela com 100 iria querer mais 10 anos e assim em diante. Acho que nada prepara para a morte? Pelo menos é o que penso hoje. 

E, com certeza, nada prepara para a morte de alguém que a gente ama. Eu não sei o dia de amanhã, algo que, particularmente, não gosto. Não sei como a vida vai seguir agora, só sei que vai seguir, porque se tem algo que eu acredito é que a melhor forma de honrar os mortos é viver.

Até agora e até onde eu sei, o corpo da minha mãe ainda está entre nós, com ele algumas partes de sua mente, talvez o suficiente para se despedir das minhas irmãs e do meu pai. Eu vou conversar com ela após partir, com cuidado para não estragar as aventuras que quero acreditar que ela terá,  mas o máximo que posso fazer agora é lembrar desse sentimento tão forte que nos une.

Te amo, mamãe. Parta tranquila, ficaremos bem.  

 

 

 

sexta-feira, 13 de junho de 2025

Muitos 13

 Muita correria e pouco tempo para qualquer coisa.

Terminei o primeiro semestre de jornalismo (pela terceira vez), foi bem de boas até então, mas reza uma lenda de que no terceiro semestre o bicho pega. Tanto faz, problema para a Lua do futuro.

Minha mãe melhorou, aí piorou de novo, hoje estive lá e não foi um dos melhores dias. Mas ela ainda está aqui, então a gente não sabe o que o futuro reserva, mas ainda há futuro. 

Hoje foi difícil, tive vontade de chorar enquanto estava lá, não sou de segurar choro, mas fiz. Não vou descrever algo que prefiro não registrar mentalmente (esse lugar serve para isso também), eu lido com muita coisa, mas não consigo lidar com o medo de alguém que está morrendo. Principalmente alguém que, se vivesse 400 anos, gostaria de ter mais 100. 

Eu não estou infeliz e nem totalmente apática, um pouco no automático, sim, mas não apática. A depressão conversa, mas não tem me impedido, embora sempre fique uma dúvida de quanto tempo isso vai durar.

Eu não ando querendo conversar, mas, quando quero, meus amigos estão bem disponíveis e eu agradeço internamente (e por aqui e às vezes para eles, talvez menos do que deveria). Não tenho sido a melhor das amigas e ainda assim eles têm sido muito compreensíveis.  

Cansei de escrever porque não quero escrever o que estou pensando. Vou ser esperançosa e dizer que dias melhores virão, porque, na verdade, virão mesmo.  

domingo, 11 de maio de 2025

Dia das mães

 Mamãe tem os dias contados e não fazemos ideia de quanto tempo isso significa. Estamos todos prontos para passar por isso e, ao mesmo tempo, se ninguém sabe do futuro também podemos ser esperançosos. 

Hoje, dia das mães ou, como dizemos em japonês (piada interna kkkkk) hahanohiwa, encontrei boa parte de quem considero família. Minha mãe tá engraçadíssima, passo a entender de onde surgiu mesmo sendo de humor absurdamente mórbido. Ela é foda. Minha mãe é humana, naturalmente, ela tem medo da morte, do desconhecido, do resto, quem não tem? Mas a bicha é foda. Simplesmente.

Cronologicamente falando, minha mãe trouxe uma família que eu nasci sabendo que era família, mas igualmente sabia não ser de sangue. Nunca liguei para isso, sangue, minha família de agora é a mesma da infância. 

Tenho muito para falar sobre isso mas cansei.

Amo minha mãe. Amo meu pai. Todas as minhas irmãs são mto daora. Minha família sabe quem é, fui avisando aos poucos "oh sangue é fodac para mim, vcs são minhas família superem".

Mas eu gosto dos dias que provam isso. Feliz dia das mães para minha mamãe engraçada, vovó, Kaká, Sheila, Fafá, Bela, Lulu e tvz até eu, vai que o futuro me dá um filho (se isso acontecer ele já está vivo)

quarta-feira, 30 de abril de 2025

Antes que Abril se vá

 Acabei de terminar o livro da Célia, enviei há uns minutos, o prazo terminava hoje mas para quem crê em deus nada é impossível (isso é uma tremenda duma piada pq eu fiquei dias escrevendo até a bunda doer)

Com certeza não sou acostumada a finalizar coisas, tô aqui na primeira cerveja pensando no e agora. Estou feliz, meio incrédula, querendo reforço positivo e contando pra todos meus amigos hihihih

Além disso, nessa semana comecei os simulados das matérias da faculdade, terminados vem as provas e então fim de matéria, sigo pras próximas. Gosto de ver a vida caminhando. 

Não vou me estender mto pq escrevi demaaaaais nos últimos dias, só quero registrar aqui que sim, às vezes eu termino coisas!!!!

quinta-feira, 3 de abril de 2025

Inspirações

 Eu poderia falar sobre como a vida tá mostrando vários caminhos e eu tô tentando aproveitar todos, mas, na verdade, hoje quero escrever como, cursando pela terceira (🙄) vez jornalismo, tenho uma inspiração de trabalho, na prática, que gostaria de fazer. Não sei o quanto a vida vai me permitir escolher, se escolhesse escolheria você. Você, seu careca sagaz que aprendeu a ganhar a vida se divertindo mesmo quando tá de saco cheio: Chico Barney. 

Na primeira tentativa eu queria ser jornalista investigativa e, na minha cabeça, isso era uma junção detetive+policial+mídia. Sou bem mais realista hoje em dia, vai.

sábado, 22 de fevereiro de 2025

Vaiq

 Mas vai ser tudo legal. Nem todo mundo tem estômago, tem bunda mole que gosta de fingir, eu tenho muito pra viver. E longe daqui, porque quero me arriscar, não estudo de besta. Eu sou meio da estrada, essa sou eu, bom ou mau.

Em Curitiba tenho pouco a resolver. Na verdade, meus amigos estão, no geral, muito bem, obrigada.

Só que eu não tô. E vejo meus amigos mais próximos também na merda, nem falo pelo profissional, emocional mesmo, no fim, para quem é corajoso o suficiente para sentir, é o que importa.

Meu ex tava certo quanto falou que sou mãe. Sou mesmo, não posso negar. Não posso fingir não perceber as coisas que percebo. Na verdade posso, mas por que eu faria isso? 

Não vou botar aqui o que penso hoje. Vamos lá, dia a dia, cada vez tentando ser melhor e mais forte.

Essa é uma fase ruim. Sou depressiva, sou suicida, mas não vivo só por mim, sou cínica e, com isso, sobrevivo. O mundo me tira pra merda, eu acredito. Mas eu vou ser melhor do que merda porque sou brava, teimosa e, como sempre digo, suicida. Não vou tratar como fraqueza, vamos na base do cinismo, só para provocar.

Muita coisa vai acontecer esse ano. Tô braba, tô triste, mas tô me movimentando, sou tosca mas mexo sempre, tô fazendo minha vida até naquilo que não tenho controle.

Sirene tocando. Eu aguento o tempo que for aqui, sou capaz de ser feliz em Curitiba. Com todo respeito aos meus amigos, por que eu faria isso? Eu posso não aproveitar tudo de Aracaju ainda, mas é a chance de, talvez, ser aceita por ser eu?

Nunca me senti aceita em Curitiba. Não sou exatamente aceita em Aracaju.

Tenho medo de morrer sozinha, mas tenho um compromisso comigo: quero morrer sendo eu. Sem ser apagada por homem meia boca, sem morrer de medo de mulheres, se precisar morrer só, aqui estou, mais importante é morrer sendo eu.

Vou morrer sozinha por isso. Não cravo, porque o futuro é incerto e me sinto mais aberta, mas, sendo realista, acho que prefiro morrer sozinha do que passar a vida me adaptando. É um mundo masculino, escroto e, se a gente deixar, a gente se acostuma.

100% alcoolizada, amanhã é outro dia.

Lua, não desiste, não. Amanhã é outro dia.